Confesso que o meu interesse neste disco era diminuto. Apesar de grande apreciador de blues (ou talvez mesmo por isso) não tinha a menor curiosidade em ouvir a interpretação de algumas das canções do maior ícone do delta blues, por um dos maiores divulgadores e ao mesmo tempo detractores, daquela que é a base musical de toda a música popular do século XX. Mas uma critica do Blitz desta semana fez-me querer ouvir, tal a ferocidade que o Sr. Jorge Mourinha colocou na crítica deste disco, contra Eric Clapton. Simplesmente tinha que ouvir, e verificar se realmente a obra genial do mito tinha mesmo sido tão vilipendiada. Eric Clapton penso que todos conhecem, guitarrista original dos Yardbirds nos anos 60, acabou por sair e seguir uma carreira a solo, porque sentia que cada vez mais se afastava do blues e a musica comercial não o seduzia. Ironia do destino, acabou por se tornar o exemplo mor do blues comercialóide, enquanto os Yardbirds se tornaram a banda de culto do blues-rock, até ao momento em que se reinventaram nos Led Zeppelin. O Mr. Johnson do título deste disco já é uma figura bastante mais obscura. Robert Johnson de seu nome, negro na América sulista nos anos 30, miúdo tímido e fugidio, rufia e vagabundo, morreu demasiado cedo, sem se saber ao certo a idade (talvez 21, dizem uns 27 dizem outros), sem se saber ao certo porque (envenenado por uma mulher dizem), sem se saber ao certo quem na realidade era (fugindo de cidade em cidade, ao sabor dos problemas com as autoridades), deixando apenas e só um pequeno espólio de canções (29 ao todo) sobre mulheres e Satanás, dispersas por vários estúdios nas diferentes cidades por onde passava. Espólio cuidadosamente recolhido por alguém que ao ouvir uma gravação sua ficou perplexo com tal sensibilidade e genialidade, e quis encontrar o tal miúdo que ninguém parecia recordar bem, seguindo o rasto das gravações e dos registos policiais apenas para saber meses mais tarde a notícia da sua morte. Mas as gravações estavam em seu poder, e dai a confirmação da genialidade do tal miúdo foi um pequeno passo, tornando-se a maior lenda do blues, considerado o maior blues-man de todos os tempos, influenciando todas as gerações vindouras com os seus relatos dos seus desamores e do episódio em que encontrou o Diabo num cruzamento a meia-noite e ai vendeu-lhe a sua alma em troca do talento musical.
Este disco é o projecto de uma vida. Desde o dia em que pegou numa guitarra que Eric Clapton sonhava gravar um disco de homenagem ao seu artista favorito. Ao fim de uma carreira de quarenta anos o seu sonho é concretizado. E devo dizer que gostei bastante do disco. Uma mistura de pop com blues é certo, mas ao contrario do que pensei a priori, e ainda mais depois de ler a critica, neste disco existe mais blues que pop, mostrando-nos Clapton o porque de em tempos ter sido considerado o Deus do blues. A guitarra solo está simplesmente perfeita, não entrando tanto como deveria, mas transmitindo toda a alma devida, a voz de Clapton consegue de tempos a tempos transmitir a emoção que estas peças magistrais merecem e nesses momentos todos os meus receios são desfeitos. Mas… os teclados eram perfeitamente supérfluos, algumas introduções simplesmente insultuosas, e as vezes isto consegue destruir toda a génese do original. No geral é um bom disco, e uma homenagem bastante satisfatória a Robert Johnson, mas por vezes não conseguimos deixar de pensar que talvez Clapton conseguisse fazer bastante melhor, visto que em alguns momentos nos é possível verificar que Clapton talvez seja mesmo a única pessoa capaz de se aproximar do original. Mas infelizmente essa oportunidade perdeu-se a perto de trinta anos, e hoje em dia ele já não é capaz de manter constantes os níveis de excelência que se verificam aqui neste disco. Ficamo-nos por um resquício de uma genialidade a muito perdida, e a certeza que o trono de Robert Johnson não poderá ser reclamado por ninguém.
Nota: 7/10
Alinhamento:
1. When You Got A Good Friend
2. Little Queen Of Spades
3. They're Red Hot
4. Me And The Devil Blues
5. Traveling Riverside Blues
6. Last Fair Deal Gone Down
7. Stop Breakin' Down Blues
8. Milkcow's Calf Blues
9. Kind Hearted Woman Blues
10. Come On In My Kitchen
11. If I Had Possession Over Judgement Day
12. Love In Vain
13. 32-20 Blues
14. Hell Hound On My Trail
Sites: Eric Clapton ; Robert Johnson
E porque um dos objectivos deste blog é divulgar bandas portuguesas e porque em Portugal também existe música de qualidade, trazemos desta vez os Heavenwood. Lançado em 1998 pela Massacre Records, Swallow é um dos melhores albuns na vertente Gothic Metal lançado por uma banda lusitana. Com uma guitarra vibrante, uma bateria com um ritmo marcante, uma voz bastante agradável, um som de baixo que se encaixa perfeitamente e teclados que lhe dão um toque especial, Swallow é um album muito bem conseguido. Com uma forte influência Heavy Metal, os Heavenwood não obedecem ao que se poderia chamar som "normal" no Gothic Metal. Este é um album que facilmente se poderia infiltrar no mainstream musical e efectivamente fê-lo com algum sucesso, infelizmente maior no estrangeiro do que em Portugal. Sendo o album muito bom no seu todo, destacam-se as músicas "Heartquake", "Rain Of July", "Suicide Letters" e "Season '98". Enriquecendo ainda mais a sonoridade, este albúm conta com a participação de Kai Hansen (Gamma Ray) na música "Luna" e Liv Kristine (Ex - Theatre Of Tragedy, Leaves' Eyes) na musica "Downcast". Também Alexander Krull (vocalista de Atrocity) assina a conceptualização da capa do CD. Após o lançamento deste album a banda esteve em Tour com Atrocity e Theatre Of Tragedy, bandas com um nome de peso dentro do meio em que se inserem. Mais tarde a banda esteve parada vários anos devido a problemas com o seu manager e muito recentemente voltou ao trabalho já com um novo manager e encontra-se neste momento em estúdio em gravações. A ver vamos se continuam em boa forma. A banda tem efectuado alguns concertos ao vivo nos ultimos meses tocando já material novo e os comentários acerca desses mesmos concertos não têm sido nada animadores.
Nota: 9/10
Heavenwood - Swallow
tracklist:
01 - Heartquake
02 - Soulsister
03 - Rain Of July
04 - Suicide Letters
05 - Shadowflower
06 - Luna
07 - Season '98
08 - At Once And Forever
09 - Downcast
Site Oficial: www.heavenwood.web.pt
Este é o alinhamento confirmado para o Steel Warriors Rebellion Barroselas Metalfest VII a realizar de 16 a 18 de Abril em Barroselas.
AKERCOCKE
MACHETAZO
ZUBROWSKA
DEMONIZER
VORKREIST
GOLDENPYRE
NECROSE
THERIOMORPHIC
MORTE INCANDESCENTE
DEITY OF CARNIFICATION
BERSERK
HATE CAMPAIGN
DIE IN VAIN
TEASANNA SATANNA
NEPHTYS
COMME RESTUS
NEGURA BUNGET
FERMENTO
BLEEDING DISPLAY
HUMANART
GROG
VIINGRID
ECZEMA
DEAD INFECTION
MYDGARD
De notar que a edição deste ano conta com mais bandas portuguesas que nas edições anteriores. De destacar a participação das bandas Akercocke, Negura Bunget e os portugueses Viingrid, Nepthys e Teasanna Satanna. O Cartaz está disponível aqui.
Para mais informações consulte o site oficial.
Depois de em 2001 surpreenderem o mundo a lançarem o "A Garage Dayz Nite", os Beatallica estão de volta desta vez com um disco de nome homónimo - Beatallica! Mais uma vez estes 2 rapazes que preferem manter o anonimato por razões óbvias (copyright) trazem algo engraçado ao mundo do metal e que vale a pena dar 2 ouvidinhos de música. A banda continua a misturar as letras de Beatles com o som dos Metallica e vice-versa, dando origem a um som bastante agradável e que no mínimo deve ser ouvido nem que seja por curiosidade. Não sendo este novo disco de Beatallica tão bom como o primeiro, é no entanto bem melhor que o St. Anger dos Metallica. Como bónus, tanto o primeiro disco da banda como o novo de Beatallica estão disponíveis para download no site oficial da "banda".
Nota: 6/10
Beatallica - Beatallica
tracklist:
1 - Blackened the USSR
2 - Sandman
3 - And I'm Evil
4 - Got to Get You Trapped Under Ice
5 - Leper Madonna
6 - Hey Dude
7 - I Want To Choke Your Band
8 - We Can Hit The Lightz
Site Oficial: www.beatallica.com

Cá estou eu de novo, depois de um interregno de sensivelmente um mês sem escrever nada aqui nem na origem. Estou, no entanto, de volta. E com uma review acerca de uma banda que descobri recentemente. Brutal Truth têm um nome a condizer, pelo menos a primeira parte. Não há, de facto, melhor palavra para os descrever do que "Brutal". Hoje, trago-vos a review do disco "Sounds of The Animal Kingdom". Basta ouvir a voz de Sharp para perceberem o nome do disco. No entanto, já vi pior. A voz encaixa-se perfeitamente no tecnicismo e velocidade do guitarrista Lilker, enquanto a potente bateria de Hoak debita solos de bombo em catadupa. Muito ao estilo de uns Anthrax ou Nuclear Assault, presenteiam-nos com 22 faixas de puro Grindcore, assente nas influências de bandas míticas como Napalm Death ou Carcass. Criticam tudo e todos; desde políticos à Igreja, passando pelo sexo ou exageros da indústria. Muito aconselhável para quem precisa de exorcizar a raiva através de violentas cabeçadas na parede (efeito garantido). Pouco aconselhável, no entanto, a pessoas com mentalidades ou corações frágeis. No entanto, nem tudo são rosas; há a apontar a duração das musicas. Exceptuando a última, que dura 21 minutos, nenhuma passa dos 4 e algumas chegam ao ridículo de atingir a espantosa marca de... 11 segundos. No entanto, não é a quantidade que está em causa e, sim, a qualidade. E essa, está garantida.
Nota: 8/10
Playlist:
1. Dementia
2. K.A.P. (Kill All Politicians)
3. Vision
4. Fucktoy
5. Jemenez Cricket
6. Soft Mind
7. Average People (Fiend)
8. Blue World
9. Callous
10. Fisting
11. Die Laughing
12. Dead Smart
13. Sympathy Kiss
14. Pork Farm
15. Promise
16. Foolish Bastard
17. Postulate Then Liberate
18. It's After The End Of The World (Original dos Sun-Ra)
19. Machine Parts
20. 4:20
21. Unbaptized
22. Prey
Site Oficial:
http://www.brutaltruth.com/brutal_truth/
Depois do cancelamento do concerto dos Guns 'N Roses agendado para dia 30 Maio no Rock in Rio-Lisbon, foi divulgada hoje a banda escolhida para substituir tão pesada perda para o cartaz. Os Foo Fighters de Dave Grohl irão actuar no parque da Bela Vista no dia 30 Maio tendo a pesada tarefa de substituir uma das melhores bandas rock de sempre no seu regresso ao nosso pais 12 anos depois da sua unica e singular presença em terras lusas.
Depois de 8 anos gravar nenhum album novo eis que esta banda israelita volta agora com uma verdeira obra prima. E não, não é exagero! Com um som refrescante e extremamente viciante, este albúm é um sério candidato a melhor album de Metal Progressivo do ano. Misturando elementos etnicos com metal progressivo esta banda consegue com este album um resultado surpreendente e que coloca à sombra muitas bandas famosas e reconhecidas dentro deste genero musical. O vocalista Kobi Farhi utiliza voz grossa tão facilmente como uma voz limpa tornando a nivel vocal o album muito versátil e ainda para complementar isso em alguns momentos é ajudado por coros. Instrumentalmente o album é também muito completo, para além dos instrumentos musicais mais comuns tal como guitarra, baixo, bateria, teclados, etc, a banda utiliza também violinos, vioncelos e vários instrumentos de origem popular árabe. Todos estes elementos misturados fazem com que este album seja sem dúvida alguma memorável para todos os fans de metal progressivo. São 68 minutos de prazer auditivo que narram uma história que podem compreender ao lerem a letra das músicas. As letras estão na sua grande maioria escritas e cantadas em inglês, no entanto existem também partes faladas em arabe, yemem, latin e até mesmo uma linguagem rudimentar inventada pela própria banda. As músicas que mais se destacam são "Halo Dies (The Wrath Of God)", "Nora El Nora (Entering The Ark)" e "Mabool (The Flood)".
O album saiu no passado dia 23 de Fevereiro e está a causar sensação no mundo do metal tendo uma receptividade bastante alta que certamente se reflectirá nas vendas. Existe também uma edição limitada deste album que inclui um CD de bónus com versões acusticas de material previamente gravado.
Orphaned Land é mais que uma simples banda, é uma experiência.
Nota: 10/10
Orphaned Land - Mabool: The Story Of The Three Sons Of Seven
tracklist:
01 - Birth Of The Three (The Unification)
02 - Ocean Land (The Revelation)
03 - The Kiss Of Babylon (The Sins)
04 - A'salk
05 - Halo Dies (The Wrath Of God)
06 - A Call To Awake (The Quest)
07 - Building the Ark
08 - Nora El Nora (Entering The Ark)
09 - The Calm Before The Flood [Instrumental]
10 - Mabool (The Flood)
11 - The Storm Still Rages Inside
12 - Rainbow (The Resurrection) [Instrumental]
Bonus Disc
tracklist:
01 - The Evil Urge [Originally featured on the album "El Norra Alila"]
02 - A Never Ending Way [Originally featured on the album "El Norra Alila"]
03 - Mercy [Paradise Lost cover-version]
04 - The Beloved's Cry [Originally featured on the album "Sahara"]
05 - The Orphaned's Medley [Featuring "My Requiem" (Sahara), "Seasons Unite" (Sahara), "Of Temptation Born" (El Norra Alila), "Orphaned Land, The Storm Still Rages Inside" (Sahara), "Like Fire To Water" (El Norra Alila), "Flawless Belief" (El Norra Alila) and "Joy" (El Norra Alila)]
Site Oficial: www.orphaned-land.com

Estamos a ser lidos! E algo que me surpreende bastante é que as reviews mais comentadas de bandas nacionais, Ramp e Toranja, o que é um bom indício de que o público gostam de ouvir bandas nacionais.