dezembro 24, 2005

Rob Halford - Ressurection

Este é o primeiro disco a solo do auto-proclamado “Deus do Metal”. O epíteto pode parecer algo presunçoso, mas ao ouvirmos este disco nem é preciso conhecer a história por detrás de tal personagem para saber que mais que um egocentrismo exacerbado, tal designação é por demais justa e evidente.
Por muitos considerado o melhor vocalista de metal de sempre, por muitos mais um dos maiores cantores de sempre, a voz de Rob Halford é única, talvez até não muito fácil de aceitar no início. Afinal os seus falsetes chegam a atingir notas muito para alem dos limites aceitáveis para um vocalista de metal, por mais poder que a sua voz encerre, o certo é que não é fácil ouvir Rob Halford, estranhando-se muito no inicio. Mas como quase tudo na vida… primeiro estranha-se, depois entranha-se.
Membro de uma das bandas fundadoras da história do metal (excluindo, como é evidente, a pré-história do metal), Rob Halford, mais que o vocalista e front-man dos Judas Priest encarnou durante muitos anos a personagem do “verdadeiro” heavy-metal: cabedal preto; pose de feio, porco e mau; a força da natureza que se impunha frente a uma parede maciça de guitarras ensandecidas, baterias desvairadas e baixos poderosos. Mais que os compatriotas e contemporâneos Iron Maiden, os Judas Priest encarnavam o lado negro e sujo do heavy-metal, feito de testosterona, sangue, raiva, motas e violência. Era já nessa altura o verdadeiro “Metal God”. Também muito por isso (ou talvez mesmo só por isso) a confissão da sua homossexualidade foi um dos maiores tremores de terra que o metal teve em toda a sua história. Ao fim de uma longa carreira que deixou marcas para além do tempo, Rob Halford decide abandonar a sua banda de sempre, sendo este disco a sua primeira incursão a solo.
O que temos entre mãos é muito provavelmente o melhor disco de heavy-metal de sempre, o melhor disco de sempre do metal “clássico”. O disco que os Judas Priest nunca fizeram… e deviam.
Abrindo com o tema homónimo do disco, as cartas são imediatamente postas na mesa. O que aqui temos é uma descarga de riffs brutal, indo buscar influências á génese do metal: o punk e o blues, sempre com a voz única de Halford em primeiro plano, sempre com uma produção que tem tanto de simples como de imediata e sublime, sempre apoiada numa base sonora em que a única saída para o ouvinte é a pulsão ardente dos sentidos, é o êxtase auditivo, é a constatação que este senhor é verdadeiramente o único, o verdadeiro… Deus do Metal.
Ao longo destas 12 canções, o head-banging é obrigatório, o nosso corpo e a nossa mente são completamente dilacerados pela grandiosidade destas doze faixas, pela magnitude do poder que cada riff encerra, pela viagem alucinante que a voz de Halford consegue imprimir, levando-nos do mais fundo e negro dos Infernos ao mais puro e esotérico Paraíso. Afinal… este é o Deus do Metal.
Sendo um disco de canções, sendo um disco acima de tudo de voz e riffs, a escolha de músicas a sobressair talvez fosse difícil de fazer. Mas no conjunto destas 12 canções, em que a genialidade está patente em cada segundo de som que brota das colunas, a escolha até acaba por ser por demais evidente. Porque este disco encerra em si duas pequenas faixas (ou nem tão pequenas quanto isso) que superam tudo o que é aceite enquanto qualidade musical. Seja em que estilo ou sub-estilo musical for… “Ressurection” e “Silent Scream”. A primeira abrindo o disco, deixando claro o que encontrar no resto do disco: voz sublime, poder rítmico, guitarras demolidoras. Mas com uma superioridade, com uma grandiosidade tal, que claramente consegue superar muito alem das meras premissas em que acenta. A segunda… sem grandes exageros uma das melhores musicas de todos os tempos. Levando a um extremo, no mínimo envolvente e brutal, a famosa técnica dos Led Zeppelin de “light and shade”, ou seja, a luz e as sombras, ou seja… o contraste perfeito entre a beleza e a força, imprimindo desse modo uma maior eloquência a cada um dos segmentos. O que aqui temos é um lamento dorido, lírico e sentimental, descambando na justificação de Satanás perante o porque de a Vida ser como é. Palavras não conseguem descrever a beleza de que esta música está impregnada, palavras não conseguem descrever minimamente o que esta música consegue criar no imaginário do ouvinte…
Deus do Metal… quem tiver dúvidas que ouça.

Nota: 10/10

Alinhamento:
1. Resurrection
2. Made In Hell
3. Locked And Loaded
4. Night Fall
5. Silent Screams
6. The One You Love To Hate
7. Cyber World
8. Slow Down
9. Twist
10. Temptation
11. Drive
12. Saviour

Site Oficial:Rob Halford

Publicado por almahperditae em 12:32 AM | Comentários (165)