Nos idos anos 90, Ryan Lum e Suzanne Perry fundaram os Love Spirals Downwards e com ele surpreenderam, agradaram e conquistaram discretamente os fãs da cena etérea musical. Deixaram saudades, ao partirem para outros projectos, mas ficou a música que, como alguém disse um dia, “é eterna”.
Não é fácil “catalogar” musicalmente os LSD. Foram uma banda simples, discreta, que subsistiu e sobreviveu pelo simples amor à arte e pela necessidade de dar novas músicas à Música.
É verdade que encontramos as marcas bem fortes de Cocteau Twins ou de Dead Can Dance, mas o carácter forte da banda quase que apaga estas “heranças”.
Autenticidade, sobriedade, equillíbrio e surpresa são alguns dos elementos que podemos encontrar nos seus álbuns, todos donos de uma dimensão e profundidade admiráveis, mas sobretudo em Idylls, o primeiro álbum da banda, e o seu melhor embaixador, cujas faixas nos fazem mergulhar num mar desconhecido, mas precioso.
A voz limpa e cristalina de Suzanne Perry é, sem dúvida alguma, a alma deste oceano, que nos leva até civilizações antigas e línguas mortas, a encantos enterrados pelo passar dos séculos e memórias escondidas dentro de nós.
Todas as faixas são donas de uma linearidade e cumplicidade muito fortes, para além de ser mesmo impossível não ficarmos perturbados com a dimensão que elas alcançam. Não querendo menosprezar nenhuma das 13 faixas, porque são todas, de facto, notáveis, deixo-vos com uma transcrição de Stir About the Stars...
Stir About the Stars
Faixas:
1. Illusory Me
2. Scatter January
3. Love's Labour's Lost
4. This Endris Night
5. Forgo
6. Eudaimonia
7. Dead Language
8. Stir About the Stars
9. Noumena of Spirit
10. Ladonna Dissima
11. Drops, Rain, and Sea
12. Waiting for the Sunrise
13. And the Wood Comes Into Leaf
Nota: 8/10