Os Xutos & Pontapés regressam mais uma vez com um novo albúm, desta vez com o nome de "O Mundo Ao Contrário". Um albúm sólido e consistente que traz a todos os fans da banda 10 novas músicas de qualidade. O registo vocal de Tim continua em grande forma e isto é mais visível neste disco do que nos que os antecederam porque existe nele um grande número de músicas mais calmas, que projectam a atenção do ouvinte mais para a voz do que para a música propriamente dita. No entanto nem todo o disco é assim. Logo no início podemos disfrutar da guitarra de João Cabeleira nas músicas "Desejo", "Pequeno Pormenor" e na já famosa "Ai Se Ele Cai" que cai facilmente no ouvido com o som hipnotizante da guitarra, e que foi uma escolha acertada para dar a conhecer este albúm ao público. Este som mais maduro dos Xutos, menos apoiado nas guitarras e fazendo da música um "todo" faz-nos também virar a atenção para as letras das músicas que neste album estão muito bem conseguidas, como se pode ver na música "O Mundo Ao Contrário" que dá o nome ao disco. O saxofone de Gui volta a integrar-se no som da banda fazendo-se notar em faixas como "Zona Limite". Os únicos "downsides" deste album é talvez o facto de a banda estar mais "madura" ser uma faca de 2 gumes, pois muitos dos fans da banda estariam à espera de um registo mais agressivo e acelerado como os Xutos há muito que nos habituaram, e também a pouca duração do disco que não atinge sequer a marca dos 40 minutos. No entanto este 17ª registo discográfico da banda e que assinala os 25 anos de carreira não vai decerto passar despercebido entre os muitos fans que esta conseguiu cativar ao longo dos anos.
Nota: 8/10
Xutos & Pontapés - O Mundo Ao Contrário
tracklist:
01 - Desejo
02 - Diz-me
03 - Ai se Ele Cai
04 - Pequeno Pormenor
05 - Zona Limite
06 - Fim de semana
07 - Gota a Gota
08 - Teimosia
09 - O Mundo ao Contrário
10 - Sombra Colorida
Site Oficial: www.xutos.pt
Recuando mais uma vez alguns anos, venho desta vez falar-vos de um disco que salvou uma carreira de uma banda que estava a beira do fim. Oriundos de Braga, cidade demasiado fechada e interior de um pais que não dá lugar a criatividade e a estranheza, a carreira dos Mão Morta estava num impasse, quando um programa de televisão mostrou ao pais uma canção estranha, mas incrivelmente melódica e catchy. O êxito foi estrondoso, e o disco demonstrou ser um dos mais bem conseguidos de uma banda impar no panorama musical nacional e internacional.
Mutantes S.21 foi editado em 1992, tendo como ideia base, ser uma descrição de diferentes cidades europeias através dos seus crimes mais comuns, mas como essa ideia era um pouco difícil de levar a cabo (afinal o que é um crime característico de uma cidade?), o resultado acabou por ser um mergulho no sub-mundo de cada uma dessas cidades. Lisboa, Berlim, Amesterdão, Paris, Barcelona… São estes os títulos das músicas – cidades. E liricamente o resultado não pode nunca ser considerado abaixo de genial, porque o que Adolfo Luxúria Canibal nos dá é uma viagem claustrofóbica aos extremos da sociedade, as franjas que ninguém quer ver: prostitutas, toxicodependentes, assassinos… Uma galeria de decadência, de personagens perdidas numa sociedade opressora e irreal, de sonhos desfeitos, de desespero latente, de vazio emocional. Poesia pura capaz de enlevar e fascinar qualquer um, um dos poucos casos em que letras são mais que meras palavras cantadas, em que se pode ler as letras como se de poesia pura se trata-se, com historias capazes de nos arrepiar, incrivelmente reais e cruas.
Musicalmente…É Mão Morta no seu estado mais puro. Rock n’ roll sujo, com laivos punk incrivelmente melódicos, com a curiosidade (genialidade) de cada faixa ter uma aura, um feeling que nos remete imediatamente para a cidade que o inspirou. De world music, ao rock característico do que se ouvia nessa altura nessa cidade, o ambiente criado pelos músicos é duma viagem sonora perfeita e hipnótica ao sub-mundo de cada cidade retratada. Músicas fortes são mais que muitas, visto este ser provavelmente o disco com mais clássicos "mão-mortianos": Berlim, Lisboa, Barcelona destacam-se pelo seu poder hipnótico de "punk n’ roll", e claro… Budapeste, a música maldita dos Mão Morta. A música que lhes salvou a carreira, mas que lhes criou o estigma de ficarem colados a uma musica orelhuda, estigma esse prontamente resolvido pela banda, abandonando imediatamente a música, nunca mais a tocando, renegando-a por completo, para não ficarem presos a esse clássico do rock nacional (toda a gente conhece esta música, toda a gente identifica imediatamente a sua melodia). Mas mesmo renegada, mesmo sendo um acaso, esta é sem a mínima duvida uma grande canção, um grande momento de rock, com a sua melodia catchy e o seu devaneio sonoro claramente inspirado em Velvet Underground. E o resto do disco consegue transpor esta pérola maldita…
No geral o que aqui temos é um disco genial de rock. Um mergulho clautrofóbico, uma viagem impar pela Europa desconhecida, sempre com um sentido melódico e ritmo fascinante e sedutor. Quem conhece este disco, quem conhece esta banda, quem mergulha neste universo de caos e decadência, não pode nunca deixar de soltar um sorriso quando se diz que a grande banda rock nacional são os Xutos e Pontapés. Sem o mínimo desprimor para os grandes Xutos.
Nota: 10/10
Alinhamento:
01 Lisboa (Por Entre as Sombras e o Lixo)
02 Amesterdão (Have Big Fun)
03 Budapeste (Sempre a Rock & Rollar)
04 Barcelona (Encontrei-a na Plaza Real)
05 Marraquexe (Pç. das Moscas Mortas)
06 Berlim (Morreu a Nove)
07 Paris (Amour A Mort)
08 Istambul (Um Grito)
09 Shambalah (O Reino da Luz)
Site Oficial: Mão Morta
Foi a 16 anos. Dois amigos guitarristas juntaram-se para formar uma banda, meteram um anúncio num jornal para encontrar outros membros, e respondeu a esse anúncio Kim Deal, baixista, trazendo consigo um amigo para tocar bateria. Estavam formados os Pixies. Tiveram um percurso normal de uma banda sem grandes motivações de sucesso, alguns discos, um êxito mais abrangente através da MTV num único tema, algumas digressões pelo território americano e pela Europa, mas uma banda de rock alternativo tão invulgar como os Pixies eram estavam condenados ao culto por parte apenas de alguns, e mesmo que os seus últimos discos até tivessem sucessos relativos, no inicio do Verão de 1991, fruto de desavenças entre o mentor, guitarrista e vocalista Francis Black, e a baixista Kim Deal, Francis bateu com a porta através dum bilhete para o manager da banda, e os Pixies cessaram funções terminando assim uma carreira curta mas significativa, mesmo que para apenas alguns.
Mas a semente estava lançada, e poucos meses depois do termino da sua actividade, uma banda inspirada no som que eles ajudaram a definir rebentou no mainstream, arrastando atrás de si uma revolução sem precedentes no universo musical, levando a que toda uma geração acabasse por descobrir a obra seminal desta magistrosa banda, levando a que os seus membros mais destacados conseguissem contratos milionários com as principais editoras, mesmo que tenham renegado a eles posteriormente (é conhecido o caso insólito de Francis Black que rescindiu contrato unilateralmente com a Sony pelo simples facto que a editora lhe pediu insistentemente para regravar um disco seu com melhores condições), fazendo com que o mito Pixies crescesse através dos anos, culminando com o seu retorno já este ano para uma digressão mundial que passou no fim de semana passado por Lisboa. Na audição do seu espólio, um disco se destaca, curiosamente o primeiro, o mais estranho, sujo, genial e melódico disco da sua carreira, provavelmente até o mais genial disco de indie rock de sempre – Surfer Rosa.
Produzido por Steve Albini (produtor anos mais tarde recrutado pelos Nirvana na tentativa de obter o som dos Pixies no seu disco In Útero) o disco vem acompanhado da demo Come on Pilgrim, resultando em 21 temas do melhor que o rock independente americano alguma vez produziu. Na audição deste disco várias emoções se cruzam, numa estranha amálgama de estilos incrivelmente melódicos, incrivelmente geniais. Temas clássicos, melodias contagiantes, ritmos ora frenéticos ora calmos e belos, uma mistura como nunca se viu na historia da musica de todos os géneros musicais, do blues ao rock puro, do punk ao surf, da folk ao goth-rock, guitarras distorcidas, gritantes, alternadas com um baixo melódico, gritos raivosos e dementes alternando com vozes limpas e melódicas quer de Francis Black quer de Kim Deal, psicadelismo envolvente, raiva pungente, musica depressiva com laivos de alegria contagiante, ritmos festivos com melodias deprimentes e tristes, beleza contagiante de guitarras acústicas rasgada por guitarras sujas… É impossível dizer o que Surfer Rosa é. É um som único e inimitável, é o melhor de todos os estilos musicais alguma vez criados, tudo ao mesmo tempo, é uma sensação de estranheza que o atravessa, é um vicio auditivo, uma amalgama de sensações e emoções impossíveis de descrever, este é um disco obrigatório para qualquer amante de musica seja de que estilo for. Esta é a obra-prima do indie rock, o disco que Kurt Cobain sempre quis fazer e nunca conseguiu. Existem sem a mínima duvida discos melhores que este… Mas não muitos.
Nota: 10/10
Alinhamento:
1. Bone Machine
2. Break My Body
3. Something Against You
4. Broken Face
5. Gigantic
6. River Euphrates
7. Where Is My Mind?
8. Cactus
9. Tony's Theme
10. Oh My Golly!
11. Vamos
12. I'm Amazed
13. Brick Is Red
14. Caribou
15. Vamos
16. Isla De Encanta
17. Ed Is Dead
18. The Holiday Song
19. Nimrod's Son
20. I've Been Tired
21. Levitate Me
Site: Pixies
Um disco mal-amado. A ideia que tenho é que com a excepção de Reinventing The Steel este é o disco mais mal amado pelos fãs de Pantera. Ser ou não pior que os anteriores é uma questão bastante discutível, agora, que este não é de perto nem de longe um mau disco, isso não de certeza. Antes pelo contrário.
O que temos aqui era provavelmente material para dois excelentes EP's: Um com músicas mais fortes, de um thrash musculado, por vezes psicótico, sempre raivoso; e outro com músicas mais calmas, melódicas, intimistas até. Desse modo resolvia-se o problema deste disco, o som demasiado disperso, indo do extremo intimista de Suicide Note pt#1 para o extremo raivoso e demencial de Suicide Note pt#2, a transposição de uma faixa para a outra é feita de um modo rápido, e bastante competente, mas quando se ouve o disco num todo, existe sempre a sensação que o disco está dividido em dois mundos. Este é o defeito, o não ser um disco coerente, mas o que importa no fundo são as músicas certo? Certo.
E o que temos aqui é Pantera no seu melhor. Cada trecho individual é uma peça unica de genialidade lirica e musical, com os membros da banda a demonstrarem o porque de serem dos melhores musicos mundiais, seja no groove que empregam nas músicas pesadas, seja na sensibilidade nas peças mais calmas. Sempre com um sentido ritmico como poucas (ou nenhuma) banda consegue ter, com melodias capazes de nos fazer balançar a cabeça em head-bangings violentos, quer em nos fazer voar dentro de nós pairando na bela voz de Phil cantando sobre suicidio, ou sobre os problemas de droga que já vivia nessa altura. Ou então letras de uma raiva violentissima, atacando (pasme-se) os fãs, criticando-os por serem ovelhas no rebanho em que são pastores, criticando a juventude acéfala que segue as modas, desfazendo em versos cheios de significado e realismo, duma coragem quase inédita, toda uma horde de fanáticos e de admiradores do som de que são (ou foram) porta-estandartes. Estes os extremos em que o disco flutua, cada um deles de uma sinceridade, poesia, genialidade desconcertantes. Se querem um disco com grandes músicas este é um disco a ouvir. Se querem discos mais conceptuais, ou pelo menos menos divergentes talvez não seja o vosso disco. Mas pelo menos as músicas, essas terão sempre lugar nas minhas preferências, quer seja quando me sinto mais em baixo e quero músicas calmas, quer seja quando me sinto mais leve e quero som capaz de me fazer mexer. Depois deste disco a banda desmoronou-se, editando apenas um disco já bastante fraco e culminando com a separação da banda o ano passado. Este é o canto de cisne de uma das bandas que mais deu ao metal, um dos grandes nomes (se não o maior) do Metal.
Nota: 8/10
Alinhamento :
1. The Great Southern Trendkill
2. War Nerve
3. Drag the Waters
4. 10's
5. 13 Steps to Nowhere
6. Suicide Note, Pt. 1
7. Suicide Note, Pt. 2
8. Living Through Me (Hell's Wrath)
9. Floods
10. The Underground in America
11. Sandblasted Skin (Reprise)
Formação :
Phil Anselmo voz
Dimebag Darrel guitarras
T-Rex Brown baixo
Vinnie Paul bateria
Site Oficial : Pantera