janeiro 26, 2004

Nikolas Barker Abandona Dimmu Borgir

Existe um forte rumor que Nikolas Barker (Ex-Cradle Of Filth, Lock Up) terá deixado a principal banda em que se encontrava, os Dimmu Borgir. Nenhuma das partes prestou ainda declarações a confirmar ou a desmentir a notícia. A ser verdade, é sem dúvida alguma, uma perda de peso para os Dimmu Borgir e fica no ar a pergunta: Qual será o seu próximo baterista?

Publicado por HeartLess em 09:19 PM | Comentários (8)

janeiro 25, 2004

review: LUCIA MONIZ "67"



LUCIA MONIZ "67"



Lúcia Moniz - voz, guitarra eléctrica, teclados
Nuno Bettencourt - guitarras, baixo, teclados, bateria, percursão, djambe, voz
Donovan Bettencourt - baixo, guitarras, bateria, programação
Joey Pessia - guitarras
Kevin Figueiredo - bateria
AJR - programações
Pedro Silva - guitarra eléctrica
Steve Sadler - lap steel, bandolin


Temas:
01 - Asas Na Mão
02 - (Agora) Pensa Em Mim
03 - Lá Fora Há Lugar
04 - (Só) P'ra Sempre
05 - Dei-te Nome De Deserto
06 - In My Dream
07 - Sou Como A Noite
08 - Simple Test
09 - So Tired
10 - Carta (Nua e Crua)


Se um dia me pedissem para eleger um artista do nosso panorama musical nacional e um album seriam sem duvida alguma a Lúcia Moniz e o seu segundo trabalho de originais que aqui vos venho apresentar. A Lúcia teve a sorte de nascer numa família voltada para as artes e o mérito de não desperdiçar essa grande oportunidade. Em 1999 lançou "Magnolia", o seu trabalho de estreia. Muito completo e agradável de ouvir foi uma pedrada no charco que agitou o algo insípido e pouco dinâmico mercado musical nacional, apesar de ter logrado apenas o disco de ouro. Tornei-me fã da Lúcia quase instantâneamente.


A parceria com Nuno Bettencourt e companhia voltaria a revelar a sua magia em 2002 com "67". Neste CD a Lúcia explora todo o seu potencial criativo bem como o seu grande talento que, a avaliar pela sua recente estreia no cinema internacional, não se limita à arte do bem (en)cantar.


Emocional, doce mas também forte e quente é a sua voz. A parte instrumental é tão multidimensional que nas primeiras audições atentas do disco descobrem-se sempre mais alguns instrumentos. A produção ficou a cargo de Nuno Bettencourt nos estúdios de quem o trabalho foi gravado à semelhança do que já tinha acontecido com o "Magnolia". A autoria das musicas é de diversas fontes mas sempre com a mão da Lúcia que também é pelos vistos uma compositora competente. Ao contrário de "Magnólia" que era essencialmente pop, "67" é muito mais rock e por vezes agradavelmente pesado.


Não consigo destacar nenhuma música em particular. Cada música é um mundo de sentimentos e emoções diferente. "Asas Na Mão" vem falar-nos da liberdade pela mão de Pedro Campos. É daqueles temas que apetece cantar logo desde o início. Cativa desde o primeiro acorde de guitarra. É rock puro e duro, uma música cheia de energia que me faz geralmente levantar e abanar o capacete. Lembro-me de ter corrido a comprar o CD assim que ouvi a canção na rádio. Segue-se "(Agora) Pensa Em Mim" com uma bonita letra da Lúcia (a sua estreia como letrista). Há um momento da música, a bridge mesmo antes do último refrão, que me dá um arrepio na espinha cada vez que oiço. É um grito de independência e raiva de alguém que foi maltratado numa relação. "Lá Fora Há Lugar" com letra do genial Jorge Palma é talvez o tema mais «metaleiro», passo a expressão, deste album. "Só P'ra Sempre" tem letra de Pedro Campos e fala-nos de amor, desamor, fuga, um salto para a liberdade na solidão. É um tema calmo com uma melodia vocal muito apelativa. Tem uma particularidade muito curiosa. São quase duas musicas numa só porque existe uma parte instrumental que está invertida, toca de trás para a frente. O resultado é curioso. "Dei-te Nome de Deserto" revela influências do country americano e tem letra de Maria do Amparo, mãe da Lúcia e da Sara a quem é dedicada. Os arranjos vocais a cargo da Lúcia estão excelentes. Nuno Bettencourt escreveu a letra de "In My Dream" que a Lúcia com a ajuda de Joey Pessia transformou num tema que serve de transição no album. A partir daqui os temas são mais relaxantes do que estimulantes. Uma abordagem diferente mas que resulta muito bem. "Sou Como A Noite", letra de Pedro Campos, é uma balada calma mas com um refrão muito intenso. "Simple Test" foi mais uma contribuição de Nuno B. interpretada pela Lúcia com um registo que varia entre o doce e terno nos versos e o forte e imenso nos refrões. É uma musica que cresce sempre em direcção ao extase dos refrões quebrando repentinamente num doce embalo. E do Nuno é também a letra de "So Tired", um tema calmo e simples como que a preparar o final. E o final é de grande nível e classe. Letra de João Gil, música de Lúcia e Donovan B., "Carta (Nua e Crua)" é provavelmente a melhor canção do albúm. A letra fala-nos da gravidez na adolescência. Trata-se da interpretação mais emocionante que conheço da Lúcia, com uma execução arrepiante. É a voz que conduz a música que vai crescendo até ao climax com a entrada da percussão a acrescentar um groove quase tribal. Absolutamente genial. É nesta canção que fecha o album que a encantadora Lúcia Moniz revela toda a sua capacidade vocal e expressiva. Segundo a própria "(...) É um tema que faz chorar muita gente."


Boa sorte Lúcia e continua a acreditar.

Publicado por jesusrocks em 05:07 PM | Comentários (14)

janeiro 23, 2004

Chandeen

Espera-se para o final deste mês, o novo álbum de uma das bandas mais conhecidas do movimento musical etéreo europeu - Chandeen. De facto, com quase 13 anos de carreira, esta banda tornou-se numa das embaixadoras do género, não só devido aos arranjos musicais, como pela suavidade das letras e pela profundidade das vozes de Antje Schulz e Stephanie Härich.
Nascida em Frankfurt, Alemanha, em meados de 1992, a banda surgiu pela mão do “alma-mater”, compositor e nos teclados, Harald Löwy e Oliver Henkel, respectivamente, e depressa se transformou numa das melhores e mais bem reputadas bandas do género etéreo wave-pop. Embora de início se possam inserir numa vertente mais gótica (vertente sempre omnipresente em Chandeen), de facto, os seus álbuns têm vindo, progressivamente, a alcançar uma cada vez maior notoriedade, pela sua espantosa profundidade e sensualidade vocal e musical, constituindo hoje em dia uma das melhores bandas europeias deste panorama musical.
Perfazendo a dezena, os álbuns da banda são possuidores de um todo de poesia, sensualidade e obscuridade, por vezes, mas, sem dúvida, donos, também, de belíssimos acordes e sons electrónicos.
Enquanto o novo e derradeiro álbum da banda, “Pandora’s Box”, não chega até nós (lançamento previsto para o dia 28 deste mês), deixo-vos com três propostas: “Shaded By The Leaves” (1994), “Jutland” (1995), “The Waking Dream (1996)”.
Três albuns bastante diferentes, todos denotadores de uma viragem na história do grupo, sem perder, no entanto, a alma que o caracteriza. “Shaded By The Leaves” é, sem dúvida, o mais “obscuro” dos álbuns de Chandeen. Caminhando por “Scottish Hills”, “The World of Lost and Found”, ou pelas batidas da musical “Rain Dance”, Chandeen revelam aqui um pouco do seu génio, mas pressente-se que falta algo. Que são capazes de muito mais. E é isso que se sente em “Jutland”, o melhor representante, a meu ver, dos primeiros anos do grupo. Em “Jutland”, mergulhamos, sem dúvida, num ambiente de fantasia, criado algures dentro de nós. Os acordes fantásticos e as vozes de Antje e Catrin (que deixou o grupo após o lançamento deste mesmo álbum, vindo a ser substituída por Stephanie Härich) como que se fundem na nossa voz e é difícil não sentirmos nascer um novo olhar sobre o que nos rodeia ao ouvi-las, sobretudo nas faixas “Ginger” e “Jutland”.
Considerado por muitos como o melhor e mais bem sucedido álbum dos Chandeen, “The Waking Dream” marca a viragem da banda e reafirma a sua posição como uma das melhores da Europa.
Não deixem de ouvir a “Papillon”, “My Life” e “To the wild roses” e porque não, “See the Light”. O mais recente álbum “Echoes”, de 2003, é também de um êxito assinalável - cuja faixa com o mesmo nome é um eco do próprio coração da banda: genial e profundo - e está a ser tão bem recebido pela crítica, como pelos seus fãs, que esperam que a banda germânica se decida pela não dissolução, já anunciada para após o lançamento de “Pandora’s Box”.
Mas, ainda que a banda deixe de existir, sem dúvida que vale a pena ouvir...

Antje Schulz - vozes
Stephanie Härich (nos dois primeiros álbuns ocupava o lugar Catrin Mallon) - vozes
Axel Henninger - guitarra
Dorothea Hohstedt - flautas
Harald Lowy and Oliver Henkel - todos os outros instrumentos


Jutland (1995), HyperiumEchoes (2003), Kalinkaland Records O tão ansiado Pandora’s Box

Site Oficial: www.chandeen.com

Publicado por Jelliel em 05:30 PM | Comentários (2)

Forum

Para todos aqueles que se interessam por musica, gostariam de ter uma voz activa neste blog, que se quer diversificado, mas por motivos de tempo, timidez, ou outras razões que a cada um diz respeito, não se voluntariam para participarem neste projecto que eu e o Heartless iniciamos, devo informar que a partir de hoje temos um fórum a vossa disposição.
Espero que com esta nova ferramenta que colocamos para todos vós, aja lugar a um maior estreitamento na relação entre os bloggers e os visitantes, criando desse modo um "serviço" informativo e de opinião cada vez mais amplo e eclético. Noticias, discussões, recomendações e tudo o que achem importante (ou não) estão a vontade para colocarem no fórum.
Espero que a partir deste dia, com a ajuda de todos vós, consigamos alargar os horizontes rumo a uma maior qualidade e diversidade. Pela parte que me toca, estou ansioso por me indicarem novos sons, para desse modo me saciarem a sede de novos e estimulantes sons. :)
É só clicarem... ;)

Publicado por almahperditae em 06:32 AM | Comentários (2)

janeiro 22, 2004

MetallicA - Live Shit Binge & Purge - 2003 Reissue

Amados por uns, odiados por outros, não interessa. Os MetallicA são, indiscutivelmente, A maior banda de Metal de sempre. Milhões de álbuns vendidos (só com o Black Album foram mais de 14 milhões em todo o mundo...), concertos estonteantes, edições limitadas de luxo... E depois, clássicos como "Enter Sandman", "Master Of Puppets", "For Whom The Bell Tolls", "One"...
Hoje, venho falar-vos da re-edição de 2003 de "Live Shit - Bing & Purge", uma colectânea (originalmente lançada em CD e VHS) em CD e DVD dos melhores concertos da banda. Ao todo, são três concertos: Um em Seattle (DVD), outro em San Diego (DVD) e um em Mexico City (3 CD). Aos leitores que vêm o Sol Música: há uma pergunta feita em rodapé, que é a seguinte: "Qual o melhor concerto a que já assististe?" Eu responderia, sem dúvidas (e apesar de não ter lá estado), "Metallica em San Diego". Porque é um concerto absolutamente perfeito. Estrondoso. Memorável em todos os sentidos. Pequenas pérolas ao vivo como o fantástico medley do álbum "...And Justice For All", ou os 18 minutos gastos com a musica "Seek And Destroy" (em que James Hetfield vai lá abaixo, fazer o público cantar com ele) são momentos de ouro de uma banda que, neste concerto, se mostra coesa ao limite, como nunca tinham estado, nem voltariam a estar novamente. Ver James a alternar entre a guitarra acústica e a eléctrica em pleno "The Unforgiven" é um mimo à altura de poucos, tal como o é ver James (sempre ele!!!) "jamming" com Lars Ulrich na bateria, ou ver Kirk Hammett tocar guitarra com o cu (!!!), ou ainda ver Jason Newsted imitar o vento com o seu baixo... Simplesmente fenomenal. Acresce ainda, no DVD 1, um vídeo de aproximadamente 20 minutos com histórias e estórias (como o acidente de James Hetfield com os fogos de artifício durante um espectáculo, ou ainda o caos total que foi o concerto em Moscovo), bem como filmagens das gravações de "MetallicA". Uma box imperdível, não apenas aos fãs de Metallica, mas a todos os fãs de Metal. Recomendadíssimo.
Nota: 11/10 (sim, leram bem, 11 em 10. =] )

Playlists:
CD1 - Mexico City (Concerto 1)
1. Enter Sandman
2. Creeping Death
3. Harvester Of Sorrow
4. Welcome Home (Sanitarium)
5. Sad But True
6. Of Wolf And Man
7. The Unforgiven
8. Justice Medley: Eye Of The Beholder + Blackened + The Frayed Ends Of Sanity + ...And Justice For All

CD2 - Mexico City (Concerto 2)
1. Through The Never
2. For Whom The Bell Tolls
3. Fade To Black
4. Master Of Puppets
5. Seek And Destroy
6. Whiplash

CD3 - Mexico City (Concerto 3)
1. Nothing Else Matters
2. Wherever I May Roam
3. Am I Evil?
4. Last Caress
5. One
6. Battery
7. The Four Horsemen
8. Motorbreath
9. Stone Cold Crazy

DVD 1 - San Diego
1. Enter Sandman
2. Creeping Death
3. Harvester Of Sorrow
4. Welcome Home (Sanitarium)
5. Sad But True
6. Wherever I May Roam
7. Through The Never
8. The Unforgiven
9. Justice Medley: Eye Of The Beholder + Blackened + The Frayed Ends Of Sanity + ...And Justice For All
10. The Four Horsemen
11. For Whom The Bell Tolls
12. Fade To Black
13. Whiplash
14. Master Of Puppets
15. Seek And Destroy
16. One
17. Last Caress
18. Am I Evil?
19. Battery
20. Stone Cold Crazy

DVD 2 - Seattle
1. Blackened
2. For Whom The Bell Tolls
3. Welcome Home (Sanitarium)
4. Harvester Of Sorrow
5. The Four Horsemen
6. The Thing That Should Not Be
7. Master Of Puppets
8. Fade To Black
9. Seek And Destroy
10. ...And Justice For All
11. One
12. Creeping Death
13. Battery
14. Last Caress
15. Am I Evil?
16. Whiplash
17. Breadfan

Site Oficial: MetallicA


Publicado por aShBuRn em 06:33 PM | Comentários (5)

review: ARK - "Burn The Sun"



ARK "Burn The Sun"

Jorn Lande - voz
Tore Ostby - guitarras
John Macaluso - bateria
Randy Coven - baixo
Mats Olausson - teclados

Temas:
01 - Heal The Waters
02 - Torn
03 - Burn The Sun
04 - Resurrection
05 - Absolute Zero
06 - Just A Little
07 - Waking Hour
08 - Noose
09 - Feed The Fire
10 - I Bleed
11 - Missing You

Antes de mais, saudações musicais aos demais autores deste blog e em especial ao seu criador. Saudações também aos leitores deste blog.

Venho falar-vos dos ARK e em particular do seu segundo CD "Burn The Sun". Editado em 2001 pela InsideOutMusic, trata-se, na minha opinião, do melhor conjunto de canções dentro do estilo Prog Metal (eu detesto rótulos mas enfim) gravado até hoje.

Os ARK não são uma banda Norueguesa, nem Europeia como se poderia pensar. São uma banda mundial, universal. Não se reduzem a nenhum estereótipo nem se enquadram em nenhum rótulo. O seu primeiro CD com o nome da banda e edição quase coincidente com este segundo trabalho, apesar de datar de 2000, era de difícil digestão. Quase poderia ser uma introdução extensa e confusa daquilo que os ARK tinham para mostrar ao mundo embrulhada numa produção caseira que deixava um pouco a desejar. Neste segundo trabalho a história começou a desenrolar-se.

"Burn The Sun" não é um épico mas tem uma história a contar. Não é um album conceptual mas respeita um conceito. Não tem músicas enormes com partes instrumentais tão longas quanto complexas (por vezes aborrecidas) como outras bandas do mesmo estilo e penso que é precisamente aí que este trabalho se destaca dos demais. Não é portanto uma obra aparentemente densa. Os pormenores, o detalhe e a sua densidade, vão-se revelando ao longo do tempo com repetidas audições. Muitas pessoas nem se aperceberão do tributo inequívoco a Queen no último tema (edição europeia) "Missing You".

Encontramos 11 temas (a edição japonesa contém um tema extra) muito diferentes entre si, cada um a reflectir a sua própria e distinta essência. É quase um compêndio de musica moderna. Pretendem fazer um apelo às nossas consciencias individuais, um apelo à união, à evolução enquanto espécie humana.

As influências são vastas como só fica bem a qualquer músico/compositor que tenha uma saudável abertura de espírito. É fácil descortinar referências com o pop e a musica latina aqui e ali.

Pessoalmente, destaco "Heal The Waters", um aviso ao modo negligente como tratamos o nosso precioso planeta com um delicioso pormenor de produção (a cena da moeda - uma metáfora?), "Resurrection", uma visão muito romântica sobre o poder que o amor pode exercer nas nossas vidas (sim, eu acredito no amor), "Absolute Zero", uma reflexão sobre a criação do Universo e sobre os mistérios que este encerra com um trabalho de voz que faz lembrar Bjork e um espantoso trabalho de baixo fretless, "Just A Little", com influências latinas (foi a primeira vez que ouvi uma banda de Metal a usar castanholas) e uma entrada em guitarra acústica que mete respeito, "I Bleed", que fala sobre um desgosto amoroso com um trabalho vocal genial e a não menos genial "Missing You" que é uma abordagem ternurenta de outro desgosto amoroso (talvez platónico) que se transforma numa explosão de raiva e angústia sensivelmente no ultimo terço da canção. Esta última canção que, aliás, inclui o tal subtil tributo a Queen (Freddie Mercury) muito bem conseguido (para mais pormenores basta perguntar). Mas não se deixem enganar pelas associações. "Burn The Sun" é Metal puro e duro à moda antiga.

Falta apenas falar dos músicos uma vez que para que uma boa criação musical chegue em condições aos ouvintes é fundamental que seja bem interpretada e executada. Os créditos de autoria estão a cargo de Ostby, Lande e Macaluso os três elementos chave do projecto. A formação que compõe este CD teve uma existência efémera como todas as coisas boas deste mundo. No entanto, atingiram um resultado muito coeso, sólido e coerente. Não é possível destacar este ou aquele elemento mas é possível realçar um pormenor. Apesar de todos os 5 músicos serem excelentes instrumentistas o seu papel neste trabalho está bem definido e nunca se sobrepõe. Todos eles tiveram o seu espaço para brilhar o que é de enaltecer.

Para quem nunca ouviu falar de nenhum destes indivíduos posso deixar algumas referências: Jorn Lande (The Snakes, Yngwie Malmsteen, Masterplan), Tore (Conception), John (TNT, Yngwie Malmsteen), Randy (Steve Vai, Steve Morse), Mats (Yngwie Malmsteen).

Destaco, finalmente a alma com que este trabalho foi executado. A paixão pela arte está patente desde o primeiro momento até à despedida que parece quase um triste "adeus mas temos de ir..."

Felizmente, vivemos tempos entusiasmantes e é com um sorriso nos lábios que me despeço por agora com a seguinte notícia: os ARK vão regressar este ano com um novo trabalho, segundo os próprios, o melhor até agora. É esperar para ver.

Publicado por jesusrocks em 09:19 AM | Comentários (0)

My Dying Bride - Songs Of Darkness, Words Of Light

The Weakness of My Flesh

Com um início a pisar os limites do black metal, com voz vinda directamente do inferno, o ritmo compassado e mórbido das guitarras é acompanhado por um teclado lúgubre e hipnotizante, dando a introdução perfeita para a voz sussurrada, dorida e mórbida de Aaron Stainthorpe. Os apontamentos do teclado remetem-nos para um ambiente negro cheio de encantamentos macabros. Sem duvida uma excelente musica a ouvir vezes sem conta.

A Doomed Lover

Começa com uma bateria lenta e guitarras com o mais puro doom a arrastarem a nossa mente. A voz sussurra palavras que nos entram na mente, antes dum pequeno apontamento quase que majestoso, sem nunca acelerar o ritmo lento como bem apraz ao universo doom. Um teclado rasga a lentidão com uma linha simples mas hipnotizante, dando lugar a uma guitarra com o chorus a rasgar-nos os sentidos. Puro doom, majestoso e eloquente, intenso e genial… Perto do final uma pedaleira dupla acelera o ritmo cardíaco, embrenhando-nos ainda mais neste universo tão peculiar.


The Blue Lótus

Uma guitarra rock, uma guitarra remanescendo o goth-rock dos anos 80, uma voz quente e forte enleva-nos antes do ritmo acelerar com os lamurios do vocalista, recortados por pequenos apontamentos mais doom. Uma guitarra chora por momentos, antes do regresso a guitarra goth, agora com a voz cantando uma melodia bela e cativante. Uma musica mais pop-rock, mas sempre com o carimbo daquela que muitos vêem como a melhor banda de doom metal a face da Terra.


The Prize Of Beauty

Voz em multi-track, grunhidos de black metal, mas as guitarras relembram-nos que os My Dying Bride são uma banda de doom metal, apesar de como poucos se aventurarem em todas as esferas do universo mais pesado e negro do Metal. Teclados a lembrar Dimmu Borgir, envolventes e hipnóticos. A meio da música um apontamento melódico, com guitarras limpas e Aaron a cantar com a sua voz única, tocando-nos através do som nunca linear, nunca estéril desta banda magistral, percorrendo vários universos do espectro do metal.


And My Fury Stands Ready

Na minha opinião talvez o momento menos conseguido. A intensidade continua lá, e o ecletismo vincado. Mas… Falta-lhe o toque mágico. Que nem os samplers conseguem devolver. Uma música menos feliz, ou talvez a precisar de outra audição.


Catherine Blake

Talvez a canção mais orelhuda. Versos arrastados entrecortados por um refrão bastante catchy, em que a melodia imprimida pela voz de Aaron não é alheia. Uma musica que decerto entrará nas preferências de quem a ouvir, embora talvez sem atingir os níveis de reconhecimento que outras musicas desta banda atingiram no passado.


The Scarlet Garden

Scarlet (* :P) é a cor por excelência do universo romântico, que tão vastas repercussões tem na tribo gótica que hoje em dia pulula pelas ruas. Como tal esta musica vai buscar inspirações a esse ambiente, sempre com o carimbo dos doomers My Dying Bride, que usando e abusando de todos os estilos imagináveis na musica extrema de guitarras distorcidas, conseguem a proeza de nunca perder a sua alma, e a sua assinatura. A beleza do violino (eles já não têm violino pois não? Isto é sintetizador, certo?) remete-nos ainda mais para ambientes tristes e românticos de amores impossíveis e o teclado perto do final devolve a música a eloquência e grandiosidade que serve como assinatura para o gothic.


My Wine In Silence

O início faz-me lembrar um Neil Young a tocar num funeral, tendo como banda de apoio os Pink Floyd. Gozem a vontade, mas é essa a ideia que tenho.
Talvez a musica mais calma e singela do disco, que nem os grunhidos breves conseguem macular. Os coros sintetizados fazem a música ganhar uma outra dimensão… Afinal este é um disco dos mestres do doom metal.


E é este o alinhamento do próximo disco dos My Dying Bride. Não pela ordem que aparecerá no disco oficial, talvez com algumas remisturas de ultima hora (talvez não), mas que decerto merece a atenção de todos os amantes do doom metal, de todos os amantes da musica mais pesada, e de todos os amantes da musica em geral. Ou tal como dizia a Isa “É bom ver pelo menos uma banda que não se torna uma merda a medida que o tempo passa.”

Nota: 9/10

Site: My Dying Bride

Publicado por almahperditae em 07:37 AM | Comentários (10)

janeiro 21, 2004

Novos Colaboradores

É com grande prazer que dou as boas vindas a Jelliel, Ashburn e JesusRocks a este blog temático sobre música como novos colaboradores.

No entanto se desejares fazer parte desta equipa, basta deixares um comentário com o teu conctacto e nós entraremos em contacto contigo.

Publicado por HeartLess em 06:31 PM | Comentários (6)

Moonspell

São a mais popular banda de Metal nacional. São a mais bem sucedida banda de Metal nacional. São a banda portuguesa com maior exposição alem-fronteiras. Chegaram onde mais nenhuma banda nacional chegou, ou sequer se aproximou. São o exemplo mor duma carreira bem sucedida, quer no universo metaleiro, quer fora dele. Mas... O que fez este sucesso? Porque eles e não os Decayed ou os Filli Nigrantium Infernalium(FNI), que iniciaram ao mesmo tempo, com os mesmo meios, e tendo que travar as mesmas lutas? A resposta é mais simples que o que parece: qualidade, profissionalismo, humildade e sorte. Afinal aquilo que faz uma grande banda.
No inicio faziam parte duma triade obscura que tentava impor em terras lusas o som pesado, rapido e intenso do black metal. Juntamente com os Decayed e com os FNI começaram a dar os primeiros concertos de black metal em Portugal, com um cuidado especial nos elementos cénicos, fazendo do acto de tocar ao vivo um espectaculo intenso e teatral de modo a impressionar as almas nacionais pouco acostumadas ao som pesado, demolidor e rapido que começava a despontar neste cantinho a beira-mar plantado. Com a edição da demo "Anno Satanae" em Fevereiro de 1993, os Moonspell agitaram as aguas do underground nacional e internacional, assinando um contrato com a editora francesa Adipocere para um mini-cd que foi editado um ano depois.
"Under The Moonspell" foi uma pedrada no charco, um disco fresco, genial, invulgar e deveras original que ainda hoje é a Biblia de algumas bandas que tentam recriar o estilo de black-metal lusitano, infelizmente sem a mesma capacida envolvente dos Moonspell, não que não possuam qualidade, mas nesta estreia, os Moonspell para alem de criarem um novo som, conseguiram a proeza de o colocar num Olimpo de tal modo elevado que toda e qualquer tentativa de o alcançar, é frustado a nascença. Aconselha-se a faixa "Opus Diabolicum". Sem mais palavras...
Tal como todas as outras bandas, tambem os Moonspell sabiam que reproduzir (ou pelo menos tentar) este disco, era uma tarefa complicada, para não dizer impossivel. Por isso tomaram a atitude certa: não tentar faze-lo. Abandonando o seu filho pródigo, mudaram quase que radicalmente o seu som, e em vez de black-metal lusitano, a sua segunda incursão em discos oficiais, e primeira em longa duração, já na Century Media,da-nos a ouvir um som gótico, medieval, de força e poder, conjugando ritmos demolidores, com melodias atraentes e sons ambientais que nos transportam para outras épocas e outros lugares. O êxito foi esmagador. O mainstream estava ali a porta, o culto crescia em torno dos hinos "Alma Mater" e "Vampiria", o sucesso alem-fronteiras foi imediato, e o culto na sua terra natal devastador. Eles já eram a grande banda nacional. Já eram a grande banda europeia do gothic metal. E agora? Dois grandes discos, uma escalada repentina mas sustentada para o êxito, chegaram ao limiar de todas as bandas. A hora da verdade. Toda a gente sabe que uma banda que cresce como eles cresceram, e chegam ao terceiro disco com um sucesso enorme, chegados ao terceiro disco têm que provar que merecem o sucesso.
E mereceram. "Irreligious", o melhor disco da carreira dos Moonspell, um gótico atmosférico que ofuscou tudo e todos (na Alemanha, a VIVA elegeu-os revelação do ano de 1996, ultrupassando nomes como Korn e Marilyn Manson), um dos melhores discos de metal de todos os tempos, o disco de metal europeu mais vendido de sempre, um extase para os ouvidos, uma obra-prima. O disco perfeito de gótico, sem a mínima dúvida um disco que os colocou em definitivo na rota do êxito. Músicas que sobressaiam? O disco todo sem a minima duvida, mas claro que "Opium", "Full Moon Madness", "Mephisto"... Foda-se... O disco todo mesmo. Na minha opinião o melhor disco de sempre nesse estilo tão rico como é o gothic, o melhor disco de sempre duma banda de metal nacional. Um disco óbrigatório!!!!

E depois?
Depois... Depois foi controlar o êxito com o profissionalismo que têm demostrado neste ultimos quase que dez anos. As edições sucedem-se, os discos vendem-se, os concertos em Portugal são raros mas êxito garantido, as digressões pelo estrangeiro são fartas e com grandes bandas de apoio e toda a gente sabe, que apesar de os discos serem bons, apesar de ao vivo serem das melhores bandas europeias, apesar de Moonspell ser sinónimo de qualidade, toda a gente sabe que o fulgor se foi... Que toda a sua carreira esta sustentada nessa fabulosa triade do inicio, e caso não fosse isso, caso não existisse o "Wolfheart" e o "Irreligious" (visto que o "Under The Moonspell" é ignorado ao vivo, e apenas recuaram a ele três vezes) os concertos de Moonspell seriam uma perca de tempo com bons elementos cénicos.
Sabem ou não sabem?


Formação:

Fernando Ribeiro voz
Mike Gaspar bateria
Pedro Paixão teclados e guitarra
Ricardo Amorim guitarras
Ares baixo


Discografia:

Anno Satanae demo 1993
Under The Moonspell mini-cd 1993
Wolfheart CD 1994
Irreligious CD 1995
Second Skin single duplo 1996
Sin/Pecado CD 1996
The Butterfly Effect CD 1998
Darkness And Hope CD 2001
The Antidote CD 2003


Site Oficial: Moonspell

Publicado por almahperditae em 07:46 AM | Comentários (579)

Nevermore - Dead Heart...


Como primeiro post, teria que trazer algo aos caros leitores que fosse verdadeiramente espectacular. Algo genuinamente fora de série. Que é, sinceramente, a minha opinião acerca do CD de que venho falar neste primeiro post. Trata-se de "Dead Heart In A Dead World", dos Nevermore. Considerado, entre outras honrarias, o melhor àlbum de 2000 pela revista "Loud", este é um àlbum intenso, poderoso, capaz de despertar emoções escondidas através da audição de uma simples faixa. Atente-se na faixa 10 (Believe In Nothing - Quanto a mim, a melhor faixa do CD); Apesar de não ser um original, a banda de Jeff Loomis faz desta música um verdadeiro hino às baladas metaleiras, levando o ouvinte a um êxtase brutal, conjugado através de uma secção rítmica poderosíssima, aliada a um solo de guitarra que é simplesmente enlouquecedor; um momento deveras intenso. O que se pode expandir, obviamente, a todo o CD. Falando a um nível um pouco mais pessoal, e para vos dar uma ideia do quanto este CD pode, realmente, influenciar uma pessoa; até o ter ouvido pela primeira vez, a minha experiência no Metal resumia-se aos inevitáveis Metallica e a algumas bandas mais conhecidas; depois de ter ouvido Nevermore... A vida nunca mais foi a mesma. E acho que isto diz tudo. =)
Em termos de musicas recomendadas... Sinceramente, todas. Aliás, convém mesmo ouvir o CD na sua totalidade (e, de preferência, todas de seguida) de forma a podermos ter uma experiência mais abrangente.
Estão agora de volta ao activo, com mais um álbum arrasador, de seu nome "Enemies Of Reality". A rever, talvez, numa crítica mais adiante... Mas também recomendadíssimo.
Deixo-vos, então, com a lista das músicas de "Dead Heart In A Dead World", a discografia da banda e o seu "site" oficial.

"Dead Heart In A Dead World" - Nevermore, 2000

1. Narcosynthesis
2. We Disintegrate
3. Inside Four Walls
4. Evolution 169
5. The River Dragon Has Come
6. The Heart Collector
7. Engines of Hate
8. The Sound of Silence
9. Insignificant
10. Believe in Nothing
11. Dead Heart in a Dead World

Discografia
"Nevermore", 1995
"In Memory", 1996
"Politics Of Ecstasy", 1996
"Dreaming Neon Black", 1999
"Dead Heart In A Dead World", 2000
"Enemies Of Reality", 2003

Site oficial AQUI

Publicado por aShBuRn em 03:30 AM | Comentários (2)

janeiro 20, 2004

Toranja - Esquissos

Neste momento possuem um relativo air-play nas rádios nacionais, e penso que apesar de não conseguirem um hype como a uns anos conseguiram os Silence 4, isso não invalida que estejamos na presença de uma das (se não, a) grande promessa do pop-rock nacional. Falo, como já devem ter percebido, dos Toranja.
O seu disco de estreia vem no seguimento de um pequeno êxito, com a sua participação na colectânea Optimus 2001, com o tema ”Fome (nesse sempre)”, um tema bastante forte que já antevia o que se seguiu com o disco de estreia.
”Esquissos” foi o resultado, e pode-se dizer que ultrapassou todas as expectativas. Eu próprio confesso que depois do ”Fome” me desliguei completamente da banda, porque tinha a ideia que seria apenas mais um one hit wonder e não teriam outra musica como a ”Fome”. Mas na ultima semana e tal, uma musica chamou-me a atenção na rádio, e fui sacar essa música e outras da banda, que já ouvia falar a uns tempos, e como a minha memoria já não é o que era, foi ai que vi que esta banda que me fascinava com a sua ”Carta” era a mesma que a dois anos me tinha seduzido com a sua ”Fome”. A audição do seu disco fez-me ver que esta banda não se confina a uma boa musica, e que temos aqui um grande disco.
Com uma claríssima influencia em Jorge Palma, com letras bastante boas, e linhas melódicas suaves e cativantes, esta banda apresenta-nos um pop-rock limpo, linear, mas com uma alma bastante interessante. Para alem da ”Carta”, que apesar da sua métrica horrível, terrível, péssima, mas que talvez por isso mesmo possui um encanto especial, podemos ouvir neste disco outras boas musicas como ”Cenário”, que nos apresenta uma musica com um rock quase musculado, resquícios do pós-grunge, e uma pequena pérola que se chama ”Cada vez mais aqui”, cuja audição nos remete talvez ainda mais para Jorge Palma, apesar de, como é obvio, não conseguir a mesma intensidade ou qualidade que esse grande génio.
No computo geral é um grande disco, que nos vem mostrar que a musica portuguesa esta bem e recomenda-se. Eu vou comprar o original, aconselho a toda a gente fazer o mesmo.

Nota: 8/10

Alinhamento:

01 - Carta
02 - Fogo e noite
03 - Cenário
04 - Já te perdias
05 - Cada vez mais aqui
06 - Casca
07 - Quero-te assim
08 - Adormecido
09 - Dá-me ar
10 - Fim
11 - Por trás do fim
12 - Lados errados

Site:Toranja

Publicado por almahperditae em 06:43 AM | Comentários (763)