fevereiro 02, 2004

AGHORA



AGHORA "Aghora"


Este é um daqueles projectos que aparecem e desaparecem quase sem se dar pela sua existência. Porquê? O estilo musical adoptado é de dificil degustação devido à sua complexidade, abrange um vasto leque de influências cuja fusão poderá parecer desadequada ao ouvido pouco habituado a estas andanças, as letras falam de assuntos sobre os quais o comum dos mortais não estará predisposto a reflectir no dia-a-dia, trata-se de uma aventura pontual sem objectivos de longo prazo pelo que a continuidade está desde logo comprometida e é um trabalho sem qualquer preocupação comercial pelo que dificilmente capta o interesse das massas (e das editoras por consequência).


Esta introdução terá com certeza chamado a atenção de alguns de vós. Passo a apresentar os elementos envolvidos na gravação do primeiro e único trabalho desta banda conhecido até à data:


Danishta Rivero - voz
Santiago Dobles - guitarra, cítara, programações
Charlie Ekendahl - guitarra
Sean Malone - baixo
Sean Reinert - bateria, tabla & percurssão


Temas:
1 - Immortal Bliss
2 - Satya
3 - Transfiguration
4 - Frames
5 - Mind's Reality
6 - Kali Yuga
7 - Jivatma
8 - Existence
9 - Anugraha


Santiago Dobles, de origem venezuelana, foi o mentor deste projecto pensado quase desde a sua génese para integrar a extraordinária dupla dos Sean(s) na secção rítmica. Fã incondicional dos Cynic (banda da qual falarei oportunamente) Santiago sonhava com a possibilidade de alguma vez tocar na sua banda de eleição. Esse sonho, como tantos, não se realizou mas surgiu a oportunidade de trabalhar com os Seans e naturalmente não a desperdiçou. Este trabalho é uma fusão de estilos. Não é genial como o trabalho dos Cynic mas a abordagem também é essencialmente diferente. No entanto, encerra um lote de musicas muito interessantes. Desde o jazz ao Death Metal pode-se esperar um pouco de vários elementos e ambiências. Danishta, irmã de Santiago, é uma mezzo-soprano de voz doce e cristalina não escondendo a sua passagem pela escola clássica. Temos uma secção rítmica de alto nível, provavelmente a melhor dupla do género, e uma dupla de guitarristas que se completam um ao outro. O Santiago com uma sonoridade mais jazzística e o Charlie (MENDACITY) com uma sonoridade notoriamente mais pesada e agressiva que acaba por acrescentar uma dimensão e profundidade muito interessantes ao trabalho. Sean Reinert (CYNIC, DEATH, GORDION KNOT, ANOMALY, ) é um baterista de técnica apuradíssima, rápido, definido e extremamente imprevisivel. O outro Sean (CYNIC, OSI, ANOMALY, GORDION KNOT) é conhecido pelos seus trabalhos de baixo muito melódicos e percussivos e também pela sua imprevisibilidade e imaginação.


Não consigo destacar nenhum dos temas em especial mas chamo a atenção para o espectacular solo de bateria no final de "Existence". É um trabalho relativamente homogéneo e as músicas foram desenvolvidas com o intuito de comunicarem bem entre si. Recomendo este cd aos amantes da fusão que também apreciam Metal, pela consistência do som e pela qualidade da execução.

Publicado por jesusrocks em fevereiro 2, 2004 10:50 AM
Comentários

ó meu amiguinho... os AGHORA não acabaram. Estão a gravar novo CD. A secção ritmica saíu, mas voltou para gravar o sucessor ao "debut".
Já desde '95 q existem, n era agora q iam acabar :)

Afixado por: Sonda em fevereiro 6, 2004 07:17 PM

Ora ainda bem que vamos ter mais um cd dos Aghora mas eu não disse no meu artigo que eles tinham acabado. Apenas sugeri que falar de continuidade de um projecto que lança 1 cd em cada 10 anos não faz sentido. Os próprios Cynic tiveram quase a lançar um cd com uma mocinha a cantar e ainda se espera que um dia destes nos surpreendam. Mas isto será objecto de outro review mais à frente. Quando tiveres mais notícias avisa que é para isso que o Templo serve. Aparece sempre.

Afixado por: jesusrocks em fevereiro 7, 2004 02:29 PM