agosto 27, 2007

Jorge Palma - Voo Nocturno

Quanto vale um disco de originais de Jorge Palma? Honestamente... Pouco ou nada. Jorge Palma é um artista de canções, canções essas compiladas ao longo dos anos, canções que nos foram tocando através dos anos e escolher um único disco de originais é uma tarefa impossível, e provavelmente este é um artista que poderia muito bem fazer a sua carreira única e exclusivamente na Internet, de certeza que o boca a boca e a partilha faria muito mais por ele do que a industria discográfica e o ritual de editar discos de originais num ritmo relativamente constante. E talvez seja bom recordar que durante duas décadas Jorge Palma não editou nenhum disco de originais, e foi nesse preciso espaço de tempo que através dos concertos, através do boca a boca, uma geração inteira de portugueses descobriu esse génio imenso que a industria pura e simplesmente deixou ao abandono, não conseguindo dar-lhe o valor que ele merecia. Mas Jorge Palma sobreviveu, e armado única e exclusivamente do seu talento imenso ocupou o seu lugar na musica portuguesa como um dos grandes nomes da musica portuguesa, como um dos grandes compositores nacionais de sempre, com o estatuto que melhor lhe assenta, o do poeta maldito, o do artista de culto, marginal e solitário.
Mas voltando à pergunta inicial: quanto vale um disco de Jorge Palma? Ou sendo mais especifico, quanto vale este Voo Nocturno? Pois deixem-me ser sincero, pouco ou nada. Pouco para todos os fãs de Jorge Palma, nada para todos os outros. Todos os “palmaniacos” decerto já o compraram, pelo simples facto de que é um novo disco de Jorge Palma, todos os outros não compraram, nem irão comprar. Jorge Palma é bastante mais que a edição de discos, e com a excepção dessa genial espécie de compilação que é o “Só”, todos os outros são discos pura e simplesmente supérfulos individualmente. Ou se têm todos os discos de Jorge Palma ou não se tem nenhum, tão simples quanto isso. Porque a sua genialidade, o seu imenso valor é a sua carreira no seu todo, são as canções que nos acompanham através dos anos, é o ritual de um concerto com o mito, bêbado ou sóbrio, tocando bem ou mal, caindo do palco ou dando um concerto magistral, não importa. Jorge Palma é a musica na sua máxima pureza e podridão, Jorge Palma é vida e sangue, lágrimas e sorrisos, é as frases que nos tocam no mais fundo da alma, as frases que nos acompanham através dos anos.
Mas então, o que nos dá este disco de novo? Pessoalmente, e qualquer análise a Jorge Palma é sempre pessoal, este disco dá-me assim de repente três canções novas para adicionar ás minhas favoritas do mito, a saber: Encosta-te A Mim; Olá (Cá Estamos Nós Outra Vez) e Gaivota Dos Alteirinhos. E como tal, quero focar-me por aí principalmente.
À uns meses atrás (sinceramente não me lembro exactamente do dia nem do mês) tive novamente o privilégio de assistir a um concerto do mito, concerto magistral por sinal, mas que honestamente não começou da melhor maneira, Jorge Palma estava visivelmente embriagado e nas primeiras músicas ainda sem aquecimento (chegou atrasado, e quem acha que os aquecimentos são exclusivos do desporto está enganado) a coisa não correu da melhor maneira, eu confesso que achei que pela primeira vez ia assistir a um daqueles concertos míticos em que o génio não acerta uma e eventualmente o concerto acaba quando o mito desaba do palco com todo o peso da sua grandiosidade artística. Mas lá para a terceira música, já com os dedos e a voz mais coordenados, as notas começaram a obedecer e Jorge Palma anunciou uma das musicas novas. Foi a primeira vez que ouvi esta Encosta-te A Mim. Na altura a minha mente divagou, completamente enebriado pela beleza dessa canção, cada palavras que o mito atirava para o microfone era imediatamente assimilada por mim e tive um daqueles raros momentos em que tudo faz sentido, tudo encaixa, como se adivinhasse o que vinha a seguir mas o que vinha era sempre mais perfeito do que eu poderia imaginar, e desde esse momento, não sei bem porque, essa musica tornou-se imediatamente parte da minha relação com a música do Jorge Palma, Quando fui à livraria onde costumo ir, e a simpática dona me falou do novo disco do Jorge Palma eu nem sabia que o disco tinha sido editado, mas olhei para a contra capa e ao ver o nome da primeira música imediatamente disse que esta era uma das melhores músicas jamais escritas por Jorge Palma e ao chegar a casa ouvi e reouvi vezes sem conta esta faixa, recriando mentalmente o que senti ao ouvir pela primeira vez a canção. Talvez com o tempo esta se torne uma daquelas canções que nos enfeitiçam à primeira audição mas que com o tempo se gastam até se tornarem apenas uma melodia engraçada, não sei, é provável, mas qualquer coisa me diz que talvez esta música é uma daquelas raras canções que nos pegam pelas vísceras à primeira audição e nunca mais nos largam enquanto o nosso coração não parar de bombar sangue para o cérebro. Não sei de que tipo é esta canção, só o tempo o dirá, mas agora sei que rapidamente esta canção passou para o primeiro lugar no top das mais ouvidas no Winamp do meu computador, descontando claro o que já rodou na sua versão original, enquanto não decido poupar o original e deposita-lo na sua respectiva prateleira.
Outra canção que me agarrou à primeira audição (ou segunda se calhar... Nesse tal concerto é provavél que esta tenha sido uma das introduzidas mas não me recordo.) foi a magistral Olá (Cá Estamos Nós Outra Vez), e sendo uma análise bastante pessoal tenho que confessar aqui um pequeno pormenor. Ao ouvir a música pela primeira vez, fiquei imediatamente hipnotizado pela cadencia repetitiva da canção, num crescendo de intensidade que me deixou imediatamente espectante pelo final, pela explosão prometida. Ora, sendo eu, à quase uma década, consumidor assíduo de Metal, confesso que a musica me pedia um grito intenso e uma explosão de guitarra com uma distorção ultra pesada, mas como é óbvio, isso não se coaduna com a cultura musical de Jorge Palma, e confesso que estava preparado para ficar desiludido com o resultado final, com a explosão prometida a ficar aquém daquilo a que estou habituado a ouvir. Mas... Um génio é um génio, e saber o que se faz e como se faz, faz toda a diferença. E se ainda não foi desta que Jorge Palma enveredou pelo caminho do metal, pelo menos voltou a trilhar o caminho do rock, algo que não lhe é estranho, e além de ganhar mais uma excelente canção para a sua colecção voltou a provar aquela velha máxima de que o original é sempre melhor que a imitação, sem o mínimo desprimor (antes pelo contrário) para os Toranja.
Gaivota dos Alteirinhos tem um travo a por do sol, olhando o Tejo numa qualquer esplanada com o vento dolente a enfeitar a paisagem em redor, na doce dolencia de estar apaixonado e o mundo parecer belo... E Jorge Palma conseguiu criar um som perfeito para esse ambiente! É impossivel meter por palavras a beleza desta melodia, o encantamento do arranjo... Para ouvir, de preferência no ambiente descrito acompanhado de uma boa bebida fresca num qualquer dia de calor...
Para terminar, uma pequena duvida. Apesar de fã incondicional, e como tal o meu julgamento é sempre subjectivo, ao ouvir este disco uma duvida assaltou-me repetidas vezes. É certo que Jorge Palma é um músico magistral, e como tal todo o disco tem letras fantasticas, canções apenas ao alcance de alguns (poucos) artistas, e Jorge Palma tem o talento de vestir as suas canções com uma qualidade musical de que poucos autores se podem orgulhar. Mas... por vezes uma dúvida se instalava, é impressão minha ou a voz de Jorge Palma por vezes fica aquém do que ele já foi capaz? Sem a mínima importância para o resultado final, um disco que se ouve com um deleite raro neste país à beira-mar plantado, por um artista que apesar de nos últimos anos ter tomado para si parte do valor merecido, infelizmente Jorge Palma continua a ser um artista que só receberá o reconhecimento merecido após a morte... O maior génio da música pop nacional de sempre? Não sei se será... Mas pessoalmente, no pódio dos três grandes mestres nacionais, Jorge Palma é apesar de tudo aquele que mais me toca na alma, e se José Cid será um nome que sempre fará parte da história da música nacional, se Rui Veloso é o compositor que mais clássicos tem na música nacional, Jorge Palma talvez seja aquele cuja música é mais visceral, mais verdadeira, e se mais nada consigo dizer é porque este é um dos artistas que à mais tempo me acompanha na minha vida, e falar de Jorge Palma é como falar da minha vida... E talvez esse seja o defeito desde disco, ainda está demasiado fresco, ainda não faz parte da nossa memória pessoal, ainda não aprendemos a tocar ou cantar nenhuma música para a dedicar a alguém especial, ainda não houve tempo para estar a ouvir uma qualquer música com os olhos salgados e o coração desfeito por alguma razão. E isso é o maior elogio que lhe posso fazer, Jorge Palma está demasiado dentro de mim, e este disco é apenas mais um disco do mito. Mesmo assim... Mais um. Mais um que espera o seu lugar na minha memória. Mais um apenas... Mas que raio, mais um do Jorge Palma vale mais que tantas obras-primas de tantos artistas...


Nota: 8/10

Alinhamento:
1. Encosta-te a Mim
2. Voo Nocturno
3. Rosa Branca
4. O Centro Comercia fechou
5. Olá (Cá Estamos Nós Outra Vez)
6. Abrir O Sinal
7. Gaivota Dos Alteirinhos
8. Casa Do Capitão
9. Vermelho Redundante
10. Quarteto Da Corda
11. Finalmente A Sós
12. A Velhice

Site Oficial: Jorge Palma

Publicado por almahperditae em 11:05 AM | Comentários (14) | TrackBack

julho 26, 2007

Cradle Of Filth - Dusk... And Her Embrace

No dia em que ouvi este disco pela primeira vez a minha vida mudou. Na altura não devo ter dado por isso, na altura ainda estava demasiado incrédulo, demasiado excitado e confuso para o perceber. Agora, uma década passada, é claro como água que este disco me mudou a vida como nunca nenhum outro mudou. À conta dele deixei-me de teimosias bacocas e perdi a ideia de que o metal eram apenas meia dúzia de putos a fazer muito barulho porque não sabiam tocar, devido a este disco dei ao metal a oportunidade de se revelar aos meus ouvidos, sem preconceitos nenhuns, e desde esse dia tentei deixar de ter preconceitos musicais. Passada uma década, continuo a tentar ouvir tudo de mente aberta, apesar de nunca mais ter sentido o que senti com este disco. Sim, para mim este é mesmo o melhor disco de todos os tempos, e confesso que à muito tempo que tento escrever algo sobre ele, mas nem sei como por em palavras o que eu sinto ao ouvir este disco.
Quando ouvi este disco pela primeira vez a minha ideia do metal era a ideia que toda a gente que odeia metal tem, ou seja, era uma merda. O que eu tinha ouvido de metal era o que toda a gente que odeia metal ouviu, ou seja, nada! Confesso até que o ouvi cheio de preconceitos, e preparado para ouvir apenas uma vez, a passar as músicas para a frente, e para dizer depois que a minha primeira ideia estava certa, era uma grande merda, e se mo tentavam impingir à meses, se me falavam deste disco como uma obra monumental e genial isso era apenas porque eram mentes influenciáveis e bastou um digipack em forma de caixão para as suas mentes impressionáveis delirarem. Para mim, nessa altura, o metal não passava de meia duzia de putos que não sabiam nada de música e por isso faziam muito barulho e usavam e abusavam de imagens chocantes, feitas de sangue, violência e negro, apenas para dar nas vistas, para que um bando de adolescentes confusos e com ligeiros problemas psicológicos e emocionais se deixassem impressionar. Esta era a minha ideia, e acredito que esta ainda é a ideia que muita gente tem do metal. Por isso percebo muito bem quem odeia o metal, por isso também sei que bastava ouvir, porque acho que há no vasto universo do metal algo que consiga quebrar esse preconceito seja a quem for. Não há ninguém que odeie mais este som do que eu odiava à uma década atrás. E a mim houve um disco que acabou com esse preconceito: Dusk... And Her Embrace! O que poderei dizer deste disco? Genial? Claro, no minimo. Um dos melhores de sempre? Para mim é mesmo o melhor. Imaginem alguem que se prepara para ouvir um disco com a mente completamente preparada para odiar. Sentei-me no sofá em frente à aparelhagem, meti o disco, coloquei os auscultadores e preparei-me para ouvir lendo as letras (que é como ouço sempre um novo disco). E o que se passou nos 53 minutos seguintes foi algo de indescritível, imediatamente a introdução orquestral e grandiosa me pegou pelos colarinhos e me colocou no espaço sideral, nem quando a introdução se desvaneceu no som de um fogo a arder, como se labaredas do próprio Inferno se tratassem, eu acordei do encantamento, quando a guitarra começou a gritar num lick diabólico eu ainda estava completamente hipnotizado, e nem quando a voz começou a violar-me com o seu grunhido vindo das mais profundas entranhas infernais eu acordei do meu fascínio... Pela primeira vez na minha vida eu conseguia sentir e compreender o lado artístico que emanava destes “miúdos sem talento que usam imagens imbecis para dar nas vistas”. Alias, se alguma coisa eu conseguia pensar durante esta quase hora de duração era como raio é que um grupo de putos, que se movimentavam num universo que eu via como completamente amador e sem talento, sem nenhuns meios à disposição, conseguiam criar algo tão fenomenal. O som não tinha nada a ver com gravações feitas em cima do joelho, o som era claramente feito por gente que sabia muito bem o que fazia, as próprias composições, fora a parte de inspiração que era óbvia, tinham um conhecimento técnico e musical por detrás que eu nunca na vida tinha ouvido fora do universo erudito. Na altura parti do principio que tinha sido um daqueles acasos inexplicáveis, um grupo de putos imbecis tinha feito um disco genial sem a minima ideia do que tinham feito, mais tarde descobri que esse universo imbecil era na realidade o universo mais rico artística e musicalmente de todos os nichos que existem, um nicho obscuro que se alimenta directamente no universo erudito, e se continua a ser tão menosprezado é por puro preconceito dos ouvintes, e porque os músicos sabem perfeitamente que há coisas que nem toda a gente tem capacidade intelectual para entender, por isso nem sequer tentam sair da sombra onde tão confortavelmente criam a sua arte.
Se eu recomendo este disco a toda a gente? Claro. Mesmo quem detesta metal, mas também é verdade que este não é um disco fácil. Alias, para ser sincero, nem sei como é que foi este disco que me abriu os horizontes, mesmo que emane uma beleza única e especial, a verdade é que isto é o estilo de metal mais brutal e violento jamais inventado, e a qualidade musical deste disco está muitíssimo alem do que um normal apreciador de musica está habituado. Por mais estilos e nichos que inventem a verdade é que a musica é toda igual, e basicamente toda a musica popular se movimenta no mesmo plano: tempos simples, poucos compassos, ritmos dançáveis e melodias cantaroláveis. Uns estilos mais acessíveis, outros mais escondidos, na realidade toda a musica popular se rege pelas mesmas regras, seja a chamada pop ou seja o black-metal mais obscuro. Mas este disco é completamente diferente, mais próximo da musica erudita do que propriamente da musica popular, por isso, como se já não bastasse a brutalidade sonora e os altos níveis de distorção a massacrar pobres almas pouco habituadas a estes níveis de devastação, ainda tem o ónus de não ser um disco propriamente fácil de seguir para os padrões a que estamos habituados. Claro que cada segmento consegue ter a sua beleza única e especial, e quando se passa para outro segmento qualquer, essa passagem nunca é forçada, nunca soa mal. São 53 minutos em que a musica nos pega ao primeiro segundo e sem refrões, sem muitas repetições de riffs (ás vezes, raramente, repetem-se riffs) a música avança sempre num crescendo, numa montanha russa de sensações, embalando os sentidos, hipnotizando o ouvinte com a sua beleza trágica, mórbida, fascinante, sem nunca haver um momento para descansar, para respirar fundo, porque mesmo as partes mais calmas (e há algumas) nos arrebatam com tamanha beleza, e quando enfim o disco se desvanece no meio de uma tempestade, num ultimo grito de guitarra, respirasse fundo e perguntasse “Mas o que é isto?”.
Isto é só uma pequena obra-prima. Um devaneio inspirado e inspirador, uma viagem alucinante pelo lado mais negro do explendor humano, um clássico que o tempo encarregará de colocar ao lado das maiores obras criativas da história da Humanidade, um tratado musical e artístico que talvez ainda demore uns séculos a ser-lhe dado o devido valor, uma incursão única pelo lado mais grandioso e belo do lado negro do Ser Humano. Isto, é (no mínimo!!!) o ponto mais alto da história da música no século XX, desde o primeiro momento em que o blues nasceu era já para aqui que caminhava. Quando Dylan pegou numa guitarra pela primeira vez era para aqui que abria caminho. Quando os Beatles pegaram numa guitarra eléctrica era este o disco prometido. Toda e qualquer corrente musical explorada, todo o equipamento inventado, todas as misturas experimentadas apenas tinham um único objectivo: expandir a música popular até ao ponto de conseguir atingir o cume, o auge do explendor musical. Este é esse auge. O ponto exacto em que Deus e o Diabo se unem enfim no Paraíso prometido. E durante 53 minutos sentimos essa união sem nunca o conseguir meter por palavras, porque esta é uma experiencia visceral, mais intensa e profunda do que aquilo que o ser humano é capaz de racionalizar, e ao se fazer enfim silêncio, olhamos em volta a tentar perceber o que raio se passou...
Demora um bocado a perceber o que raio se passou. Demora um bocado a descer à terra e encarar a realidade. Talvez... talvez quando enfim perceberem o que raio se passou cheguem à mesma conclusão que eu, este é de longe o melhor disco de sempre. Mas repito, este não é um disco fácil para quem não está habituado a este género musical, nem para quem não está habituado a ouvir um disco no seu todo, e para quem os discos não passam de colecções de canções. É um disco complexo, difícil e intrincado. É um disco em que todos os instrumentos têm uma importância vital, em que cada pormenor é importante, e muitas vezes podem passar coisas ao lado pelo simples facto de que a nossa atenção está embrenhada numa outra qualquer passagem instrumental.
Para todos aqueles que não gostam de metal o mais provável é nem conseguirem entender nada, vão ficar com a ideia que é tudo um enorme ruido entrecortado ocasionalmente por uma passagem clássica. Apenas perceberão gritos e barulhos demolidores, por isso, desde já aviso que para ouvir por ouvir nem vale a pena. Este disco tem que contar com o vosso esforço, atenção, e já agora, um sistema de som no mínimo razoável... Mas podem sempre tentar, porque acreditem que a recompensa ultrapassa tudo aquilo que possam imaginar, e quem sabe, talvez vos possa mudar a vida... tal como mudou a minha.


Nota:10/10

Alinhamento:
1. Humana Inspired to Nightmare
2. Heaven Torn Asunder
3. Funeral in Carpathia
4. A Gothic Romance (Red Roses for the Devil's Whore)
5. Malice Through the Looking Glass
6. Dusk and Her Embrace
7. The Graveyard by Moonlight
8. Beauty Slept in Sodom
9. Haunted Shores

Site Oficial: Cradle Of Filth

Publicado por almahperditae em 05:08 PM | Comentários (4) | TrackBack

novembro 20, 2006

Cradle Of Filth - Thornography

Eu não quero ser chato… Mas já sendo. Nesta entrada vou ter que contradizer basicamente toda a gente e basicamente toda a critica profissional. Inclusivamente tenho que contradizer até a minha opinião!
De quem lê aqui o Templo Da Música, não sei quantas pessoas gostam e conhecem o mundo do metal, nem sei quantas pessoas nos seguem com atenção, mas quem está por dentro do que vou dizer a seguir, não estranha aquela velha frase feita que os Cradle Of Filth já deram o que tinham a dar, e apesar de ainda serem um nome relativamente importante, a sua importância é olhada com grande desconfiança, porque a verdade é que se à 10 anos eles eram uma das forças mais originais e geniais do metal europeu, de lá a esta parte a sua qualidade degenerou a um nível quase anedótico, rasteiro, para não dizer imbecil. Verdade seja dita, uma banda que faz um disco genial como o “Dusk… And Her Embrace” ainda merece uma olhadela a cada novo disco, mas comparando com esse portento do black-metal, o torcer do nariz era cada vez mais notório, e já se estava a chegar a um ponto em que cada novo disco já era ouvido com o pé atrás, já não se esperava muito deles, e já começavam a ser postos na prateleira, e a chegar-se à conclusão que daqui já não vinha mais nada. Era uma questão de tempo até morrer de vez.
Dentro desta conjectura, não estranhei as criticas lidas a este novo registo dos C.O.F. e também eu acreditei que este era um titulo a ouvir apenas pela curiosidade, apenas mais um numero a fazer crescer a lista dos discos, mais um nome, mais nada que isso. Sim. Era apenas mais um mau disco dos C.O.F., talvez lá estivesse uma musica até engraçada e mais nada que isso.
Mas não. Não se trata nada disso. Este disco é a prova que os C.O.F. ainda não morreram, e a espera se não compensou, pelo menos justificou ainda se lhes dar ouvidos. Não, este disco não é o “Dusk… And Her Embrace”, se não é impossível superar esse disco já com 10 anos, isso apenas se deve ao dogma de que não há impossíveis e pelo menos na esfera do insólito isso ainda é possível, mas este disco é a prova cabal de que os C.O.F. ainda são uma banda que merece ser ouvida e ainda são uma banda com personalidade no mundo do metal.
Aqui o rótulo black-metal ainda faz sentido, mas já é algo limitativo. Este não é um disco de black-metal puro, nem dentro do black-metal especifico que os C.O.F. criaram à mais de uma década. Aqui a banda inglesa alargou o seu espectro dentro da musica mais extrema e bebe muito de um death-metal que tanto tem de tradicional como de moderno, bebe até de uma essência que tem um certo travo a heavy-metal e principalmente soube ligar todos estes elementos de um modo magistral, criando um perfume que se não tem o mesmo poder de arrebatamento de outrora está lá muito próximo.
Passo a explicar. Para quem está dentro deste universo, talvez não haja aqui nada de surpreendente, o que aqui nos é dado a ouvir já foi inventado, já foi gravado e já está completamente assimilado, mas para quem não está completamente familiarizado com o universo metaleiro, neste momento talvez não exista outro disco tão sintético e tão abrangente como este da musica extrema. Por isso este é um disco a ter em conta para todos aqueles que estão a entrar dentro do som eterno, e este é um disco em que quem não está ainda à vontade pode pegar, para começar a desbravar aquilo que aqui está exposto e assim começar a conhecer os meandros do universo metal. Como se isto não fosse já um ponto a favor, neste disco os C.O.F. conseguem inclusivamente pegar nesta resenha perfeita da música extrema e embrulhar tudo com aquela sensibilidade especial que os tornou míticos. Um sentido rítmico e melódico com conta, peso e medida, a capacidade de criar atmosferas densas e cortantes, uma dinâmica arrebatadora e hipnotizante, um sentido pop agudizado, e finalmente, a grande qualidade desta banda, e aquilo que os tornou especiais, o saber construir grandes canções. Atenção ao pormenor, a diferença entre “construir” e “criar”. Aqui não são criadas grandes canções, esse ceptro terá que ser entregue a outras bandas, mas neste disco os C.O.F. pegam nas grandes canções criadas no passado mais ou menos recente e constroem um disco coeso, melódico, pesado e com uma qualidade que lhes permite retomar o lugar que no fundo sempre foi deles: o da melhor banda extrema do metal europeu.
Para mim, para muitos já habituados a bandas como Bathory, Emperor ou Arcturus, para todos aqueles que conhecem Opeth, In Flames ou Hypocrisy, para quem já ouviu Tiamat, Green Carnation ou Amorphis, ou seja, todos aqueles que possuem uma cópia do “Dusk… And Her Embrace” este disco será ouvido um pouco de pé atrás, mas para todos aqueles que pensam que o metal europeu se resume a After Forever, Nightwish e H.I.M., este será um disco em alta rotação nos próximos meses, e principalmente, para toda a gente que apenas conhece essa coisa abjecta que são os Lordi, este será o disco que os levará a tomar nota da existência dessa coisa estranha e misteriosa a quem outrora alguém se lembrou de chamar Metal. E desse modo este “Thornography” tornar-se-á exactamente aquilo que o “Dusk… And Her Embrace” foi à 10 anos, um portal de entrada no universo negro e distorcido da música extrema. Devido à beleza única e especifica desse universo, esse portal tem que ser tão grandioso, majestoso e belo como o mundo sobre o qual se abre, e se duvidas houvessem sobre quem teria a capacidade de construir esse portal, ouvindo com atenção este disco essas duvidas dissipam-se. Apenas e só os Cradle Of Filth poderiam rasgar o bendito mainstream e dar a conhecer a uma imensa geração emergente o verdadeiro som metálico. Minhas senhoras e meus senhores, apresento-vos acabadinho de sair, ainda fresco e por desvendar, aquele que talvez se venha a tornar o disco de metal mais importante da década: “Thornography”.

Nota:8/10

Alinhamento:

1. Under Pregnant Skies She Comes Alive Like Miss Leviathan
2. Dirge Inferno
3. Tonight In Flames
4. Libertina Grimm
5. The Byronic Man
6. I Am The Thorn
7. Cemetery And Sundown
8. Lovesick For Mina
9. The Foetus Of A New Day Kicking
10. Rise Of The Pentagram
11. Under Huntress Moon
12. Temptation


Site Oficial: Cradle Of Filth

Publicado por almahperditae em 07:44 PM | Comentários (306)

maio 28, 2006

Assacínicos - Ninguem Sabe Mas Tenho Medo

A música é de todas as artes aquela cujo elemento qualitativo é mais subtil, perto do sublime. A Musica é uma arte perfeitamente racional, a onda de som é estudada pela ciência, as escalas, harmonias, ritmos, são estanques, formatados, o som é captado e trabalhado com os últimos gritos da tecnologia, qualquer onda sonora pode ser alterada, com uma panóplia de efeitos e truques de mistura, tudo é estudado e conhecido, é uma arte pertíssimo da ciência, não há mistérios, não há toques divinos, inspirações repentinas… No entanto, apesar disso, fazer-se um disco com orçamentos monstruosos, em estúdios evoluídos, com músicos de qualidade acima de qualquer suspeita, raramente é sinonimo de qualidade, e por vezes a magia da musica como arte suprema aparece onde menos se espera, nem se percebe bem o que tem de especial, mas sente-se algo de diferente, divino.
Isto para falar de um disco a que tive acesso recentemente que me deixou bastante surpreendido. O nome desta banda é no mínimo imbecil, Assacínicos, nome típico de uma banda aqui da minha zona, com músicos bastante evoluídos mas com péssimos gostos em nomes de bandas, e sem nunca ter ouvido, cometi o erro de imediatamente associar ao movimento típico da zona, uma banda punk, bebendo bastante do grunge, com alguns pormenores que chegam ao metal, letras de um humor pretensamente non-sence, que mais não é que uma imbecilidade a raiar o limite do bom-gosto. Já tinha visto alguns títulos do seu disco, e isso apenas me confirmava o que pensava, o interesse era nulo em ouvir a rodela. Grave erro. Por acaso ouvi uma faixa, que não consegui identificar, e quando soube o que era… Fiquei no mínimo surpreendido, a sua qualidade era fenomenal, pedi o disco emprestado, tinha que ouvir com atenção esta banda que me recusava a conhecer…
Primeiro ponto, não faço a mínima se este disco tem distribuição nacional, sei que foi editado em 2004 por uma editora local, nem sei se será fácil encontrar o disco na net, mas sei que vale bastante a pena ouvir este disco, se não conseguirem, tentem, procurem, vale mesmo a pena…
Os Assacínicos encontram-se num limbo entre o rock e o metal, naquela plataforma que em Portugal tem um único nome: Mão Morta. Será justo classificar esta banda como uma imitação de Mão Morta? Justo nunca é, mas também não é demasiado injusto, afinal as inspirações em Mão Morta são muitas, mas ao contrário de outras bandas que fazem o mesmo, aqui nunca a expressão “cópia rasca” pode ser usada, se é cópia em alguns momentos é uma cópia muito bem feita, daquela cópia que tem um nome diferente, tipo… Inspiração. Peguem nos elementos de Mão Morta, aquele rock hipnótico e brutal, e misturem-lhe elementos diversos a colorir, do doom ultra pesado, a algumas reminiscências de Zeca Afonso, duma intensidade perto do hardcore, ao respeito pela tradição musical portuguesa, para obterem um caldeirão sonoro algures entre Mão Morta e Sétima Legião. É este o universo dos Assacínicos.
E o que nos dá a ouvir estes doze temas para alem duma reminiscência do som de Mão Morta? Claramente bastante. Esta banda consegue fazer uma mistura brutal de várias correntes da musica nacional com o melhor do rock internacional, nota-se influencias variadas, mas recriam todas essas influencias dispares num som único, maciço, com uma personalidade única, com um sentido rítmico e melódico, com uma maturidade como muito raramente se ouve num primeiro disco. A riqueza cromática deste disco chega muitas vezes a estar próximo da genialidade, as guitarras conseguem imprimir o ritmo balanceado, pesado e hipnótico que guiam os sentidos através de paisagens negras e sujas, cheias de pormenores que enriquecem a musica, com licks curtos, gritantes, pormenores que conseguem transpor a musica para um nível superior. Um trabalho simples, sem megalomanias, mas com uma qualidade sonora que chega a ser desconcertante. Melodicamente é irrepreensível, ritmicamente demolidor.
Infelizmente, em alguns trechos de algumas músicas, o encantamento é quebrado devido a uma linguagem vernácula, na minha opinião despropositada. Não tenho nada contra calões, asneiras, frases e palavras mais fortes, fazem parte da nossa cultura, da nossa linguagem, uso-a em demasia até, mas as palavras necessitam de um enquadramento, de um sentido, e nos casos em que são usadas soam demasiado forçadas, na minha opinião, liricamente bastante mal usadas, e por isso totalmente desnecessárias, prejudiciais até. Resumidamente, fica mal com’ó caralho.
E se acham que a ultima frase foi demasiado forçada, ignorem, mas não ignorem este disco, porque fora palavrões forçados este disco é uma pequena obra de arte, infelizmente talvez condenado ao esquecimento, afinal as condições da musica rock neste pais são o que são, os obstáculos são muitos e o apoio nulo, eventualmente acabarão por sucumbir como tantas outras bandas, mas… não era fenomenal haver uma banda que conseguisse romper esta inércia? Uma banda nova e fresca, cheia de ideias, de personalidade, que conseguisse aquela sorte extra que faz toda a diferença? Ouçam o disco, provavelmente chegarão à mesma conclusão que eu – Esta banda merece mesmo essa sorte extra.

Nota:9/10

Alinhamento:

1.O Meu Receio/Não Posso
2.Querida Amiga Ensina-me
3.Vejo-te
4.As Miúdas Dão-se Bem
5.Je Ne Comprend Pas Ce Que Tu Dis
6.A História Dos Cavalos
7.Amélie
8.Chávenas Quentes
9.Está A Queimar
10.Afinal Que Horas São?
11.Tinto Indiano
12.Esqueceste

Publicado por almahperditae em 05:44 PM | Comentários (157)

maio 15, 2006

Moonspell - Memorial

Existe algum desconforto neste disco. Não falo apenas da questão de pela primeira vez os Moonspell estarem no top nacional, essa questão é falsa, os Moonspell sempre venderam bem, provavelmente até já venderam melhor, só que até este disco a distribuição era efectuada por uma empresa fora do grupo de pressão das grandes editoras, logo a venda dos seus discos não contava para o top. Agora com distribuição da Universal, parece que o mainstream acordou para os Moonspell, tarde, muito tarde, pateticamente tarde… mas adiante…
Existe algum desconforto neste disco… Na primeira audição não gostei. Insisti. E o disco começou a crescer dentro de mim, mas continuei a sentir um qualquer desconforto, que não conseguia saber qual era. Talvez (e esta foi a primeira teoria) o facto de o disco não ser imediato, não ser um murro no estômago, não ser fresco, não ser belo, daquela beleza de paixão à primeira audição… O facto de não ser um disco normal dos Moonspell. Mesmo na fase madura dos Moonspell havia sempre resquícios da genialidade e originalidade dos primeiros discos (ver editorial em que falo disto), neste disco essa originalidade e beleza não é (não foi para mim) clara na primeira audição. Mas o disco cresceu dentro de mim, canções como “Luna” e “Once It Was Ours!” não ficarão nada mal juntamente com outros clássicos da banda, mas havia sempre um desconforto a trespassar todo o disco…
Foi quando me lembrei de uma frase do Fernando Ribeiro numa das suas crónicas, salvo-erro aquando da morte de Quorton, recordando “o tempo em que fazia golpes na pele jovem” e percebi qual o desconforto do disco: a urgência do tempo, o regresso à memória, a reminiscência das laminas na pele… Neste disco os Moonspell regressam ao passado, injectam na musica o poder dos velhos tempos, abraçam as memórias do black-metal, injectam vida e juventude ao negro sempre presente da Vida, voltam à genialidade dos primeiros discos, mas perderam a originalidade e a frescura dos primeiros tempos, afinal, as feridas na pele já cicatrizaram, a ânsia do criar, a fome do fazer já foi saciada, ganharam experiência, ganharam saber, cresceram enquanto músicos, venceram no mundo cão das editoras, digressões e tops de vendas, construíram uma carreira segura e prolifera e tentam agora voltar à ingenuidade inicial, como se nada tivesse valido a pena, como se tudo precisasse de ser construído novamente, como se a fome fosse igual… E é esse o desconforto do disco, a memória sempre presente da juventude perdida, o ouvir o disco e lembrar-me de quando comecei a ouvir metal com os primeiros discos dos Moonspell e dos Cradle Of Filth, e ver e sentir que agora já nada é original, já nada é fresco, já nada é uma novidade. Nem para mim nem para eles, eles já não tem a fome e a necessidade de fazer um disco perfeito, já o fizeram, eles querem é voltar a sentir o prazer dos bons velhos tempos, voltar a ser putos com sonhos, tocar riffs com a ilusão que vão mudar o mundo, gritar alto para serem ouvidos, enlevar a assistência com linhas de teclado arrebatadoras. Nota-se em todo o disco o desespero, não o desespero de não serem ouvidos, de não mudarem o mundo, não o medo de não serem compreendidos, esse medo já o venceram, porque são vencedores, nota-se isso sim o desespero de já não serem inocentes, não serem ingénuos, como já o foram. Agora eles sabem que são ouvidos, sabem que os riffs já mudaram o mundo, sabem que tem diante de si multidões arrebatadas, não precisam de conquistar nada, apenas querem sentir novamente a fome de conquistar. Agora são mais complexos, recusam o caminho fácil, sabem que a facilidade é uma chatice, sabem que serão ouvidos, e se alguém como eu não entender à primeira, insiste, e descobrirá o prazer de ir descortinando o disco. Antigamente não havia segundas oportunidades, se o "Irreligious" não me tem assaltado imediatamente como um dos grandes discos de sempre, provavelmente não o descobriria, não lhes daria esse ónus. Os Moonspell neste disco tentam, de um modo mais maduro, mais complexo, dar o passo seguinte na sua evolução, o passo de voltar atrás. Uma banda é como qualquer pessoa, passa por diversas fases, e os Moonspell já passaram quase todas as fases, nasceram e cresceram, rebelaram-se contra as suas origens e experimentaram outros caminhos, encontraram o seu espaço, e agora olham para trás e dizem para si mesmos “e se agora, com tudo o que aprendemos, voltássemos à nossa origem?”. E regressaram à sua antiga casa, já não para ai tentar sobreviver, na luta incansável pela conquista, mas para ai apreciarem calmamente os bons tempos ai passados. E é afinal esse o desconforto do disco: o ser um estranho no seu território natal, como tudo olhar, tudo recordar, mas já nada tocar, pois já tudo são apenas memórias, e tudo fazem novamente como naquele tempo longínquo… Existe o mesmo desconforto que quando se visita o velho campo pelado, e se pega uma bola na tentativa desesperada de sentir a velha alegria de criança, em que a bola velha e gasta era todo o mundo conhecido e que interessava. O desespero de ser o que se foi, mas já não o poder ser… E é esse sentimento, desse desespero, desse misto de dor e alegria que se sente dentro de nós, que eles nos passam, que eles nos gravam na pele e na alma. È a saudade que eles nos fazem sentir da nossa juventude que nos torna a audição deste disco tão desconfortável.
Existem duas formas de olhar para os Moonspell neste disco: a triste constatação da sua decadência, um prenuncio para o seu fim, um alarme final de que deixaram de evoluir e brevemente se dissipam da memória. Ou, que estamos na presença de uma banda rara, capaz de ser objectiva, analítica, e com um sentido apurado sobre a sua própria condição de banda, com a noção perfeita do que são enquanto entidade (e aqui incluo tudo, até a sua base de seguidores) e conseguem com um domínio perfeito sobre algo tão volátil quanto a música e as emoções, criar a banda sonora perfeita, para o momento ideal…
Vou ser muito sincero, acredito na segunda hipótese, acho que eles fizeram neste disco, não o seu disco perfeito, nem sequer o seu melhor disco, muito longe disso até, mas fizeram o disco perfeito para esta fase do seu crescimento, provando a quem os acompanha que estamos na presença de uma banda muito, muito especial, e que provavelmente temos aqui uma banda para muitos e longos anos, pois souberam aceitar que o inicio, a sua infância e juventude é isso mesmo, um passado orgulhoso em que se venceu, com a inocência e ingenuidade próprias do crescer e aprender, e conseguiram ao longo da sua existência crescer até ao ponto em que se regressa ao passado sem traumas, e se brinca novamente como no passado, gozando com as memorias dessa inocência, mas com a perfeita consciência que essa brincadeira é uma recordação, um álbum de recordações que se folheia, uma compilação de memorias,.. Um memorial.
A minha questão é: Serão entendidos?

Nota:8/10

Alinhamento:
01. In Memoriam
02. Finisterra
03. Memento Mori
04. Sons Of Earth
05. Blood Tells
06. Upon The Blood Of Men
07. At The Image Of Pain
08. Sanguine
09. Proliferation
10. Once It Was Ours
11. Mare Nostrum
12. Luna
13. Best Forgotten
14. Atlantic (Bonustrack)

Site Oficial:Moonspell

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abril 16, 2006

Rui Veloso - Mingos & Os Samurais

Apesar de ser um dos discos mais vendidos da história da musica portuguesa, e até apesar de duas das suas canções terem entrado naquele grupo restrito de músicas tão conhecidas e belas que se tornaram banais, este é muito provavelmente o disco mais incompreendido da música portuguesa.
A dupla Rui Veloso e Carlos Tê demorou perto de dez anos a dar à luz este disco duplo, ou seja, depois do êxito inédito e completamente inesperado que o primeiro disco de Rui Veloso teve, deitaram mãos à obra de criar um disco duplo de homenagem às suas raízes, tarefa gigantesca, entrecortada ocasionalmente com o lançamento de discos “normais” que ajudaram a criar uma bela colecção de autênticos clássicos da musica portuguesa, mas discos que apenas se limitavam a adiar o lançamento do disco definitivo, a obra-prima que eles lentamente congeminavam.
Os discos duplos são geralmente trabalhos de fundo, mais que meras colecções de músicas, obedecem a uma ideia preestabelecida, são discos conceptuais que muitas vezes se perdem no ego desmedido dos seus autores e muitas vezes o seu resultado acaba por ser um tremendo tédio entrecortado com algumas boas ideias que acabam por perder a sua força devido à incapacidade de as desenvolver ao longo de dois discos. É por isso um risco, e os casos de discos duplos de sucesso são raros, e apenas possíveis a algumas bandas ou artistas de excepção. Mas no final de 1990, depois de dez anos de maturação, criação e composição, depois de seis meses em estúdio a conceber a sua obra-prima, Mingos & Os Samurais é editado e o seu sucesso avassalador, batendo todos os recordes de vendas, ajudado por músicas como “Não Há Estrelas No Céu” ou “A Paixão (Segundo Nicolau da Viola)”, hoje em dia clássicos incontornáveis da música nacional, mas talvez ainda hoje em dia um disco a que nunca se deu o real valor.
A ideia é simples, como o são todas as grandes ideias: contar a história de uma geração, a geração portuguesa de finais dos anos sessenta, princípios de setenta. A doce infância, os amores e desamores, a guerra no Ultramar sempre presente nas entrelinhas, o mundo em ebulição, os ecos do rock que vinha do estrangeiro, o fascismo e a religião que tentavam moldar as mentes rebeldes, a raiva da adolescência, a confusão da adolescência… Contar tudo isto, contar a história de uma geração inteira de todo um pais, usando para tal uma banda fictícia. E através das pequenas histórias, de uma pequena banda, contar assim a grande história de todo um país, de toda uma geração. Confesso que apenas esta premissa me parece de génio, mas esta premissa tão simples e singela é extrapolada bastante mais alem, e este acaba por ser na minha modesta opinião um disco único, e só não digo que consegue ombrear com qualquer disco duplo, mesmo a nível mundial, porque para mim este é o melhor disco duplo que já ouvi.
Musicalmente Rui Veloso recria as suas origens, usando um som datado da altura em que os supostos Mingos & Os Samurais tocavam “no salão dos voluntários”, com pormenores que tanto vão buscar inspiração no blues puro que ele mesmo ouvia, nos Beatles e afins que eram na altura as bandas da juventude portuguesa, nas bandas que alegravam os bailes que na altura existiam, criando assim um caldeirão sonoro confinado a uma época e a uma geração, a época e a geração que eles queriam homenagear. Geralmente é por aqui que os críticos “pegam” neste disco, afirmando que o seu som é retrógrado, atrasado, resquícios até de um certo som “pimba”, mas penso que tais afirmações só podem ser proferidas por quem não entende qual o fundamento e qual a ideia deste disco, porque percebendo que este é um disco que olha para o passado, que tenta recriar o passado, que tenta homenagear esse mesmo passado, tais afirmações perdem completamente o sentido, porque este disco pretende ter um som datado, e de preferência, um som cuja datação seja imediata, e é isso que ele faz, remetendo-nos imediatamente para a música daquela altura, toda a musica, porque este é um disco de toda uma geração. É obvio que uma música é mais que a sua roupagem, e apesar do seu som datado, ouvindo através dessa roupagem ultrapassada (ou não), o que sobra é o talento inquestionável de Rui Veloso e Carlos Tê para escreverem grandes músicas, autênticos clássicos, mesmo que clássicos editados vinte ou trinta anos depois do seu tempo, mas ainda muito a tempo de perdurarem através dos tempos vindouros. E se casos como os de “Não Há Estrelas No Céu” e “A Paixão (Segundo Nicolau Da Viola)” são clássicos por direito próprio (penso que não deve existir uma única noite de karaoke sem que alguém se lembre de assassinar estas musicas), neste disco existem muitas mais músicas que o facto de não terem atingido o mesmo patamar é para mim um mistério, como por exemplo: “Baile Da Paróquia”, “Um Trolha D’Areosa”, “O Prometido É Devido”, “No Dia Da Comunhão Solene”, “Conceição”, “Morena De Azul”, “No Dia Em Que O Meno Rock Morreu”, et cuetara, et cuetara.
Liricamente é Carlos Tê no seu melhor, contando histórias de personagens esquecidas de tempos idos, com todos aqueles pormenores que nos remetem para o tempo dos nossos pais, conseguindo a proeza de (como já disse) contar uma grande história com pequenas histórias de uma pequena história, usando pequenos pormenores, pormenores preciosos, pormenores que nos levam numa viagem através do tempo e nos mostram o que era viver em Portugal nos anos sessenta e setenta, a guerra do Ultramar onde uma geração inteira ficava “perdida no capim”, a juventude que “dava o salto pela fronteira, levando as cassetes dos Doors e alguns livros de poesia” para fugir a essa mesma guerra, as madrinhas de guerra “que rezavam novenas sem fim”, os bailes onde toda a gente ia dançar (e algo mais), os conflitos, as desilusões, os amores e desamores, a infância, a adolescência, os concertos, os músicos, as fãs, a escola, a igreja, os mais velhos, a esperança…
Este é daqueles discos que são mais que a música que se ouve, são pedaços de muitas histórias, acompanham toda uma vida, varias vidas, entrecruzadas pelo destino, pela voragem dos dias que passam. É um disco repleto de nostalgia, a nostalgia dos “bons velhos tempos” mesmo quando esses tempos eram maus, mesmo quando esse tempo era um tempo de desilusão, medo, tristeza e confusão. Mas olha para isso tudo, para esse passado com a doce poesia do que é a juventude, do que é ser criança e ser adolescente, a poesia de olhar para trás e pensar “afinal foi bem bom”. É por essa mesma razão um disco intemporal, e na minha modesta opinião o melhor disco português de sempre, e por isso é plenamente justo ter ainda hoje o epíteto de disco mais vendido de sempre em Portugal, mas tenho muita pena que o queiram reduzir apenas a duas singelas canções, por mais fantásticas que elas sejam, quando a sua maior força, a sua grandiosidade, é o seu todo, é representar toda uma geração, toda uma época. Um disco com um valor histórico imenso, bem mais valioso que duas grandes canções, e por isso mesmo um disco ainda por descobrir. É provável que o tenham ai por casa, peçam aos vossos pais, ou peçam a algum amigo, ou vão procurá-lo na prateleira mais esquecida, aquela onde tem os discos que já não ouvem a anos e descubram por vós mesmos, vale a pena.

Nota: 10/10

Alinhamento:
1. Irmãos de sangue
2. O que eu quero ser quando for grande
3. No dia da comunhão solene
4. O prometido é devido
5. Não há estrelas no céu
6. Twist é sedução I
7. Conceição
8. No extremo do salão
9. Mago do bilhar
10. Sámapatti
11. Tuna recreativa
12. A gente vai na digressão
13. Fio de beque
14. Morena de azul
15. Psicadélico desesperado
16. Zira
17. Baile da Paróquia
18. A paixão ( Segundo nicolau da viola )
19. Twist é sedução II
20. No dia em que o meno rock morreu
21. Um Trolha d'Areosa
22. Embalagem de Damas ( Epílogo )

Site Oficial:Rui Veloso

Publicado por almahperditae em 08:00 PM | Comentários (502)

dezembro 24, 2005

Rob Halford - Ressurection

Este é o primeiro disco a solo do auto-proclamado “Deus do Metal”. O epíteto pode parecer algo presunçoso, mas ao ouvirmos este disco nem é preciso conhecer a história por detrás de tal personagem para saber que mais que um egocentrismo exacerbado, tal designação é por demais justa e evidente.
Por muitos considerado o melhor vocalista de metal de sempre, por muitos mais um dos maiores cantores de sempre, a voz de Rob Halford é única, talvez até não muito fácil de aceitar no início. Afinal os seus falsetes chegam a atingir notas muito para alem dos limites aceitáveis para um vocalista de metal, por mais poder que a sua voz encerre, o certo é que não é fácil ouvir Rob Halford, estranhando-se muito no inicio. Mas como quase tudo na vida… primeiro estranha-se, depois entranha-se.
Membro de uma das bandas fundadoras da história do metal (excluindo, como é evidente, a pré-história do metal), Rob Halford, mais que o vocalista e front-man dos Judas Priest encarnou durante muitos anos a personagem do “verdadeiro” heavy-metal: cabedal preto; pose de feio, porco e mau; a força da natureza que se impunha frente a uma parede maciça de guitarras ensandecidas, baterias desvairadas e baixos poderosos. Mais que os compatriotas e contemporâneos Iron Maiden, os Judas Priest encarnavam o lado negro e sujo do heavy-metal, feito de testosterona, sangue, raiva, motas e violência. Era já nessa altura o verdadeiro “Metal God”. Também muito por isso (ou talvez mesmo só por isso) a confissão da sua homossexualidade foi um dos maiores tremores de terra que o metal teve em toda a sua história. Ao fim de uma longa carreira que deixou marcas para além do tempo, Rob Halford decide abandonar a sua banda de sempre, sendo este disco a sua primeira incursão a solo.
O que temos entre mãos é muito provavelmente o melhor disco de heavy-metal de sempre, o melhor disco de sempre do metal “clássico”. O disco que os Judas Priest nunca fizeram… e deviam.
Abrindo com o tema homónimo do disco, as cartas são imediatamente postas na mesa. O que aqui temos é uma descarga de riffs brutal, indo buscar influências á génese do metal: o punk e o blues, sempre com a voz única de Halford em primeiro plano, sempre com uma produção que tem tanto de simples como de imediata e sublime, sempre apoiada numa base sonora em que a única saída para o ouvinte é a pulsão ardente dos sentidos, é o êxtase auditivo, é a constatação que este senhor é verdadeiramente o único, o verdadeiro… Deus do Metal.
Ao longo destas 12 canções, o head-banging é obrigatório, o nosso corpo e a nossa mente são completamente dilacerados pela grandiosidade destas doze faixas, pela magnitude do poder que cada riff encerra, pela viagem alucinante que a voz de Halford consegue imprimir, levando-nos do mais fundo e negro dos Infernos ao mais puro e esotérico Paraíso. Afinal… este é o Deus do Metal.
Sendo um disco de canções, sendo um disco acima de tudo de voz e riffs, a escolha de músicas a sobressair talvez fosse difícil de fazer. Mas no conjunto destas 12 canções, em que a genialidade está patente em cada segundo de som que brota das colunas, a escolha até acaba por ser por demais evidente. Porque este disco encerra em si duas pequenas faixas (ou nem tão pequenas quanto isso) que superam tudo o que é aceite enquanto qualidade musical. Seja em que estilo ou sub-estilo musical for… “Ressurection” e “Silent Scream”. A primeira abrindo o disco, deixando claro o que encontrar no resto do disco: voz sublime, poder rítmico, guitarras demolidoras. Mas com uma superioridade, com uma grandiosidade tal, que claramente consegue superar muito alem das meras premissas em que acenta. A segunda… sem grandes exageros uma das melhores musicas de todos os tempos. Levando a um extremo, no mínimo envolvente e brutal, a famosa técnica dos Led Zeppelin de “light and shade”, ou seja, a luz e as sombras, ou seja… o contraste perfeito entre a beleza e a força, imprimindo desse modo uma maior eloquência a cada um dos segmentos. O que aqui temos é um lamento dorido, lírico e sentimental, descambando na justificação de Satanás perante o porque de a Vida ser como é. Palavras não conseguem descrever a beleza de que esta música está impregnada, palavras não conseguem descrever minimamente o que esta música consegue criar no imaginário do ouvinte…
Deus do Metal… quem tiver dúvidas que ouça.

Nota: 10/10

Alinhamento:
1. Resurrection
2. Made In Hell
3. Locked And Loaded
4. Night Fall
5. Silent Screams
6. The One You Love To Hate
7. Cyber World
8. Slow Down
9. Twist
10. Temptation
11. Drive
12. Saviour

Site Oficial:Rob Halford

Publicado por almahperditae em 12:32 AM | Comentários (167)

outubro 12, 2005

Primordial - The Gathering Wilderness

Começo por dizer que este talvez seja o disco do ano. Os Primordial são uma banda à parte, longe da Europa, recolhidos na periférica Irlanda, o seu death-metal atmosférico e negro bebeu muita inspiração da primeira vaga de black-metal (Bathory, Celtic Frost…) e como eclodiu na mesma altura do grande boom do black-metal da também periférica Noruega, a sua música ficou denominada como black-metal irlandês, mas os Primordial nunca foram uma banda de black-metal puro (leia-se norueguês) e como tal nunca pertenceram a essa vaga do black-metal nórdico, antes foram criadores de um estilo inovador, que misturava a intensidade do death-metal com apontamentos da música tradicional irlandesa (que como toda a gente sabe, é muito provavelmente a par da música afro-americana a música mais importante da história da música no séc. XX) e com homenagens às supracitadas bandas da primeira vaga do black-metal. Por outras palavras, aquilo que uns Burzum e uns Mayhem fizeram na Noruega, os Primordial fizeram na Irlanda, sozinhos, sem nenhuma corrente ou movimento por detrás, logo a sua música acabou por se tornar um recanto isolado, protegido e único, ao contrario da corrente Norueguesa que deu lugar a uma segunda vaga de bandas, criou o grande boom do black-metal, e como movimento acabou com o tempo por sucumbir, com o seu próprio peso e mito, sob as suas cinzas.
Os Primordial regressaram este ano, e pela primeira vez numa editora capaz de lhes dar a exposição que este disco realmente merece. Segundo os próprios o mundo é neste momento um lugar negro para se viver, e como tal o seu disco é um reflexo disso mesmo, negro, obscuro, intenso… Perderam a raiva, a violência, e tornaram-se mais negros… tal e qual o mundo como é hoje em dia. Vivemos tempos conturbados, o medo do terrorismo é apenas uma das faces visíveis, mas a verdade é que o sistema está a sucumbir sobre si mesmo, na América, em desespero de causa agarram-se à santíssima trindade de Deus, Pátria e Família, e da Europa olhasse para o outro lado do Atlântico com a certeza que esse é o primeiro passo para a queda de um Império, na Europa o sonho de uma Europa unida está a sucumbir, porque na realidade esse nunca foi um sonho verídico, a crise económica e politica está a chegar a um ponto de ruptura e as pessoas começam a dar-se conta que vivemos num limbo. A calma antes da tempestade. E os Primordial fazem o disco perfeito nesta conjectura, afinal não é isso que é a verdadeira Arte?
Em sete musicas, os Primordial destilam um death-metal poderoso, negro, hipnótico até, mostrando claramente que mais que tocar muito, o importante é tocar o que interessa, com riffs poderosos, um som sujo, mas muito bem definido, um som puro, sem grandes artifícios de produção, usando instrumentos e material antigo para desse modo atingir a tal pureza que tinham em mente. Num equilíbrio que chega a ser perfeito entre a melodia e o peso, os Primordial dão-nos um disco intenso, melódico, negro e belo, com apontamentos de violino em algumas musicas, com Alan, o vocalista, a encontrar liricamente a ponte para os dias de hoje nas crises por que a sua Irlanda passou ao longo da História, afinal a História é sempre feita em ciclos. E como o próprio diz nas pequenas notas que acompanham cada música, “a História da minha terra é feita com sangue e tragédia”. Uma única palavra pode caracterizar musicalmente este disco: Intensidade. É isso que os Primordial nos dão, um destilar intenso de negrume e beleza. Alan Nemtheanga tem uma voz bastante sui generis. Notasse claramente que ele não canta, ele não berra, nem muito menos faz uma mistura dos dois, antes, não faz nenhum dos registos, fazendo os dois. Estranho? Muito! No metal existem muitas correntes, muitos pontos de vista diferentes, e na voz há dois tipos de vocalistas, os que cantam, e os que gritam. Alguns casos pontuais como Phil Anselmo ou Rob Halford conseguem fazer as duas coisas, gritam e cantam ao mesmo tempo, gritam com melodia, Alan Nemtheanga não canta nem grita, antes imprime melodia na voz ou grita desalmadamente dependendo do que a musica pede em cada passagem. Usa a voz não como um instrumento, mas antes como catalizador de emoções, um actor no seu próprio teatro, uma voz emocional segundo alguns críticos, na minha opinião tal descrição não é completamente exacta, prefiro descrever a sua voz como Intensa.
Nestas sete canções não há tempos mortos, a Intensidade é ponto de ordem ao longo de todo o disco, quer seja em peso, quer seja em melodia, algumas músicas soam a promessa de clássicos, algo que o tempo se encarregará de confirmar. No entanto, uma música tem que ser destacada. Não estando muito acima das restantes, sobressai á partida. “The Coffin Ships”, segundo as notas, era a denominação que se dava aos barcos que levavam os emigrantes irlandeses para a América durante a crise de 1845-49 (tão contemporâneo ainda não é verdade?). Nesta musica os Primordial conseguem levar-nos a um estranho lugar, sempre com o seu riff poderoso ora preenchendo tudo em nosso redor, ora acalmando, tocando esse mesmo riff em harpejo, com uma bateria crua, seca, embalando-nos, sem grandes artifícios nem primores técnicos, para descambar em convulsões quase tribais, com a voz estridente de Alan a pegar na nossa consciência e a levar-nos numa viagem melódica como há muito tempo não se ouvia. Sem sombra de dúvida uma das melhores musicas dos últimos anos, talvez não a cereja em cima do bolo, mas antes uma fatia mais generosa de um bolo delicioso. Não sei se já o disse, mas este é o disco do ano. Descubram por vocês, e repito novamente: de tão intenso, de tão belo, este é o disco do ano.

Nota:9/10

Alinhamento:
1. The Golden Spiral
2. The Gathering Wilderness
3. The Song Of The Tomb
4. End Of All Times (The Martyr´s Fire)
5. The Coffin Ships
6. Tragedy's Birth
7. Cities Carved In Stone

Site Oficial:Primordial

Publicado por almahperditae em 07:03 PM | Comentários (88)

setembro 25, 2005

HIM - Dark Light

H.I.M. - Dark Light Ville Vallo e os seus colegas estão de volta, com o novo álbum intitulado Dark Light. E novidades? Neste álbum? Nenhumas. Exactamente, nenhumas. Mesmo depois de Ville Vallo ter anunciado o seu descontentamento pelo declínio do sucesso da banda, não se esforçou minimamente para mudar o seu som para ir de encontro ao que os seus fãs pretendem. Como tal podem esperar desde já um álbum em tudo igual ao seu precedente Love Metal. Assim temos um disco homogeneo, ou seja sem interesse algum ao longo dos seus longos 45 minutos de duração. Sendo um CD homogenio e enfadonho não há muito a dizer, excepto que se trata de um álbum com sem ritmo, recheado de teclados melódicos e muito cocós e efeitos de som sem qualquer sentido. A única excepção que se destaca do resto do disco é a faixa "Rip Out The Wings Of A Butterfly" que a banda está a usar no seu primeiro videoclip de promoção a este álbum. Mas nem tudo é mau, a capa do CD até é bastante interessante mas se querem ouvir algo dentro deste género que seja realmente bom experimentem antes ouvir o The Funeral Album dos Sentenced. Ok, agora já sei que vou ser massacrado pelos milhares de pitas que veneram Ville Valle e a sua banda, mas a verdade por mais dura que seja tinha de ser dita.

Nota: 2/10

H.I.M. - Dark Light
tracklist:
1 - Vampire Heart
2 - Rip Out The Wings Of A Butterfly
3 - Under The Rose
4 - Killing Loneliness
5 - Dark Light
6 - Behind The Crimson Door
7 - The Face Of God
8 - Drunk On Shadows
9 - Play Dead
10 - In The Nightside Of Eden

As faixas Rip Out The Wings Of A Butterfly e Behind The Crimson Door podem ser ouvidas em http://www.myspace.com/heartagram

Site Oficial: www.heartagram.com.

Publicado por HeartLess em 05:26 PM | Comentários (981)

agosto 24, 2005

Luminaria - Arche

Luminaria - Arche Os Luminaria são uma banda polaca relativamente recente (2002) mas que estão já a dar os primeiros passos na música. Com um som bastante melancólico com partes arrastadas e outras nem tanto, enquadram-se dentro do género gothic metal mas com algumas influências doom. Esta demo entitulada Arche é o seu primeiro e até agora único trabalho. Para um primeiro álbum o som está com bastante qualidade, podemos encontrar muita originalidade das músicas que são bem executadas, no entanto a voz tipo estou a dar um sermão numa igreja de Wojciech "Wavoc" Wawoczny não convencem, devendo tentar apostar mais numa voz agressiva como acontece em algumas partes das músicas da banda. Instrumentalmente a banda é bastante consistente e bem trabalhado, tendo mesmo uma mulher na guitarra, algo que é pouco habitual neste género de música onde cada vez mais é moda colocar mulheres a cantar, esquecendo-se que secalhar algumas estariam melhor a tocar algum instrumento do que propriamente estar encarregue da voz. A dupla pedaleira nas partes mais aceleradas das músicas fornece um compasso agradável de ouvir enquanto que os teclados preenchem os vazios existentes na música. Arche é um trabalho bem conseguido mas denota no entanto uma banda que apesar da muita capacidade de imaginação precisa ainda de amadurecer e evoluir mais um pouco. Neste trabalho com uma duração de 37 agradáveis minutos de emoções de angústia e raiva destacam-se as músicas World Built On Sand, Irmao e The Arabesque. A banda decidiu disponibilizar este seu trabalho online no seu site oficial em formato mp3 de alta qualidade (192kbps) para que possam assim efectuar o download e criar a vossa própria opinião relativamente ao mesmo.

Nota: 7/10

Luminaria - Arche
Tracklist:
1 - Unreasonably Forlorn Hours (Intro Included)
2 - World Built On Sand
3 - Irmao
4 - Lust To Imprision
5 - Obsession Elyseenne
6 - The Arabesque

Site Oficial: www.luminaria.cei.pl

Publicado por HeartLess em 05:37 PM | Comentários (924)

agosto 17, 2005

Opeth - Ghost Reveries

Opeth - Ghost Reveries Os Opeth estão de volta. Leram bem, estão de volta e cada vez melhores. Ouvir Opeth é como apreciar um bom vinho, quanto mais velho mais saboroso. Mais uma vez conseguem surpreender os fans. Quando muitos esperavam o que poderia ser um Damnation Parte 2 e enquanto outros sugeriam que se iriam tornar uma banda com um som muito diferente devido ao facto de terem assinado pela Roadrunner Records, podendo assim ver-se obrigados pelos seus produtores a encaminharem-se para um som mais mainstreem para onde já se dirigem (ou morreram no meio) outras bandas como Soulfly, Nickelback, etc. Esta banda formada em 1990 na Suécia e que nos seus primeiros álbuns (1995, 1996) pouca ou mesmo quase nenhuma atenção conseguiu atrair na altura, chega agora ao seu oitavo álbum afirmando-se como uma das melhores bandas de metal progressivo da actualidade. Uma das novidades deste álbum é a colaboração de Per Wiberg (teclista dos Spiritual Beggers) que é agora também um membro efectivo dos Opeth. O grupo ganha assim uma nova sonoridade que lembra os gloriosos anos 70 ao mesmo tempo que continua num estilo sonoro cada vez mais técnico na linha do que fazem os Dream Theater, mantendo-se no entanto sempre fiéis ao seu som e originais. Ghost Of Perdition é a primeira das 8 faixas deste novo álbum e provoca imediatamenet o que os Opeth estão habituados a provocar nos seus fans: supresa. Não sendo nada do que a maior parte estaria à espera, Ghost of Perdition é um música brilhantemente concebida e executada de forma a cativar a atenção de quem a ouve. Segue-se talvez a melhor música do álbum: The Baying Of The Hounds, que nos leva de regresso a um som muito semelhante ao som ao Still Life, embora os teclados de Per Wiberg o façam parecer muito diferente. Durante toda a música é notável a evolução da voz de Mikael Akerfeldt que conseguem transformar a sua voz de sons guturais para sons extremamente melodiosos nas passagens mais calmas da música, dando a sensação que são duas pessoas diferentes a cantar e não apenas uma. Beneath The Mire é uma continuação de The Baying Of The Hounds, mostrando um execelente desepenho do baterista Martin Lopez e continuando o mesmo tipo de som. Segue-se Atonement: Esta é uma música estranha e que dificilmente teriamos imaginado que seria tocada por Opeth. Lembrando um pouco o som de Pink Floyd é a música ideal para enrolar uns canhões durante os concertos, ao mesmo tempo que serve de introdução para Reverie/The Harlequin Forest. Reverie / The Harlequin Forest é outro dos pontos altos deste álbum misturando passagens mais duras com outras acústicas ao mesmo tempo que o refrão muito melodioso transmite uma forte tristeza. Depois, Hours Of Wealth pega nessa tristeza e induz-nos num estado de calma com os seus acordes suaves ao mesmo tempo que nos prepara para a faixa seguinte. The Grand Conjuration, é sem dúvida a faixa mais pesada do albúm, com riffs duros e uma bateria forte, e deverá ser a faixa escolhida para um eventual videoclip e para passar nas rádios. Apesar de bem conseguida, não é das minhas músicas preferidas deste álbum devido ao facto de não me transmitir uma emoção tão forte como as outras e também por se tornar um pouco repetitiva. Não deixa no entanto de ser uma grande música ao estilo dos Opeth, em que todos os elementos mostram as suas qualidades como músicos apresentado um som muito técnico e magnificamente executado ao pormenor, o que permite a Mikael Akerfeldt dar largas ao seu génio como compositor. Por fim o álbum acaba com Isolation Years, uma música de 4 minutos (muito pequena em relação ao que estamos habituados a ouvir de Opeth) fechando o album num clima de tranquilidade, ao mesmo tempo que nós faz pensar "O quê, o álbum já acabou? Tenho de ouvir isto de novo". Com uma duração de cerca de 67 minutos, este álbum é uma viagem profunda no som dos Opeth e é certamente um dos melhores deste ano. Sem dúvida que este é um CD que certamente passarei horas e horas infindáveis a ouví-lo. Outra coisa não se poderia esperar desta magnífica e assombrosa banda que é Opeth.

Nota: 10/10

Opeth - Ghost Reveries
Tracklist:
1 - Ghost Of Perdition
2 - The Baying Of The Hounds
3 - Beneath The Mire
4 - Atonement
5 - Reverie / Harlequin Forest
6 - Hours Of Wealth
7 - The Grand Conjuration
8 - Isolation Years

A faixa The Grand Conjuration pode ser ouvida aqui.

Site Oficial: www.opeth.com

Publicado por HeartLess em 06:37 PM | Comentários (304)

janeiro 25, 2005

Dark Tranquillity - Character

Dark Tranquillity - CharacterEis que finalmente estes brilhantes músicos suecos voltam a dar uma mostra da sua raça. Character é uma mostra perfeita de técnica misturada com melodia do principio ao fim, tornando-o já à partida um dos preferidos na corrida de o melhor album de death metal deste ano que agora se inicia. A primeira faixa "The New Build" é um forte preview do que podemos esperar deste album, com uma bateria poderosa e acelerada acompanhada de riffs de guitarra melódicos que muitas vezes se podem encontrar mais no metal progressivo que no death metal. A faixas seguintes não deixam que o ouvinte se aborreça por um único minuto, com um som "sempre a abrir" e no exacto momento em que poderia começar a haver alguma monotonia, a música transforma-se totalmente supreendendo tudo e todos. A voz está substancialmente diferente do seu álbum anterior "Damage Done", estando mais nítida e melhor integrada com o som. Deste álbum destacam-se as músicas "The New Build", "Out Of Nothing", "Lost To Apathy" sendo esta talvez a faixa mais melódica e que mais facilmente cai no ouvido e a escolhida pela bamda para o single que antecedeu o lançamento deste disco, colocando pela primeira vez Dark Tranquillity nos tops suecos, e "One Thought" não ficando as outras muito atrás. Este é um álbum com um som bastante complexo e não é aconselhado para quem não está habituado ao death metal ou que ainda não conheçe os trabalhos anteriores desta banda, a esses recomenda-se que continuem a brincar com os legos, para todos os outros que gostam de um bom som death metal e especialmente para os muitos fans da banda este é um álbum imperdível, incontornável e extremamente aconselhado. Talvez seja até o melhor álbum de Dark Tranquillity até ao momento!

Nota: 10/10

Dark Tranquility - Character
tracklist:
1 - The New Build
2 - Through Smudged Lenses
3 - Out Of Nothing
4 - The Endless Feed
5 - Lost To Apathy
6 - Mind Matters
7 - One Thought
8 - Dry Run
9 - Am I 1?
10 - Senses Tied
11 - My Negation

Site Oficial: www.darktranquillity.com

Publicado por HeartLess em 05:24 PM | Comentários (10)

dezembro 28, 2004

O Matador - Gangsta Fado

O Matador - Gangsta FadoEm Portugal continuam a proliferar novas bandas e de vez em quando aparece uma que merece algum relevo. O Matador são uma dessas bandas. Tendo apenas como instrumentos principais, guitarra, bateria, contrabaixo e é claro e muito importante nesta banda, voz. Com um som muito próprio cheio de alusões à guitarra portuguesa característica no fado mas com um ritmo totalmente diferente, ajudado por um contrabaixo sempre presente, o que faz realmente a diferença nesta banda são as letras. Um lirismo citadino muito particular que faz lembrar as músicas de Ena Pá 2000 mas mais soft, ou seja, sem as tão presentes alusões muitas vezes consideradas ordinários que se encontram em quase todas as músicas de Ena Pá 2000 e que foram uma das chaves do seu sucesso. A caixa do CD tem um design bastante atraente, e contém uma história em banda desenhada que conta como "o matador" personagem da banda, arranjou o seu chapéu à Fernando Pessoa e os seus óculos à Pedro Abrunhosa. É um som muito descontraído e que encaixa perfeitamente nos momentos de convívio com os amigos ou até em algures bares menos dancáveis, donde se destacam as faixas "Fiz um strip" e "Dancinha de salão". Merece sem dúvida, nem que seja a título de curiosidade um momento do vosso tempo para uma audição atenta.

Nota: 7/10

O Matador - Gangsta Fado
tracklist:
1 - Royal suite
2 - Lá em casa
3 - Fiz um strip
4 - Judy Sue
5 - Bruno o pitcha dealer
6 - Balada para mirita
7 - Sou um tuga nos states
8 - Avisa os gémeos
9 - Dancinha de salão
10 - That's the name, mary jane

Nota: O alinhamento aqui descrito é o que aparece no CD que possuo. Estranhamente não coincide com o alinhado que consta no site oficial da banda.

Site Oficial: www.omatador.pt

Publicado por HeartLess em 09:16 PM | Comentários (8)

novembro 08, 2004

Seal 'IV'

Seal - site oficial

Seal é sinónimo de arte, talento, paixão e devoção. Começou em Londres no final da década de '80 a mostrar o seu material a editoras. Em 1991 seria lançado o seu primeiro trabalho, o início de uma brilhante carreira.

Seal não aparenta ser um compositor muito dinâmico, se atendermos a que lançou apenas 4 trabalhos de originais em 13 anos de carreira. Mas as aparências iludem... só para este último disco de originais que aqui vos apresento, foram escritas mais de 80 canções. Na verdade, conforme o próprio explica no seu site pessoal, antes de entrar em estúdio tinha um disco completo, pronto para gravar, quando chegou à conclusão que faltava qualquer coisa. Acabou por não aproveitar nenhum desses temas. Regressou a Londres, onde tudo começou há mais de 13 anos atrás (tem vivido em Los Angeles, California, desde há muitos anos). Voltou a escrever intensamente, chegando a descrever esse período, de cerca de um ano, como o mais produtivo de sempre. O resultado foram cerca de 75 temas excelentes, dos quais foram escolhidos estes que integram o disco. Talvez por isso o disco tenha uma qualidade musical rara e seja difícil (ou impossível) escolher uma música que não esteja tão excelente quanto as outras.

'Seal IV' é um trabalho para todos os gostos. Se tivesse que escolher um disco para representar o ano de 2003, seria este com certeza. Este disco marcou também o reencontro com Trevor Horn - o produtor responsável pelo sucesso de 'Kiss From a Rose' em 1994.

Não vou falar sobre os temas; seria uma tarefa ingrata - é uma das melhores selecções de canções de que tenho memória desde o 'Thriller' de Michael Jackson. Adquire o albúm, respira fundo, pega uma bebida quente (agora que faz frio por aqui) e aprecia esta obra de arte.



  • Alan Griffiths: programação bateria, guitarras

  • Carlos Rios: teclados

  • Charlie Russel: programação bateria

  • Chris Bruce: baixo, guitarras

  • Earl Harvin: bateria

  • Gavin Wright: condução cordas, coro e metais

  • Gus Isidore: guitarras

  • Heitor Pereira: guitarras

  • Ian Thomas: bateria

  • Jamie Muhoberac: teclados, baixo, piano

  • Luis Jardim: percussão

  • Mark Batson: teclados, baixo, piano, programação bateria, orgão

  • Nick Ingham: arranjos cordas e coro, orquestração

  • Pete Murray: teclados, piano

  • Seal: vozes, teclados, baixo, guitarras

  • Steve McDonald: guitarras

  • Steve Price: cordas e coro, teclados

  • Steve Sidwell: arranjos cordas, coro e metais

  • Tessa Niles: vozes adicionais

  • Tim Cansfield: guitarras

  • Tim Pierce: guitarras

  • Trevor Horn: guitarras, piano, baixo, teclados

  • Produzido por Trevor Horn, co-produzido por Mark Batson

    Faixas
  1. Get It Together

  2. Love's Divine

  3. Waiting For You

  4. My Vision

  5. Don't Make Me Wait

  6. Let Me Roll

  7. Touch

  8. Where There's Gold

  9. Loneliest Star

  10. Heavenly... (Good Feeling)

  11. Tinsel Town

  12. Get It Together (reprise)

  13. Love's Divine (Deepsky Club Mix) - bonus track

Publicado por jesusrocks em 12:17 PM | Comentários (0)

setembro 22, 2004

Madonna 'Ray of Light'

clica para aceder ao site oficial da MadonnaAproveitando a recente vinda a Portugal desta musa da pop mundial - que dispensa apresentações - aqui vos deixo o meu review de um dos seus trabalhos. Editado em 1998, 'Ray of Light' é um disco musicalmente leve, mas alegremente ritmado. É composto por músicas essencialmente electrónicas com grooves destinados à dança e ao movimento. As melodias transmitem muita paz e tranquilidade, mesmo as mais mexidas.


A progressão musical de Madonna tem sido notável, ao longo dos anos. Possui um estilo característico e inconfundível, e consegue sempre surpreender pela positiva, quer na área da composição como na área da interpretação. Para quem aprecia esta vertente mais electrónica - para a qual parece caminhar grande parte da música que se faz actualmente - este é, certamente, um disco a incluir na sua colecção.


Gosto particularmente do tema 'Frozen' com algumas influências góticas e destaco também o último tema 'Mer Girl' que não esconde inspiração em Björk - outra musa que dispensa apresentações. Recomendo a audição deste cd em espaços amplos e de ambiente relaxante. A co-autoria dos temas inclui os seguintes compositores e letristas (entre parentesis as músicas em que participaram): Madonna (todas), William Orbit (1, 2, 3, 4, 8, 13), Rod McKuen (1), Anita Kerr (1), David Collins (1), Clive Muldoon (3), Dave Curtis (3), Christine Leach (3), Susannah Melvain (4), Patrick Leonard (5, 6, 7, 9) e Rick Nowels (10, 11, 12)


Termino com uma nota sobre o concerto de dia 13 de Setembro, a que tive o prazer e a honra de assistir. Se dúvidas me poderiam restar acerca do valor artístico de Madonna, a sua brilhante actuação no Pavilhão Atlântico dissipou-mas por completo. Toda a produção do show foi excelente, desde os detalhes técnicos ao aparato tecnológico utilizado, do aprumo da escolha do guarda-roupa ao perfeccionismo da coreografia e da cenografia. Ambos os espectáculos em Portugal foram gravados e darão, em breve, origem a um DVD que documentará aquela que já é considerada como a melhor digressão de sempre da Madonna.



  • Fergus Gerrand: bateria (1, 2) e percussão (13)

  • Pablo Cook: flauta (2)

  • Marc Moreau: guitarra (5)

  • Steve Sidelnyk: programações adicionais de bateria (6, 12)

  • Marius De Vries: teclados e programação adicional (9)

  • Craig Armstrong: arranjos para cordas (9, 10)

  • Patrick Leonard: arranjos adicionais (9)

  • Donna DeLory e Niki Harris: suporte vocal (6)

  • Susie Katayama: condução da Orquestra (9, 10)

  • Madonna: tudo o resto

    Produzido por Madonna (todas), William Orbit (todas excepto a 12), Marius De Vries (5, 6, 12), Patrick Leonard (7, 9, 10, 11)

Faixas

  1. Drowned World / Substitute For Love

  2. Swim

  3. Ray of Light

  4. Candy Perfume Girl

  5. Skin

  6. Nothing Really Matters

  7. Sky Fits Heaven

  8. Shanti / Ashtangi

  9. Frozen

  10. The Power of Good-bye

  11. To Have And Not To Hold

  12. Little Star

  13. Mer Girl

Publicado por jesusrocks em 04:06 AM | Comentários (4)

setembro 05, 2004

MortIIs - The Grudge

MortIIs - The GrudgeMortiis, o troll mais famoso do mundo da música está de volta desta vez com um disco de nome "The Grudge". Mortiis que teve um inicio de carreira no black metal, tendo sido baixista da mítica e lendária banda Emperor, seguiu mais tarde uma carreira a solo tendo um sucesso relativo mas que para ele sempre soube a pouco. Desde de 1993 que compunha e interpretava música darkwave conquistando cada vez mais fans, e cujo auge de qualidade e sucesso foi no albúm The Stargate onde tem a colaboração de Sarah Jezebel Deva (Cradle Of Filth, Kovenant, etc.) conseguindo aí um albúm ímpar e até mesmo brilhante dentro do seu género. Mas Mortiis não estava satisfeito com o sucesso alcançado e sabia que ser famoso a tocar darkwave é algo díficil e então em 2001 quando muitos esperavam que ele compusesse uma espécie de banda sonora não oficial do filme O Senhor Dos Anéis, aproveitando o facto da sua música se encaixar perfeitamente no ambiente gerado pelo filme e usando o sucesso do mesmo para se evidenciar e conseguir continuar a componhar na mesma linha sonora, eis que ele espanta tudo e todos e muda totalmente o seu som. Deixa de ser um projecto a solo e passa a ser uma banda constituída por vários músicos, e o seu som torna-se completamente diferente no albúm "The Smell Of Rain", um som muito menos orgânico, sintético e muito ritmado que constrasta com os seus trabalhos anteriores e que fez com que muitos dos fans que havia conquistado ao longo dos anos se desinteressam-se pelo seu trabalho. No entanto o albúm não era mau, apenas se enquadrava num estilo diferente do que os seus fans estavam habituados mas ainda assim era um album trabalhado, atraente e até mesmo viciante, para além disso ter conseguido com que 2 videoclips referentes a esse album fossem exibidos na MTV valeu-lhe uma legião de fans completamente nova e provavelmente até mais numerosa que a anterior, apesar das críticas terem dado notas muito baixas a esse album. Assim "Parasite God" e "Mental Maelstrom" tornaram-se os primeiros videos de Mortiis a serem conhecidos pelo grande público. Agora em 2004, Mortiis está de volta. Está de volta e mais uma vez completamente diferente. Mas desta vez o resultado foi desastroso. Mortiis tenta agora construir um som dentro do género industrial, ao estilo dos Nine Inch Nails de Trent Reznor, mas é apenas isso, uma tentativa... que este pobre troll desta vez falhou totalmente. O albúm é muito forte a nível de ritmo mas é pouco atraente, electrónico mas pouco dancável, confuso, enervante. A voz de Mortiis parece sofrer de uma forte distorção/manipulação para dar um efeito mais "robótico" e pouco natural, algo que também não favorece este albúm. No entanto o single que foi lançado para dar a conhecer este album está a ter uma enorme receptividade, pelo que a falta de qualidade deste albúm não deverá influenciar negativamente as vendas. Não sendo boas mas considerando-se menos más, destacam-se as músicas "The Grudge", "Decadent And Desperate" e "The Worst In Me". Se procuram algo diferente decerto o encontrarão neste CD de Mortiis mas às vezes ser diferente não basta. Já agora quero esclarecer que o facto de chamar troll ao meu querido Mortiis cujo trabalho passado aprecio bastante especialmente na época do The Stargate não é de qualquer forma feito de modo depreciativo e decerto compreenderão o que quero dizer se visitarem o site da banda/observarem fotografias dele enquanto nesta banda.

Nota: 2/10

MortIIs - The Grudge
tracklist:
1 - Broken Skin
2 - Way Too Wicked
3 - The Grudge
4 - Decadent And Desperate
5 - The Worst In Me
6 - Gibber
7 - Twist The Knife
8 - The Loneliest Thing
9 - Le Petit Cochon Sordide
10 - Asthma

Site Oficial: www.mortiis.com

Nota Adicional: A faixa disponilizada para download não corresponde à faixa do albúm mas sim a uma versão editada que saiu no single correspondente.

Publicado por HeartLess em 10:32 PM | Comentários (0)

setembro 01, 2004

Sin Of Kain - Howling Sins Of Alighting Whim

Sin Of Kain - Howling Sins Of Alighting WhimOs Sin Of Kain formaram-se no inicio de 2002 e em Março já tinham gravado este album a que deram o nome de "Howling Sins Of A Alighting Whim". Para um primeiro albúm este lançamento é sem dúvida muito promissor. A mistura de um som black metal com riffs de death metal foi muito bem conseguida pela banda e consegue atrair a atenção de quem ouve. Os solos de guitarra são a nata que dá cor ao som que misturados com a "bateria" e com o som de teclados dão um resultado muito impressionante. A banda só conseguiu um baterista em Maio de 2002 pelo que as performances ao vivo pelo que é descrito melhoraram bastante, substituindo o "grande baterista japonês yahama" aka caixa de ritmos por uma bateria a sério. Não tendo no entanto um efeito avassalador, este CD de 40 minutos não deixa de ser interessante. Dá-se especial destaque para as músicas "For You", "Tongueless" e "Fields Of Sadness" e "Cold Inside". A música "Howling Sins Of Alighting Whim" que dá o nome ao album não resultou tão bem quanto seria de esperar. A banda lançou mais recentemente um EP de nome "... Of Disharmony" que sem dúvida mostra que a banda está a melhorar muito e que transitaram o género de som para o que actualmente se chama Extreme Gothic Metal. Este EP é muito mais elaborado e promete que o próximo albúm da banda será sem dúvida um lançamento a não perder. Como bónus, aquando esta review foi escrita tanto o album como o EP se encontram disponíveis para download no site oficial da banda, sendo que provavelmente deixarão de estar quando a banda efectuar um contracto com uma editora. A nota dada nesta review refere-se apenas ao album e não ao EP.

Nota: 7,5/10


Sin Of Kain - Howling Sins Of Alighting Whim
tracklist:
1 - Prologue
2 - Foreword
3 - For You
4 - Tongueless (Bonus Track)
5 - Appearance
6 - Howling Sins Of Alighting Whim
7 - Fields Of Sadness
8 - Cold Inside


Sin Of Kain - "... Of Disharmony" [EP]
tracklist:
1 - Paradox Of Fear
2 - Deathrow
3 - Slaves Of Curiocity

Site Oficial: www.sinofkain.com

Publicado por HeartLess em 12:34 PM | Comentários (0)

agosto 27, 2004

ThanatoSchizo - Turbulence

ThanatoSchizo - Turbulence Imaginem o som de Opeth com ambas vozes femininas e masculinas, limpas e guturais e terão um pequeno vislumbre do que podem esperar do novo album de ThanatoSchizo. Estes portugueses de Santa Marta de Penaguião resolveram reinventar de novo o seu som, já como haviam feito nos seus lançamentos anteriores e neste novo registo de nome "Turbulence" são visíveis fortes influências de Opeth principalmente ao nível da guitarra. A voz de Patrícia Rodrigues dá uma cor diferente ao som da banda, tornando-o mais suave, mais original e mais bonito, cativando a atenção do ouvinte. Apesar de o CD apenas conter 7 faixas não se deixem enganar ao pensar que é de pouca duração, pois ao longo dos 52 minutos de duração deste album por vezes temos até a sensação de encontrar várias músicas diferentes contidas na mesma faixa dada as muitas variações na música, evitando assim que as faixas de relativa longa duração se tornem monótonas. O destaque vai para as músicas "Sweet Suicidal Serenade", "Void" e para a brilhante "Traces" que deveria ter sido a escolhida para dar conhecer este album a todos aqueles que não tiveram ainda contacto com o som da banda, mas a opção da mesma parece ter recaído noutra faixa. De qualquer forma este lançamento vem provar que esta banda formada em 1998 continua em grande forma e a melhorar cada vez mais o seu som, mostrando que há bandas capaz de elevar a bandeira do metal nacional mais alto e não deixar essa tarefa apenas para bandas já com vasto nome e provas dadas como é o caso de Moonspell e Ramp. Este é um CD muito aconselhado para todos os amantes de Metal e a banda tem preços especiais para quem se encontre a residir em Portugal, dando maiores descontos a quem encomendar mais do que um item de cada vez. Mais informações no site Oficial da Banda.

Nota: 8,5/10

ThanatoSchizo - Turbulence
tracklist:
1 - Sweet Suicidal Serenade
2 - Traces
3 - Soured Memories
4 - InExistence
5 - Untiring Harbour
6 - Freedom Subways
7 - Void

Site Oficial: www.thanatoschizo.com

Publicado por HeartLess em 04:23 AM | Comentários (4)

agosto 26, 2004

Isiphilon 'Essence'

fonte: http://www.aetherial.org/aenima


Esta é a Carmen, uma das grandes vozes portuguesas da actualidade. Nascida em Almada, foi nessa cidade, com tradição no mundo das artes, que Carmen despertou para a música e para o canto. Encantou os muitos entusiastas do estilo gótico, no início dos anos 90, como vocalista dos Poetry of Shadows, uma banda de culto. Seguiu-se este projecto - Isiphilon - com que editou o belo trabalho 'Essence', de que vos venho essencialmente falar.


Lançado pela Symbiose em 1997, 'Essence' foi bem recebido nos meios góticos em diversos países, apesar de não contar com grande cobertura por parte dos media. O CD é uma viagem pelo imaginário esotérico, reflexões sobre a vida, o mundo, a alma, os sonhos... as palavras misturam-se com a música numa cumplicidade muito bem conseguida. O ambiente criado é melancólico, dark, depressivo até, mas nunca pesado. Aliás, todas as canções transpiram tranquilidade e paz de espírito independentemente do tema. Muitas vezes referida como Doom Medieval, a sonoridade é no entanto difícil de enquadrar num qualquer rótulo estilístico. Destaco a música 'Tremors' onde se sente a presença de uma das grandes influências - Fields of the Nephilim


Uma última referência para Oblivion - criador e mentor deste projecto - mais conhecido pela sua participação nos também almadenses e igualmente extintos Thormenthor e membro fundador dos saudosos Poetry of Shadows.


  • Carmen: voz

  • Oblivion: guitarras, teclados e programação

  • José Amaro: guitarras e teclados

  • João Oliveira: baixo


  • Produzido e misturado por: Isiphilon e Paulo Carmona

Faixas:

  1. Open

  2. Spiritual Death

  3. Reencarnation

  4. Calling the Flames

  5. The Long Sleep

  6. Preservation

  7. Unsoul Curse

  8. Circle of Gold

  9. Mind Blank

  10. Tremors

  11. Dark Summons

  12. Lower Stratums

Publicado por jesusrocks em 05:06 PM | Comentários (9)

agosto 19, 2004

Deep Purple "Made In Japan"

Sinto-me um pouco nostálgico musicalmente, daí o facto de optar por recuperar clássicos de outros tempos, em vez de apresentar novos trabalhos, como seria de esperar.


Desta feita, venho falar deste magnífico registo captado ao vivo, em Agosto de 1972, no Japão. Trata-se de uma das mais marcantes tournés dos Deep Purple com a sua formação clássica. É uma viagem pelos primeiros sucessos da banda, que contava, então, apenas 3 anos de duração. Dos temas incluidos neste belo trabalho, destaco a fabulosa interpretação de 'Child In Time' que tem um lugar reservado na história das grandes baladas Rock, e os inesquecíveis sucessos 'Highway Star', 'Smoke On The Water', 'Strange Kind Of Woman' e 'Black Night'.




Faixas:
    CD 1 - Made In Japan
  1. Highway Star

  2. Child In Time

  3. Smoke On The Water

  4. The Mule (drum solo)

  5. Strange Kind of Woman

  6. Lazy

  7. Space Truckin'

    CD 2 - The Encores
  1. Black Night

  2. Speed King

  3. Lucille

Publicado por jesusrocks em 12:54 AM | Comentários (5)

agosto 06, 2004

Carlos Paredes 'Concerto Em Frankfurt'

Carlos Paredes foi o mais virtuoso executante da guitarra portuguesa de que a história tem memória. Aliou a sua mestria musical a uma capacidade artística ímpar e a um génio criativo prodigioso. Este é um dos belos registos que nos deixou - o famoso Concerto em Frankfurt, na Alemanha.


Este registo é uma reprodução fiél, sem edição, do que aconteceu naquela noite de '83 na Ópera de Frankfurt, com Carlos Paredes na guitarra portuguesa, a deliciar uma plateia completamente rendida aos encantos da sua música instrumental e do seu dedilhado inconfundível.


  • Carlos Paredes: guitarra portuguesa

  • Fernando Alvim: viola clássica

    Realização e produção do espectáculo: Teo Ferrer de Mesquita
    Gravação e produção: José Fortes

    Faixas:
    Seis Cantos Improvisados Sobre a Cidade

  1. Canto do Amanhecer

  2. Canto de Trabalho

  3. Canto de Embalar

  4. Canto de Amor

  5. Canto de Rua

  6. Canto do Rio

  7. Seis Guitarradas Sobre Uma Fábula

  8. A Montanha e A Planície

  9. Dança Palaciana

  10. Sede

  11. Dança dos Camponeses

  12. In Memoriam

  13. Festa da Primavera

Publicado por jesusrocks em 05:03 AM | Comentários (5)

julho 30, 2004

John McLaughlin, Al di Meola, Paco de Lucia "Friday Night In San Francisco"

Em 1981, estes três monstros sagrados das cordas juntaram-se para gravar, ao vivo, este grande clássico da música instrumental. Provenientes de três estilos musicais distintos, John McLaughlin do jazz, Al di Meola da fusão e Paco de Lucia do flamenco, mestres em cada um dos seus estilos, provaram, num registo histórico, que não existem limites para a criatividade nem fronteiras quando se fala de arte.


Não vou falar dos temas, porque o melhor mesmo é ouvi-los. Como diz um músico meu conhecido "a música existe para dizer aquilo que as palavras não conseguem" - Tuniko Goulart. Referência apenas ao seguinte: O Meola toca a guitarra acústica de cordas de aço que se ouve no canal direito, o Paco toca a viola clássica de cordas de nylon que tem um som distinto das outras duas e o John toca uma guitarra com uma sonoridade muito semelhante à do Meola mas aparece sempre ou à esquerda ou ao centro. Apreciem.


  • John McLaughlin: guitarra acústica (aço);

  • Al di Meola: guitarra acústica (aço);

  • Paco de Lucia: viola clássica (nylon).

    Produção: John McLaughlin, Al Di Meola, Paco de Lucia.

Faixas
1) a. Mediterranean Sundance (Al di Meola)
    b. Rio Ancho (Paco de Lucia)
2) Short Tales of The Black Forest (Chick Corea)
3) Frevo Rasgado (Egberto Gismonti)
4) Fantasia Suite (Al di Meola)
5) Guardian Angel (John McLaughlin)

Publicado por jesusrocks em 12:01 PM | Comentários (4)

julho 03, 2004

Peter Murphy - Wild Birds: 1985-1995

Peter Murphy - Wild Birds: 1985-1995 Peter Murphy não é apenas um simples nome da música no meio de tantos outros. Para muitos ele é objecto de verdadeiro culto. Imortalmente ligado à banda Bauhaus de que era vocalista e líder e que fundou o género post-punk/gótico juntamente com Siouxsie And The Banshees que mais tarde foi adoptado por muitas outras bandas. Após o desmonoramento do grupo que acorreu em 1983, Peter Murphy seguiu uma carreira a solo com relativo sucesso. Antes de prosseguir a solo, esteve ainda envolvido em alguns projectos que acabariam por fracassar, como foi o caso de Dali's Car, alcançando mais tarde o sucesso a solo.
Nitidamente diferente do seu trabalho em Bauhaus, o som de Peter Murphy enquandra-se numa vertente pop/rock, muitas vezes glam rock. Este albúm não é mais do que um Best Of dos seus primeiros 10 anos de carreira em que esteve vinculado com a editora Beggers Banquet. Após rescindir o seu contracto com a editora e com um timing excelente, Peter Murphy lança este album que teve uma enorme receptividade por parte do grande público, tendo Peter ele mesmo escolhido as músicas que constam do disco.
Fazem parte deste Best Of músicas dos seus primeiros cinco discos, notando uma clara preferência da parte de Peter Murphy para com os seus trabalhos mais recentes até 1995, e notando-se o facto de que quase nenhuma música do seu primeiro albúm a solo "Should The World Fail To Fall Appart" constar do alinhamento.
Pode-se esperar deste disco um alinhamento consistente e repleto de músicas melódicas e harmoniosas que crescem dentro de nós sempre cada vez mais cada vez que as ouvimos.
O disco começa com o seu maior sucesso a solo, a música "Cuts You Up" que em 1990 fez um êxito estrondoso e inesperado e que foi considerada o "American Modern Rock Hit Of The Year" tendo conseguido levar o albúm "Deep" a elevar-se durante várias semanas ao top americano de albúns, onde atingiu a posição 44. Depois o albúm prossegue com inúmeros êxitos como por exemplo "Subway", "The Scarlet Thing In You", a minimalista "Strange Kind Of Love", "Hit Song", "All Night Long" e a minha preferida "I'll Fall With Your Knife", que tornam este disco uma colectânea capaz de nos viciar cada vez mais à medida que a vamos ouvindo.
Este é sem dúvida o disco que quem ainda não conhece a música de Peter Murphy deve ouvir para se intimizar com o seu trabalho. No entanto para quem já possui a discografia do cantor este albúm não apresenta um motivo real de interesse visto que não traz nenhum tema novo ou raridades que não a música "Jemal (Version Two)", mas para todas as outras pessoas este é um disco ideal e que reune alguns dos melhores temas de Peter Murphy.
Infelizmente talvez por falta de espaço dada a longa duração do disco (aprox. 75 min) algumas excelentes músicas ficaram de fora, como é o caso de "Crystal Wrists", "Marlene Dietrich's Favorite Poem" e "Wild Birds Flock To Me".
Peter Murphy é sem dúvida um música que merece o respeito de todos e que felizmente ou infelizmente sofre do "estigma Bela Luggosi" pois tal como o actor que morreu na pobreza depois de ter recusado continuar a fazer mais filmes como Drácula, papel que o imortalizou, também Peter Murphy é para sempre associado à banda Bauhaus. Por coincidência, Peter Murphy é um admirador dos filmes de Bela Lugosi e inclusivie lançou mesmo uma música intitulada "Bela Lugosi Is Dead" durante a época em que ainda integrava Bauhaus, e actualmente a solo continua a apresentar-se em palco muitas vezes vestido com uma capa de vampiro, o que algumas vezes causa com que seja alvo de alguma ridicularização por parte dos média que ignoram toda a carreira e percurso artístico do cantor, como aconteceu aquando da sua passagem pelo Festival Sudoeste em Portugal, em que alguns meios de comunicação se referiram a ele como "alguém que apesar de já ter alguma idade pensa que ainda é um jovem e um vampiro".
No entanto a forma como se apresenta em palco faz parte do mundo musical que criou e desenvolveu e que lhe valeram uma legião de fans. Por tudo isto, Peter Murphy é um músico cujos albums ou pelo menos este "Wild Birds" deve constar da estante de discos de qualquer amante de boa música.


Stranger to myself, a stranger
Stranger till the end

(...)

Take me to the stars for free
Point me to the high wire call
Wake me true and wake me all

Nota: 8,5/10

Peter Murphy - Wild Birds: 1985-1995
tracklist:
01 - Cuts You Up
02 - Subway
03 - The Scarlet Thing In You
04 - Indigo Eyes
05 - Keep Me From Harm
06 - Final Solution
07 - Deep Ocean Vast Sea
08 - Strange Kind Of Love
09 - Hit Song
10 - Huuvola
11 - All Night Long
12 - Dragnet Drag
13 - I'll Fall With Your Knife
14 - The Sweetest Drop
15 - Roll Call
16 - Jemal (Version Two)

Site Oficial: www.petermurphy.info

Publicado por HeartLess em 04:57 AM | Comentários (3)

julho 01, 2004

Maria Rita - Maria Rita

Maria Rita - Maria Rita

É certo que a música brasileira tem uma sonoridade muito própria e especial, e para aqueles que não estão habituados a ouvi-la pode até parecer repetitiva.
Eu não sou propriamente uma grande fã do panorama musical brasileiro. Nomeio e venero os grandes, é certo, como Gal Costa, Elis Regina e Caetano Veloso, mas em todos eles até o mais distraído dos ouvintes consegue reconhecer um brilho único e marcante. Foram vozes e ritmos que conseguiram singrar no meio das sonoridades quentes de um Brasil cheio de música, passível de cair no rótulo fácil. Este é um desses casos.
Reza a história que Maria Rita já era impressionante mesmo antes de saber falar, que a música seria o seu destino. A sua mãe é uma das lendas da música brasileira – Elis Regina – e seu pai um dos pianistas mais prestigiados do Brasil - César Camargo Mariano.
Não é no entanto, possível qualquer comparação entre mãe e filha. Sem dúvida que a voz de Elis marca presença em qualquer nota musical deste álbum, indisfarçavelmente notam-se a suas influencias na voz de Maria Rita e na garra com que conduz a música - contudo, é o timbre harmonioso, perfeito e quente de Maria Rita que dá corpo e alma, elegância e discrição às 13 faixas que compõem o álbum.
A composição é doce, precisa, rítmica e agressiva, triste e desiludida. Em cada faixa há uma história de vida e uma resposta musical à voz de Maria Rita, como se nota tão bem em “Agora só falta você”, em que o baixo quase personifica a resposta masculina à suprema feminilidade da vocalista.
Um álbum que oscila entre o blues sensual, a bossanova, a balada e o bolero, com alguns toques mais actuais, através das composições de nomes sonantes do panorama musical carioca, desde Milton Nascimento, passando por Rita Lee e Zélia Duncan, entre muitos outros.
Este é um trabalho supreendentemente maduro e irresistivel, de uma cantora jovem (26 anos) e excepcional em início de carreira.
Recomendável e indispensável, não só para os amantes da música brasileira, como para os que gostam de dançar, cantar, pensar, rir e sonhar através da música...

Nota: 9/10


Maria Rita – Maria Rita

Tracklist:
01 – A Festa
02 – Agora Só Falta Você
03 – Menininha do Portão
04 – Não vale a pena
05 – Dos Gardenias
06 – Cara Valente
07 – Santa Chuva
08 – Menina da Lua
09 – Encontro E Despedidas
10 - Pagu
11 – Lavadeira do Rio
12 – Veja Bem Meu Bem
13 – Cupido
14 – Estrela Estrela *
15 – Vero *

*Faixas adicionais, que podem ser descarregadas aqui

Site oficial: http://www.maria-rita.com/

Publicado por Jelliel em 10:32 PM | Comentários (10)

junho 29, 2004

Xutos & Pontapés - O Mundo Ao Contrário

Xutos & Pontapés - O Mundo Ao Contrário Os Xutos & Pontapés regressam mais uma vez com um novo albúm, desta vez com o nome de "O Mundo Ao Contrário". Um albúm sólido e consistente que traz a todos os fans da banda 10 novas músicas de qualidade. O registo vocal de Tim continua em grande forma e isto é mais visível neste disco do que nos que os antecederam porque existe nele um grande número de músicas mais calmas, que projectam a atenção do ouvinte mais para a voz do que para a música propriamente dita. No entanto nem todo o disco é assim. Logo no início podemos disfrutar da guitarra de João Cabeleira nas músicas "Desejo", "Pequeno Pormenor" e na já famosa "Ai Se Ele Cai" que cai facilmente no ouvido com o som hipnotizante da guitarra, e que foi uma escolha acertada para dar a conhecer este albúm ao público. Este som mais maduro dos Xutos, menos apoiado nas guitarras e fazendo da música um "todo" faz-nos também virar a atenção para as letras das músicas que neste album estão muito bem conseguidas, como se pode ver na música "O Mundo Ao Contrário" que dá o nome ao disco. O saxofone de Gui volta a integrar-se no som da banda fazendo-se notar em faixas como "Zona Limite". Os únicos "downsides" deste album é talvez o facto de a banda estar mais "madura" ser uma faca de 2 gumes, pois muitos dos fans da banda estariam à espera de um registo mais agressivo e acelerado como os Xutos há muito que nos habituaram, e também a pouca duração do disco que não atinge sequer a marca dos 40 minutos. No entanto este 17ª registo discográfico da banda e que assinala os 25 anos de carreira não vai decerto passar despercebido entre os muitos fans que esta conseguiu cativar ao longo dos anos.

Nota: 8/10

Xutos & Pontapés - O Mundo Ao Contrário
tracklist:
01 - Desejo
02 - Diz-me
03 - Ai se Ele Cai
04 - Pequeno Pormenor
05 - Zona Limite
06 - Fim de semana
07 - Gota a Gota
08 - Teimosia
09 - O Mundo ao Contrário
10 - Sombra Colorida

Site Oficial: www.xutos.pt

Publicado por HeartLess em 06:23 PM | Comentários (25)

junho 23, 2004

Mão Morta - Mutantes S.21

Recuando mais uma vez alguns anos, venho desta vez falar-vos de um disco que salvou uma carreira de uma banda que estava a beira do fim. Oriundos de Braga, cidade demasiado fechada e interior de um pais que não dá lugar a criatividade e a estranheza, a carreira dos Mão Morta estava num impasse, quando um programa de televisão mostrou ao pais uma canção estranha, mas incrivelmente melódica e catchy. O êxito foi estrondoso, e o disco demonstrou ser um dos mais bem conseguidos de uma banda impar no panorama musical nacional e internacional.
Mutantes S.21 foi editado em 1992, tendo como ideia base, ser uma descrição de diferentes cidades europeias através dos seus crimes mais comuns, mas como essa ideia era um pouco difícil de levar a cabo (afinal o que é um crime característico de uma cidade?), o resultado acabou por ser um mergulho no sub-mundo de cada uma dessas cidades. Lisboa, Berlim, Amesterdão, Paris, Barcelona… São estes os títulos das músicas – cidades. E liricamente o resultado não pode nunca ser considerado abaixo de genial, porque o que Adolfo Luxúria Canibal nos dá é uma viagem claustrofóbica aos extremos da sociedade, as franjas que ninguém quer ver: prostitutas, toxicodependentes, assassinos… Uma galeria de decadência, de personagens perdidas numa sociedade opressora e irreal, de sonhos desfeitos, de desespero latente, de vazio emocional. Poesia pura capaz de enlevar e fascinar qualquer um, um dos poucos casos em que letras são mais que meras palavras cantadas, em que se pode ler as letras como se de poesia pura se trata-se, com historias capazes de nos arrepiar, incrivelmente reais e cruas.
Musicalmente…É Mão Morta no seu estado mais puro. Rock n’ roll sujo, com laivos punk incrivelmente melódicos, com a curiosidade (genialidade) de cada faixa ter uma aura, um feeling que nos remete imediatamente para a cidade que o inspirou. De world music, ao rock característico do que se ouvia nessa altura nessa cidade, o ambiente criado pelos músicos é duma viagem sonora perfeita e hipnótica ao sub-mundo de cada cidade retratada. Músicas fortes são mais que muitas, visto este ser provavelmente o disco com mais clássicos "mão-mortianos": Berlim, Lisboa, Barcelona destacam-se pelo seu poder hipnótico de "punk n’ roll", e claro… Budapeste, a música maldita dos Mão Morta. A música que lhes salvou a carreira, mas que lhes criou o estigma de ficarem colados a uma musica orelhuda, estigma esse prontamente resolvido pela banda, abandonando imediatamente a música, nunca mais a tocando, renegando-a por completo, para não ficarem presos a esse clássico do rock nacional (toda a gente conhece esta música, toda a gente identifica imediatamente a sua melodia). Mas mesmo renegada, mesmo sendo um acaso, esta é sem a mínima duvida uma grande canção, um grande momento de rock, com a sua melodia catchy e o seu devaneio sonoro claramente inspirado em Velvet Underground. E o resto do disco consegue transpor esta pérola maldita…
No geral o que aqui temos é um disco genial de rock. Um mergulho clautrofóbico, uma viagem impar pela Europa desconhecida, sempre com um sentido melódico e ritmo fascinante e sedutor. Quem conhece este disco, quem conhece esta banda, quem mergulha neste universo de caos e decadência, não pode nunca deixar de soltar um sorriso quando se diz que a grande banda rock nacional são os Xutos e Pontapés. Sem o mínimo desprimor para os grandes Xutos.

Nota: 10/10

Alinhamento:

01 Lisboa (Por Entre as Sombras e o Lixo)
02 Amesterdão (Have Big Fun)
03 Budapeste (Sempre a Rock & Rollar)
04 Barcelona (Encontrei-a na Plaza Real)
05 Marraquexe (Pç. das Moscas Mortas)
06 Berlim (Morreu a Nove)
07 Paris (Amour A Mort)
08 Istambul (Um Grito)
09 Shambalah (O Reino da Luz)

Site Oficial: Mão Morta

Publicado por almahperditae em 03:30 AM | Comentários (28)

junho 16, 2004

Pixies - Surfer Rosa

Foi a 16 anos. Dois amigos guitarristas juntaram-se para formar uma banda, meteram um anúncio num jornal para encontrar outros membros, e respondeu a esse anúncio Kim Deal, baixista, trazendo consigo um amigo para tocar bateria. Estavam formados os Pixies. Tiveram um percurso normal de uma banda sem grandes motivações de sucesso, alguns discos, um êxito mais abrangente através da MTV num único tema, algumas digressões pelo território americano e pela Europa, mas uma banda de rock alternativo tão invulgar como os Pixies eram estavam condenados ao culto por parte apenas de alguns, e mesmo que os seus últimos discos até tivessem sucessos relativos, no inicio do Verão de 1991, fruto de desavenças entre o mentor, guitarrista e vocalista Francis Black, e a baixista Kim Deal, Francis bateu com a porta através dum bilhete para o manager da banda, e os Pixies cessaram funções terminando assim uma carreira curta mas significativa, mesmo que para apenas alguns.
Mas a semente estava lançada, e poucos meses depois do termino da sua actividade, uma banda inspirada no som que eles ajudaram a definir rebentou no mainstream, arrastando atrás de si uma revolução sem precedentes no universo musical, levando a que toda uma geração acabasse por descobrir a obra seminal desta magistrosa banda, levando a que os seus membros mais destacados conseguissem contratos milionários com as principais editoras, mesmo que tenham renegado a eles posteriormente (é conhecido o caso insólito de Francis Black que rescindiu contrato unilateralmente com a Sony pelo simples facto que a editora lhe pediu insistentemente para regravar um disco seu com melhores condições), fazendo com que o mito Pixies crescesse através dos anos, culminando com o seu retorno já este ano para uma digressão mundial que passou no fim de semana passado por Lisboa. Na audição do seu espólio, um disco se destaca, curiosamente o primeiro, o mais estranho, sujo, genial e melódico disco da sua carreira, provavelmente até o mais genial disco de indie rock de sempre – Surfer Rosa.
Produzido por Steve Albini (produtor anos mais tarde recrutado pelos Nirvana na tentativa de obter o som dos Pixies no seu disco In Útero) o disco vem acompanhado da demo Come on Pilgrim, resultando em 21 temas do melhor que o rock independente americano alguma vez produziu. Na audição deste disco várias emoções se cruzam, numa estranha amálgama de estilos incrivelmente melódicos, incrivelmente geniais. Temas clássicos, melodias contagiantes, ritmos ora frenéticos ora calmos e belos, uma mistura como nunca se viu na historia da musica de todos os géneros musicais, do blues ao rock puro, do punk ao surf, da folk ao goth-rock, guitarras distorcidas, gritantes, alternadas com um baixo melódico, gritos raivosos e dementes alternando com vozes limpas e melódicas quer de Francis Black quer de Kim Deal, psicadelismo envolvente, raiva pungente, musica depressiva com laivos de alegria contagiante, ritmos festivos com melodias deprimentes e tristes, beleza contagiante de guitarras acústicas rasgada por guitarras sujas… É impossível dizer o que Surfer Rosa é. É um som único e inimitável, é o melhor de todos os estilos musicais alguma vez criados, tudo ao mesmo tempo, é uma sensação de estranheza que o atravessa, é um vicio auditivo, uma amalgama de sensações e emoções impossíveis de descrever, este é um disco obrigatório para qualquer amante de musica seja de que estilo for. Esta é a obra-prima do indie rock, o disco que Kurt Cobain sempre quis fazer e nunca conseguiu. Existem sem a mínima duvida discos melhores que este… Mas não muitos.

Nota: 10/10

Alinhamento:

1. Bone Machine
2. Break My Body
3. Something Against You
4. Broken Face
5. Gigantic
6. River Euphrates
7. Where Is My Mind?
8. Cactus
9. Tony's Theme
10. Oh My Golly!
11. Vamos
12. I'm Amazed
13. Brick Is Red
14. Caribou
15. Vamos
16. Isla De Encanta
17. Ed Is Dead
18. The Holiday Song
19. Nimrod's Son
20. I've Been Tired
21. Levitate Me


Site: Pixies

Publicado por almahperditae em 07:03 PM | Comentários (14)

junho 04, 2004

Pantera - The Great Southern Trendkill

Um disco mal-amado. A ideia que tenho é que com a excepção de Reinventing The Steel este é o disco mais mal amado pelos fãs de Pantera. Ser ou não pior que os anteriores é uma questão bastante discutível, agora, que este não é de perto nem de longe um mau disco, isso não de certeza. Antes pelo contrário.
O que temos aqui era provavelmente material para dois excelentes EP's: Um com músicas mais fortes, de um thrash musculado, por vezes psicótico, sempre raivoso; e outro com músicas mais calmas, melódicas, intimistas até. Desse modo resolvia-se o problema deste disco, o som demasiado disperso, indo do extremo intimista de Suicide Note pt#1 para o extremo raivoso e demencial de Suicide Note pt#2, a transposição de uma faixa para a outra é feita de um modo rápido, e bastante competente, mas quando se ouve o disco num todo, existe sempre a sensação que o disco está dividido em dois mundos. Este é o defeito, o não ser um disco coerente, mas o que importa no fundo são as músicas certo? Certo.
E o que temos aqui é Pantera no seu melhor. Cada trecho individual é uma peça unica de genialidade lirica e musical, com os membros da banda a demonstrarem o porque de serem dos melhores musicos mundiais, seja no groove que empregam nas músicas pesadas, seja na sensibilidade nas peças mais calmas. Sempre com um sentido ritmico como poucas (ou nenhuma) banda consegue ter, com melodias capazes de nos fazer balançar a cabeça em head-bangings violentos, quer em nos fazer voar dentro de nós pairando na bela voz de Phil cantando sobre suicidio, ou sobre os problemas de droga que já vivia nessa altura. Ou então letras de uma raiva violentissima, atacando (pasme-se) os fãs, criticando-os por serem ovelhas no rebanho em que são pastores, criticando a juventude acéfala que segue as modas, desfazendo em versos cheios de significado e realismo, duma coragem quase inédita, toda uma horde de fanáticos e de admiradores do som de que são (ou foram) porta-estandartes. Estes os extremos em que o disco flutua, cada um deles de uma sinceridade, poesia, genialidade desconcertantes. Se querem um disco com grandes músicas este é um disco a ouvir. Se querem discos mais conceptuais, ou pelo menos menos divergentes talvez não seja o vosso disco. Mas pelo menos as músicas, essas terão sempre lugar nas minhas preferências, quer seja quando me sinto mais em baixo e quero músicas calmas, quer seja quando me sinto mais leve e quero som capaz de me fazer mexer. Depois deste disco a banda desmoronou-se, editando apenas um disco já bastante fraco e culminando com a separação da banda o ano passado. Este é o canto de cisne de uma das bandas que mais deu ao metal, um dos grandes nomes (se não o maior) do Metal.

Nota: 8/10

Alinhamento :

1. The Great Southern Trendkill
2. War Nerve
3. Drag the Waters
4. 10's
5. 13 Steps to Nowhere
6. Suicide Note, Pt. 1
7. Suicide Note, Pt. 2
8. Living Through Me (Hell's Wrath)
9. Floods
10. The Underground in America
11. Sandblasted Skin (Reprise)


Formação :

Phil Anselmo voz
Dimebag Darrel guitarras
T-Rex Brown baixo
Vinnie Paul bateria

Site Oficial : Pantera

Publicado por almahperditae em 05:07 AM | Comentários (9)

maio 15, 2004

Vesperian Sorrow - Psychotic Sculpture

Vesperian Sorrow - Psychotic Sculpture Vesperian Sorrow é daquelas bandas capazes de nos cativar a atenção como poucas conseguem. Com um som black metal muito próprio e com algo de original, ninguém suspeitaria sequer que esta banda é proviniente do Texas, Estados Unidos. Realmente não tem nada a ver com o som que os USA está habituado a exportar e depressa julgariamos estar presentes de uma banda do norte da Europa, mas afinal não. Surpreendente é também a qualidade musical desta banda. Desde a 1ª faixa até à última, este albúm é capaz de prender a atenção de qualquer amante de black metal e não só. Com um som de bateria com muita dupla pedaleira, uma voz que se encaixa perfeitamente e com guitarras que por vezes têm solos que mais lembram metal progressivo do que propriamente black metal, este é um album que é inovador em muitos aspectos. Trata-se sem dúvida de um trabalho original e de um passo gigantesco da banda em relação ao seu albúm anterior. Além disso a capa do disco foi desenha por Daniel Long (http://www.novembre.ws) que também já fez capas para discos de bandas tais como Iniquity e Lilitu. Destacam-se a brilhante "Solitude", "Spiral Symphony", "Nebula Design" e "Arena Unorthodox".

Nota: 10/10

Vesperian Sorrow - Psychotic Sculpture
Tracklist:
01 - Solitude
02 - Psychotic Sculpture
03 - Spiral Symphony
04 - Into The Realm Of Dreams And Haunts
05 - Nebula Design
06 - The Singularity
07 - Arena Unorthodox
08 - Astrodramatica
09 - Odyssium

Site Oficial: www.vesperiansorrow.net

Publicado por HeartLess em 04:55 PM | Comentários (0)

maio 14, 2004

Alan Stivell - The Mist Of Avalon

Alan Stivell - The Mist Of AvalonEsta é uma das relíquias de Alan Stivell, considerado o fundador do movimento musical celta contemporâneo, em que os ecos da tradição celta e do mundo das lendas de Artur e Camelot que não se perderam não nos largam nem por um momento ao longo das músicas.
É entradote, este álbum, data de 1991, mas penso que não será difícil encontrarem-no num recanto mais escondido dedicado à música irlandesa/celta de uma qualquer discoteca, ou até mesmo nas secções de música de alguns hipermercados.
Alan Stivell tem, e continua a ter, a capacidade de nos fazer sorrir e sentir a nostalgia de uma Camelot que nunca conhecemos, nem sabemos se ao certo existiu, de nos entristecer com a história de uma dama do lago, de nos fazer sentir grandes, com o relato de uma vitória grandiosa celta.
E ao longo de sorrisos mais abertos e outros menos, fazendo roçar em nós uma tristeza breve, Alan Stivell criou aqui uma homenagem e um hino surpreendente aos livros de Marion Zimmer Bradley, “As Damas do Lago” e “ As Brumas de Avalon”, mas também às tradicionais músicas e poemas bretões, sendo que muitas das faixas são o misto do inglês actual e do bretão, o dialecto da outrora Britania, e outras exclusivamente deste dialecto.
Para além das sonoridades puras e definitivamente típicas celtas, este é um álbum que nos deixa agradavelmente curiosos, quando ouvido pela primeira... é calmo e esfuziante, é triste e celebrador. Sente-se ser antigo e sábio, sente-se que tem muito para contar e ouvir com mais atenção. Ouvi-lo todo, sem excepção...

Alan Stivell - The Mist Of Avalon
Faixas:
1 - La Dame du Lac
2 - Morgan
3 - Camaalot (Hymn I)
4 - Guenievere
5 - Le Chant de Taliesin
6 - La Blessure d’Arthur
7 - Le Vals Sans Retour
8 - Belenton
9 - Olwen
10 - Quest
11 - An Advod
12 - Horses on the Hills
13 - Strink Ar Graal
14 - From Avallac’h
15 - Gaelic Tribes Gathering
16 - The Return (Hymn II)

Nota: 9/10

Site Oficial: www.alan-stivell.com

Publicado por Jelliel em 06:36 PM | Comentários (0)

maio 02, 2004

Mão Morta - Nus

Mão Morta - Nus Depois de um "Primavera de Destroços" mais suave e um pouco mais trabalhado de forma a cativar mais fans e obter maiores vendas, os Mão Morta voltam novamente aos albuns conceptuais com este recentemente lançado "Nus". "Nus" é uma viagem. É um som que nos embala e adormece o corpo ao mesmo tempo que acorda o espírito. "Nus" é a prova que os Mão Morta depois de 20 anos de existência estão saudáveis e que continuam a surpreender e presentear os fans com qualidade. O album é maioritariamente sobre morte e vícios, donde se destacam o vício do alcool e o da droga. A primeira música intitulada "Gumes" é de longa duração e é um pouco estranha para a maioria dos consumidores de música portuguesa. É uma escolha arriscada e para ser a primeira faixa do album, visto que a maioria das bandas preferem guardar este genero de músicas como última faixa do disco. Os Mão Morta resolveram arriscar e penso que foram bem sucedidos. É uma música que está dividida por várias etapas e que sem dúvida alguma resultaria muito bem com um acompanhamento teatral. O album depois prossegue com músicas mais curtas e mais ritmadas ao estilo que os Mão Morta já há muito tempo nos habituaram. Miguel Guedes da banda Blind Zero tem uma boa participação na música "Gnoma" que penso que deverá ser a escolhida para passar nas rádios e/ou videoclip visto que é que cai mais facilmente no ouvido. No entanto pessoalmente penso que no album se destacam mais as músicas "Vertigem", "Tornados" e "Cárcere". É extramente aconselhável a leitura da letra das músicas deste album mesmo para quem não gosta do som dos Mão Morta, no mínimo servem como boas obras de poesia. É também relevante lembrar que o este album de Mão Morta foi lançado a 13 de Abril pelo preço de 9.50 euros na compra da revista Blitz, o que o pôs a um preço bastante acessível. Assim ficou demonstrado que os Mão Morta são como o vinho, quanto mais velho mais doce.

Nota: 9/10

Mão Morta - Nus
Tracklist:

01 - Gumes
02 - Gnoma
03 - Vertigem
04 - Estilo
05 - Tornados
06 - Cárcere
07 - Morgue

Site Oficial: www.mao-morta.org

Publicado por HeartLess em 06:11 PM | Comentários (2)

abril 20, 2004

Eric Clapton - Me And Mr. Johnson

Confesso que o meu interesse neste disco era diminuto. Apesar de grande apreciador de blues (ou talvez mesmo por isso) não tinha a menor curiosidade em ouvir a interpretação de algumas das canções do maior ícone do delta blues, por um dos maiores divulgadores e ao mesmo tempo detractores, daquela que é a base musical de toda a música popular do século XX. Mas uma critica do Blitz desta semana fez-me querer ouvir, tal a ferocidade que o Sr. Jorge Mourinha colocou na crítica deste disco, contra Eric Clapton. Simplesmente tinha que ouvir, e verificar se realmente a obra genial do mito tinha mesmo sido tão vilipendiada. Eric Clapton penso que todos conhecem, guitarrista original dos Yardbirds nos anos 60, acabou por sair e seguir uma carreira a solo, porque sentia que cada vez mais se afastava do blues e a musica comercial não o seduzia. Ironia do destino, acabou por se tornar o exemplo mor do blues comercialóide, enquanto os Yardbirds se tornaram a banda de culto do blues-rock, até ao momento em que se reinventaram nos Led Zeppelin. O Mr. Johnson do título deste disco já é uma figura bastante mais obscura. Robert Johnson de seu nome, negro na América sulista nos anos 30, miúdo tímido e fugidio, rufia e vagabundo, morreu demasiado cedo, sem se saber ao certo a idade (talvez 21, dizem uns 27 dizem outros), sem se saber ao certo porque (envenenado por uma mulher dizem), sem se saber ao certo quem na realidade era (fugindo de cidade em cidade, ao sabor dos problemas com as autoridades), deixando apenas e só um pequeno espólio de canções (29 ao todo) sobre mulheres e Satanás, dispersas por vários estúdios nas diferentes cidades por onde passava. Espólio cuidadosamente recolhido por alguém que ao ouvir uma gravação sua ficou perplexo com tal sensibilidade e genialidade, e quis encontrar o tal miúdo que ninguém parecia recordar bem, seguindo o rasto das gravações e dos registos policiais apenas para saber meses mais tarde a notícia da sua morte. Mas as gravações estavam em seu poder, e dai a confirmação da genialidade do tal miúdo foi um pequeno passo, tornando-se a maior lenda do blues, considerado o maior blues-man de todos os tempos, influenciando todas as gerações vindouras com os seus relatos dos seus desamores e do episódio em que encontrou o Diabo num cruzamento a meia-noite e ai vendeu-lhe a sua alma em troca do talento musical.
Este disco é o projecto de uma vida. Desde o dia em que pegou numa guitarra que Eric Clapton sonhava gravar um disco de homenagem ao seu artista favorito. Ao fim de uma carreira de quarenta anos o seu sonho é concretizado. E devo dizer que gostei bastante do disco. Uma mistura de pop com blues é certo, mas ao contrario do que pensei a priori, e ainda mais depois de ler a critica, neste disco existe mais blues que pop, mostrando-nos Clapton o porque de em tempos ter sido considerado o Deus do blues. A guitarra solo está simplesmente perfeita, não entrando tanto como deveria, mas transmitindo toda a alma devida, a voz de Clapton consegue de tempos a tempos transmitir a emoção que estas peças magistrais merecem e nesses momentos todos os meus receios são desfeitos. Mas… os teclados eram perfeitamente supérfluos, algumas introduções simplesmente insultuosas, e as vezes isto consegue destruir toda a génese do original. No geral é um bom disco, e uma homenagem bastante satisfatória a Robert Johnson, mas por vezes não conseguimos deixar de pensar que talvez Clapton conseguisse fazer bastante melhor, visto que em alguns momentos nos é possível verificar que Clapton talvez seja mesmo a única pessoa capaz de se aproximar do original. Mas infelizmente essa oportunidade perdeu-se a perto de trinta anos, e hoje em dia ele já não é capaz de manter constantes os níveis de excelência que se verificam aqui neste disco. Ficamo-nos por um resquício de uma genialidade a muito perdida, e a certeza que o trono de Robert Johnson não poderá ser reclamado por ninguém.

Nota: 7/10

Alinhamento:

1. When You Got A Good Friend
2. Little Queen Of Spades
3. They're Red Hot
4. Me And The Devil Blues
5. Traveling Riverside Blues
6. Last Fair Deal Gone Down
7. Stop Breakin' Down Blues
8. Milkcow's Calf Blues
9. Kind Hearted Woman Blues
10. Come On In My Kitchen
11. If I Had Possession Over Judgement Day
12. Love In Vain
13. 32-20 Blues
14. Hell Hound On My Trail

Sites: Eric Clapton ; Robert Johnson

Publicado por almahperditae em 12:39 PM | Comentários (15)

abril 16, 2004

Heavenwood - Swallow

Heavenwood - Swallow E porque um dos objectivos deste blog é divulgar bandas portuguesas e porque em Portugal também existe música de qualidade, trazemos desta vez os Heavenwood. Lançado em 1998 pela Massacre Records, Swallow é um dos melhores albuns na vertente Gothic Metal lançado por uma banda lusitana. Com uma guitarra vibrante, uma bateria com um ritmo marcante, uma voz bastante agradável, um som de baixo que se encaixa perfeitamente e teclados que lhe dão um toque especial, Swallow é um album muito bem conseguido. Com uma forte influência Heavy Metal, os Heavenwood não obedecem ao que se poderia chamar som "normal" no Gothic Metal. Este é um album que facilmente se poderia infiltrar no mainstream musical e efectivamente fê-lo com algum sucesso, infelizmente maior no estrangeiro do que em Portugal. Sendo o album muito bom no seu todo, destacam-se as músicas "Heartquake", "Rain Of July", "Suicide Letters" e "Season '98". Enriquecendo ainda mais a sonoridade, este albúm conta com a participação de Kai Hansen (Gamma Ray) na música "Luna" e Liv Kristine (Ex - Theatre Of Tragedy, Leaves' Eyes) na musica "Downcast". Também Alexander Krull (vocalista de Atrocity) assina a conceptualização da capa do CD. Após o lançamento deste album a banda esteve em Tour com Atrocity e Theatre Of Tragedy, bandas com um nome de peso dentro do meio em que se inserem. Mais tarde a banda esteve parada vários anos devido a problemas com o seu manager e muito recentemente voltou ao trabalho já com um novo manager e encontra-se neste momento em estúdio em gravações. A ver vamos se continuam em boa forma. A banda tem efectuado alguns concertos ao vivo nos ultimos meses tocando já material novo e os comentários acerca desses mesmos concertos não têm sido nada animadores.

Nota: 9/10

Heavenwood - Swallow
tracklist:
01 - Heartquake
02 - Soulsister
03 - Rain Of July
04 - Suicide Letters
05 - Shadowflower
06 - Luna
07 - Season '98
08 - At Once And Forever
09 - Downcast

Site Oficial: www.heavenwood.web.pt

Publicado por HeartLess em 01:57 AM | Comentários (2)

abril 11, 2004

Beatallica - Beatallica

Beatallica - Beatallica Depois de em 2001 surpreenderem o mundo a lançarem o "A Garage Dayz Nite", os Beatallica estão de volta desta vez com um disco de nome homónimo - Beatallica! Mais uma vez estes 2 rapazes que preferem manter o anonimato por razões óbvias (copyright) trazem algo engraçado ao mundo do metal e que vale a pena dar 2 ouvidinhos de música. A banda continua a misturar as letras de Beatles com o som dos Metallica e vice-versa, dando origem a um som bastante agradável e que no mínimo deve ser ouvido nem que seja por curiosidade. Não sendo este novo disco de Beatallica tão bom como o primeiro, é no entanto bem melhor que o St. Anger dos Metallica. Como bónus, tanto o primeiro disco da banda como o novo de Beatallica estão disponíveis para download no site oficial da "banda".

Nota: 6/10

Beatallica - Beatallica
tracklist:
1 - Blackened the USSR
2 - Sandman
3 - And I'm Evil
4 - Got to Get You Trapped Under Ice
5 - Leper Madonna
6 - Hey Dude
7 - I Want To Choke Your Band
8 - We Can Hit The Lightz

Site Oficial: www.beatallica.com

Publicado por HeartLess em 04:04 AM | Comentários (3)

abril 10, 2004

Brutal Truth - Sounds Of The Animal Kingdom

Cá estou eu de novo, depois de um interregno de sensivelmente um mês sem escrever nada aqui nem na origem. Estou, no entanto, de volta. E com uma review acerca de uma banda que descobri recentemente. Brutal Truth têm um nome a condizer, pelo menos a primeira parte. Não há, de facto, melhor palavra para os descrever do que "Brutal". Hoje, trago-vos a review do disco "Sounds of The Animal Kingdom". Basta ouvir a voz de Sharp para perceberem o nome do disco. No entanto, já vi pior. A voz encaixa-se perfeitamente no tecnicismo e velocidade do guitarrista Lilker, enquanto a potente bateria de Hoak debita solos de bombo em catadupa. Muito ao estilo de uns Anthrax ou Nuclear Assault, presenteiam-nos com 22 faixas de puro Grindcore, assente nas influências de bandas míticas como Napalm Death ou Carcass. Criticam tudo e todos; desde políticos à Igreja, passando pelo sexo ou exageros da indústria. Muito aconselhável para quem precisa de exorcizar a raiva através de violentas cabeçadas na parede (efeito garantido). Pouco aconselhável, no entanto, a pessoas com mentalidades ou corações frágeis. No entanto, nem tudo são rosas; há a apontar a duração das musicas. Exceptuando a última, que dura 21 minutos, nenhuma passa dos 4 e algumas chegam ao ridículo de atingir a espantosa marca de... 11 segundos. No entanto, não é a quantidade que está em causa e, sim, a qualidade. E essa, está garantida.

Nota: 8/10

Playlist:
1. Dementia
2. K.A.P. (Kill All Politicians)
3. Vision
4. Fucktoy
5. Jemenez Cricket
6. Soft Mind
7. Average People (Fiend)
8. Blue World
9. Callous
10. Fisting
11. Die Laughing
12. Dead Smart
13. Sympathy Kiss
14. Pork Farm
15. Promise
16. Foolish Bastard
17. Postulate Then Liberate
18. It's After The End Of The World (Original dos Sun-Ra)
19. Machine Parts
20. 4:20
21. Unbaptized
22. Prey

Site Oficial:
http://www.brutaltruth.com/brutal_truth/

Publicado por aShBuRn em 11:56 PM | Comentários (3)

março 24, 2004

OSI "Office of Strategic Influence"

OSI official siteEste é mais um dos muitos projectos em que Mike Portnoy (DREAM THEATER) participa. Se ainda há quem dê importância à apresentação dos conteúdos, este trabalho certamente chamará desde logo a atenção. Vem numa embalagem muito cuidada, especialmente a versão limitada que desde logo aconselho. Trata-se de um pequeno livro com hard cover que inclui informações diversas sobre o trabalho e sobre os diversos intervenientes. O conteúdo é formidavel. Os temas são todos muito bons, muito originais, uma produção muito bem conseguida e uma execução a todos os níveis irrepreensível mas não esperem virtuosismos. Aqui a música ficou em primeiro plano e os músicos (todos eles do mais alto nível) em segundo.


  • Jim Matheos: guitarra, teclados, programações;

  • Kevin Moore: voz, teclados, programações;

  • Mike Portnoy: bateria;

  • Sean Malone: baixo, stick;

  • Steve Wilson: voz em "shutDOWN".

    Produção: Kevin Moore e Jim Matheos

Faixas:

01. The New Math (what he said)
02. OSI
03. When You're Ready
04. Horseshoes And B-52's
05. Head
06. Hello, Hellicopter!
07. shutDOWN
08. Dirt From A Holy Place
09. Memory Daydreams Lapses
10. Standby (looks like rains)
* videoclip "horseshoes And B-52's"


Bonus CD da edição limitada:

01. Set The Controls For The Heart Of The Sun
02. New Mama
03. The Thing That Never Was
*documentário em formato video

Publicado por jesusrocks em 05:35 AM | Comentários (0)

março 21, 2004

Epica - The Phantom Agony

Epica - The Phantom AgonySe se lembram dos After Forever, lembram-se também de Mark Jansen, um dos principais mentores criativos da banda. Após a sua saída, em 2002, Mark Jansen lançou-se a um novo projecto, Epica, nome que surgiu em homenagem a um dos grupos favoritos da banda – Kamelot (que possui um álbum com o mesmo nome).
“The Phantom Agony”, lançado em meados do ano passado, é o primeiro álbum da banda, composta Simone Simons, a jovem mezzo-soprano, dona de uma voz impressionante, Coen Jansen (teclados), Ad Sluitjer (guitarra) e Jeroen Simons (bateria), ambos dos Cassiopeia, e Yves Huts (baixo), dos Axamenta, para além de contar com a participação de um coro clássico, e de alguns elementos de orquestra.
“The Phantom Agony” é a prova de que os extremos podem tocar-se e fundir-se num só, originando uma harmonia sem igual. Uma fusão do latim e do árabe, das orquestras e coros clássicos com a voz irresistível da mezzo-soprano Simone Simons, passando pela voz rude e agreste de Mark Jansen. À medida que se descobre este álbum, torna-se cada vez mais difícil ser-lhe indiferente. Não tenham dúvidas, este é um álbum que marca ao ser ouvido, não apenas pela grandiosidade evidente em cada acorde, em cada palavra, em cada nota de violino, mas pelo todo indissociável que ele demonstra ser.
É assim a partir da primeira faixa, Adyta (The Neverending Embrace), uma introdução ao estilo gregoriano, que contrasta com Sensorium, uma música de metal que começa com um interessante loop de piano que regressa no final, após o surpreendente primeiro encontro com a voz de Simone Simons, sendo uma faixa bastante similar às músicas de After Forever.
Cry for the Moon (The Embrace that Smothers – Part IV) é uma faixa grandiosa, com uma introdução muito parecida a “1492 – The Conquest of Paradise”, de Vangelis, que desaparece logo após a entrada do coro e dos primeiros acordes da orquestra, tornando-a numa das baladas mais interessantes deste primeiro álbum da banda holandesa.
Tal como a maioria das faixas, Feint, a balada gothic pop, uma das minhas preferidas, é recheada de violinos e violoncelos, sendo evidente que é sobretudo a voz de Simone Simons que a sustenta, fazendo, nalguns pontos da música, lembrar a voz de Teresa Salgueiro dos Madredeus. Illusive Consensus – esta é uma música poderosa, em que violinos e violoncelos são usados para completar as guitarras e os baixos. Facade of Reality (The Embrace that Smothers – Part V), é uma das pérolas deste álbum. O som das guitarras, as passagens latinas e a voz de Mark Jansen conferem a esta música uma qualidade épica. A meio, a música torna-se muito mais suave e lenta, e os violoncelos e violinos envolvem a voz de Tony Blair, o primeiro-ministro britânico, a comentar os acontecimentos de 11 de Setembro. A música e a letra, após esta passagem da música tornam-se diferentes, tal como a realidade do nosso dia-a-dia, após o 11/9. Há que sublinhar, no entanto, que esta é uma das mais bem conseguidas músicas do álbum, embora não se consiga, de facto, colocar alguma das nove faixas de lado.
Run for a Fall é uma balada que faz jus à voz de Simone, que tem, de resto, ao longo de todo o álbum, interpretações impressionantes e de uma qualidade sem igual.
Seif al Din é uma música forte e interessante, recheada de vestígios árabes, não só em termos musicais como na letra, mas onde se sente também uma forte influência de Rhapsody, evocada por Simone Simons.
E então, quando se pensava que tiráramos todos as conclusões, eis que surge “The Phantom Agony”, a prova de que o melhor está guardado para o fim. E assim é, já que não há palavras que suficientes para descrever esta música, que mais parece uma “mini-banda-sonora”. Poder-se-á dizer que representa a verdadeira essência dos Epica.
Dramático, forte e irresístivel... este é um álbum simplesmente impressionante, capaz de agradar uma vasta qualidade de públicos, desde os amantes do gothic metal até aos mais acérrimos apreciadores da música clássica.
Por cá, aguarda-se ansiosamente mais trabalhos desta banda holandesa. Como lia há um tempo, numa review acerca deste álbum: “Epica is ready for the world. The question you face is... are you ready for Epica?”


Simone Simons - voz
Mark Jansen – compositor, voz
Ad Sluitjer - guitarra
Jeroen Simons - bateria
Coen Jansen - teclados
Yves Huts - baixo

Faixas:
1 – Adyta
“The Neverending Embrace”
2 – Sensorium
3 – Cry for the Moon
“The Embrace that Smothers – Part IV"
4 – Feint
5 – Illusive Consensus
6 – Façade of Reality
“The Embrace that Smothers – Part V”
7 – Run for a Fall
8 – Seif al Din
“The Embrace that Smothers – Part VI”
9 – The Phantom Agony

Site oficial da banda: www.epica.nl

Nota: 10/10

Publicado por Jelliel em 11:49 PM | Comentários (7)

março 11, 2004

Sirenia - An Elixir For Existence

Sirenia - An Elixir For Existence A banda Sirenia fundada por Morten Veland (ex Tristania) veio novamente dar provas que é capaz de inovar e afirmar-se dentro do género musical em que se insere. Com um som algo diferente das normais bandas de gothic metal, os Sirenia trazem com este novo album intitulado An Elixir For Existence algo que o género musical estava a precisar: inovação. Insistindo mais nos teclados que no 1º album "At Sixes And Sevens" o album é no entanto, mesmo assim, ligeiramente mais "pesado". É um album que não vai certamente desiludir os já muitos fans da banda e que poderá fazer também as delícias que gostaram do album "Beyond The Veil" de Tristania. Especial destaque para as músicas "Lithium And A Lover", "A Mental Symphony", "The Fall Within" e "Seven Sirens And A Silver Tear" que serão talvez as músicas que mais facilmente captarão a vossa atenção para o albúm, não ficando no entanto as outras músicas atrás destas em termos de qualidade.

Nota: 9/10

Sirenia - An Elixir For Existence
Tracklist:
01 - Lithium And A Lover
02 - Voices Within
03 - A Mental Symphony
04 - Euphoria
05 - In My Darkest Hours
06 - Save Me From Myself
07 - The Fall Within
08 - Star-crossed
09 - Seven Sirens And A Silver Tear

Site Oficial: www.sirenia.no

Publicado por HeartLess em 07:55 PM | Comentários (6)

fevereiro 17, 2004

Love Spirals Downwards - Idylls

Love Spirals Downwards - Idylls (Project Records)Nos idos anos 90, Ryan Lum e Suzanne Perry fundaram os Love Spirals Downwards e com ele surpreenderam, agradaram e conquistaram discretamente os fãs da cena etérea musical. Deixaram saudades, ao partirem para outros projectos, mas ficou a música que, como alguém disse um dia, “é eterna”.
Não é fácil “catalogar” musicalmente os LSD. Foram uma banda simples, discreta, que subsistiu e sobreviveu pelo simples amor à arte e pela necessidade de dar novas músicas à Música.
É verdade que encontramos as marcas bem fortes de Cocteau Twins ou de Dead Can Dance, mas o carácter forte da banda quase que apaga estas “heranças”.
Autenticidade, sobriedade, equillíbrio e surpresa são alguns dos elementos que podemos encontrar nos seus álbuns, todos donos de uma dimensão e profundidade admiráveis, mas sobretudo em Idylls, o primeiro álbum da banda, e o seu melhor embaixador, cujas faixas nos fazem mergulhar num mar desconhecido, mas precioso.
A voz limpa e cristalina de Suzanne Perry é, sem dúvida alguma, a alma deste oceano, que nos leva até civilizações antigas e línguas mortas, a encantos enterrados pelo passar dos séculos e memórias escondidas dentro de nós.
Todas as faixas são donas de uma linearidade e cumplicidade muito fortes, para além de ser mesmo impossível não ficarmos perturbados com a dimensão que elas alcançam. Não querendo menosprezar nenhuma das 13 faixas, porque são todas, de facto, notáveis, deixo-vos com uma transcrição de Stir About the Stars...

I begin again, as the world outside ends.
Dense, even in the still light, to owe you my life
I tell you, make castles when you want to.
And fill them with sights.
Stir about the stars during nights below these tides”.

Stir About the Stars


Faixas:
1. Illusory Me
2. Scatter January
3. Love's Labour's Lost
4. This Endris Night
5. Forgo
6. Eudaimonia
7. Dead Language
8. Stir About the Stars
9. Noumena of Spirit
10. Ladonna Dissima
11. Drops, Rain, and Sea
12. Waiting for the Sunrise
13. And the Wood Comes Into Leaf

Nota: 8/10

Publicado por Jelliel em 04:32 PM | Comentários (0)

fevereiro 11, 2004

Flaw - Through The Eyes

flaw.jpg

Goste-se ou não de Nu-Metal, há sempre bandas que valem a pena ouvir. Umas mais, outras menos. Algumas são, à partida, para esquecer. Outras, para adorar. Mesmo para os metaleiros ditos "clássicos". Uma das bandas que fica no ouvido de qualquer metaleiro são os Flaw, banda acerca da qual venho hoje fazer uma review do seu segundo álbum, "Through The Eyes". "Through The Eyes" tem, para começar, um nome perfeito; a musica entra-nos não apenas nos ouvidos, mas em todo o corpo, ora desencandeando reacções espontâneas nos músculos do pescoço, impedindo o ouvinte de ficar com a cabeça quieta, obrigando-o ao headbang, ora invadindo-nos as emoções através das melancólica guitarra de Lance Arny e da doce voz de Chris Volz, ora estoirando-nos com os tímpanos na caótica explosão decibélica que se tornam os fins das suas baladas. Ritmos intensos, riffs alucinantes, mudanças de velocidade estonteantes. Tudo a cargo de uma secção rítmica composta por Chris Ballinger na bateria e Ryan Jurhs (antigo guitarrista) no baixo.
A destacar, todo o CD. Mas especialmente em foco, temos a angustiante "One More Time", a apoteótica "Whole" ou a devastadora/calmíssima "Only The Strong" (esta existente em duas versões, normal e acústica, sendo esta última versão um bónus). Também a destacar o seu primeiro single, "Payback", uma mescla de sentimentos negativos adicionados a duas guitarras apocalípticas e uma secção rítmica simplesmente demolidora.

"Through The Eyes", Flaw 2001 (Universal Records)

1. Amendment
2. Best I Am
3. Get Up Again
4. Inner Strength
5. My Letter
6. Only The Strong
7. Out Of Wack
8. Reliance
9. Scheme
10. What I Have To Do
11. Whole
12. One More Time
13. Only The Strong (Acoustic) - Bonus Track

Site Oficial:

flaw_logo.gif

Publicado por aShBuRn em 09:47 PM | Comentários (5)

DREAM THEATER "Train of Thought"


DREAM THEATER "Train of Thought"

Formação actual:
James LaBrie - voz
John Myung - baixo
John Petrucci - guitarras
Mike Portnoy - bateria
Jordan Rudess - teclados

Violoncelo em "Vacant" por Eugene Friesen

Temas:
1 - As I Am
2 - This Dying Soul
3 - Endless Sacrifice
4 - Honor Thy Father
5 - Vacant
6 - Stream of Consciousness
7 - In The Name of God

Com produção de John Petrucci e Mike Portnoy e misturas de Kevin Shirley, foi editado no ano passado (2003) o mais recente trabalho dos Dream Theater. Muito se poderia dizer de uma banda que assumiu, com tudo o que isso implica, as rédeas do Metal Progressivo mundial. A profundidade das suas criações são testemunho da capacidade evolutiva do Ser Humano tanto física como espiritualmente. Deste trabalho destaco apenas 7 temas:

O primeiro tema "As I Am" percorre alguns lugares comuns do Heavy Metal internacional. Consegue-se descortinar algo de Metallica, Megadeth, Pantera e o final do tema é típicamente Slayer (para quem não sabe, há uns anos atrás na Tour do "Falling Into Infinity" os DT tocavam a introdução da "Reign In Blood" durante o solo de bateria do Portnoy). Um tema delicioso para quem gosta do Metal mais «clássico». Depois de abrirem o albúm com esta homenagem a alguns dos seus colegas de profissão seguem mais para o seu meio, o Prog. O tema seguinte apresenta uma estrutura muito mais complexa bem mais ao estilo do que os DT nos têm habituado e termina num prolongado e arrepiante duelo entre teclados e a guitarra. "Endless Sacrifice" é uma típica power ballad com verso calmo e tranquilo, refrão poderoso e dinâmico, secção de solos arrepiante e um final apoteótico. Uma passagem pelo estilo NU Metal, muito na moda. A introdução da canção seguinte faz mais uma vez lembrar Slayer que parece, cada vez mais, ser uma clara referência para os DT no que toca a ritmos mais metaleiros. No entanto qualquer semelhança fica-se apenas pela introdução. É um tema DTniano com um balanço muito groovy em certas partes e muito proggy noutras. As texturas harmónicas fabricadas pelos teclados e pelas guitarras transportam-nos para outra dimensão. A única contribuição de LaBrie neste albúm ao nível da criação é apresentada na forma de letra para a linda balada "Vacant". Um tema melancólico com sonoridades tristes (o violoncelo dá uma ajuda nesse sentido) e que introduz o tema seguinte. A instrumental do album revolve em torno da linha melódica apresentada na canção anterior acrescentando dimensões diferentes e cada vez mais complexas até regressar de novo ao princípio fechando o ciclo e colando à entrada da última música do CD. "In The Name of God" é um dos melhores temas dos DT de sempre, na minha opinião. Comprova que a sua capacidade criativa continua em alta e que é sempre possível ir mais além mesmo quando a fasquia já se encontra muito elevada.

Para finalizar, deixo aqui a discografia dos Dream Theater:

Train Of Thought (2003)
Six Degrees Of Inner Turbulence (2002)
Live Scenes From New York (2001)
Through Her Eyes (2000)
Scenes From A Memory (1999)
Once In A LIVEtime (1998)
Falling Into Infinity (1997)
Hollow Years (1997)
A Change Of Seasons (1995)
Awake (1994)
The Silent Man (1994)
Lie (1994)
Live At The Marquee (1993)
Another Day (1992)
Images And Words (1992)
When Dream And Day Unite (1989)

Publicado por jesusrocks em 06:47 PM | Comentários (3)

fevereiro 02, 2004

AGHORA



AGHORA "Aghora"


Este é um daqueles projectos que aparecem e desaparecem quase sem se dar pela sua existência. Porquê? O estilo musical adoptado é de dificil degustação devido à sua complexidade, abrange um vasto leque de influências cuja fusão poderá parecer desadequada ao ouvido pouco habituado a estas andanças, as letras falam de assuntos sobre os quais o comum dos mortais não estará predisposto a reflectir no dia-a-dia, trata-se de uma aventura pontual sem objectivos de longo prazo pelo que a continuidade está desde logo comprometida e é um trabalho sem qualquer preocupação comercial pelo que dificilmente capta o interesse das massas (e das editoras por consequência).


Esta introdução terá com certeza chamado a atenção de alguns de vós. Passo a apresentar os elementos envolvidos na gravação do primeiro e único trabalho desta banda conhecido até à data:


Danishta Rivero - voz
Santiago Dobles - guitarra, cítara, programações
Charlie Ekendahl - guitarra
Sean Malone - baixo
Sean Reinert - bateria, tabla & percurssão


Temas:
1 - Immortal Bliss
2 - Satya
3 - Transfiguration
4 - Frames
5 - Mind's Reality
6 - Kali Yuga
7 - Jivatma
8 - Existence
9 - Anugraha


Santiago Dobles, de origem venezuelana, foi o mentor deste projecto pensado quase desde a sua génese para integrar a extraordinária dupla dos Sean(s) na secção rítmica. Fã incondicional dos Cynic (banda da qual falarei oportunamente) Santiago sonhava com a possibilidade de alguma vez tocar na sua banda de eleição. Esse sonho, como tantos, não se realizou mas surgiu a oportunidade de trabalhar com os Seans e naturalmente não a desperdiçou. Este trabalho é uma fusão de estilos. Não é genial como o trabalho dos Cynic mas a abordagem também é essencialmente diferente. No entanto, encerra um lote de musicas muito interessantes. Desde o jazz ao Death Metal pode-se esperar um pouco de vários elementos e ambiências. Danishta, irmã de Santiago, é uma mezzo-soprano de voz doce e cristalina não escondendo a sua passagem pela escola clássica. Temos uma secção rítmica de alto nível, provavelmente a melhor dupla do género, e uma dupla de guitarristas que se completam um ao outro. O Santiago com uma sonoridade mais jazzística e o Charlie (MENDACITY) com uma sonoridade notoriamente mais pesada e agressiva que acaba por acrescentar uma dimensão e profundidade muito interessantes ao trabalho. Sean Reinert (CYNIC, DEATH, GORDION KNOT, ANOMALY, ) é um baterista de técnica apuradíssima, rápido, definido e extremamente imprevisivel. O outro Sean (CYNIC, OSI, ANOMALY, GORDION KNOT) é conhecido pelos seus trabalhos de baixo muito melódicos e percussivos e também pela sua imprevisibilidade e imaginação.


Não consigo destacar nenhum dos temas em especial mas chamo a atenção para o espectacular solo de bateria no final de "Existence". É um trabalho relativamente homogéneo e as músicas foram desenvolvidas com o intuito de comunicarem bem entre si. Recomendo este cd aos amantes da fusão que também apreciam Metal, pela consistência do som e pela qualidade da execução.

Publicado por jesusrocks em 10:50 AM | Comentários (2)

fevereiro 01, 2004

Devil Doll - Dies Irae

Devil Doll - Dies Irae "A Música é uma forma de arte." - Esta é uma frase que apenas pode ser sentida na sua totalidade depois de conhecerem a obra de desta Banda. Fundados em 1987 e com uma história extremamente interessante e fora do vulgar (que pode ser lida aqui), é uma banda com um som estranho e provavelmente totalmente diferente de tudo o que já ouviram até hoje. Este album intitulado "Dies Irae" (O Triunfo da Morte) que data de 1996, é o ultimo de que há conhecimento da banda até ao presente momento e foi fortemente inspirado na vida e musica de George Harvey Bone e nas obras de Edgar Allan Poe, Emily Bronte e Emily Dickinson. Com um som que mistura música classica com rock progressivo e opera ao som de bem treinados violinos, guitarras, pianos, violencelos entre muitos outros instrumentos, torna-se um som capaz de penetrar na vossa mente e incintar à loucura. Trata-se no fundo de uma única música, dividida em 18 partes que somam à volta de 70 minutos de profundo prazer auditivo, capaz de fazer a mente vaguear por mundos maravilhosos. Algo que apenas pode ser compreendido quando ouvido. O facto de existirem poucas cópias dos seus albúns torna também com que seja um item que facilmente valoriza que pode valer bastante dinheiro. Como exemplo, o primeiro album da banda, intitulado "The Mark Of The Beast" conta com apenas 1 exemplar que se encontra na posse do líder e vocalista da banda.

Nota: 10/10

Devil Doll - Dies Irae
Tracklist:
1 - Part I
2 - Part II
3 - Part III
4 - Part IV
5 - Part V
6 - Part VI
7 - Part VII
8 - Part VIII
9 - Part IX
10 - Part X
11 - Part XI
12 - Part XII
13 - Part XIII
14 - Part XIV
15 - Part XV
16 - Part XVI
17 - Part XVII
18 - Part XVIII

Site Oficial: www.alter-ego.dk/devildoll

Publicado por HeartLess em 08:18 PM | Comentários (1)

janeiro 22, 2004

MetallicA - Live Shit Binge & Purge - 2003 Reissue

Amados por uns, odiados por outros, não interessa. Os MetallicA são, indiscutivelmente, A maior banda de Metal de sempre. Milhões de álbuns vendidos (só com o Black Album foram mais de 14 milhões em todo o mundo...), concertos estonteantes, edições limitadas de luxo... E depois, clássicos como "Enter Sandman", "Master Of Puppets", "For Whom The Bell Tolls", "One"...
Hoje, venho falar-vos da re-edição de 2003 de "Live Shit - Bing & Purge", uma colectânea (originalmente lançada em CD e VHS) em CD e DVD dos melhores concertos da banda. Ao todo, são três concertos: Um em Seattle (DVD), outro em San Diego (DVD) e um em Mexico City (3 CD). Aos leitores que vêm o Sol Música: há uma pergunta feita em rodapé, que é a seguinte: "Qual o melhor concerto a que já assististe?" Eu responderia, sem dúvidas (e apesar de não ter lá estado), "Metallica em San Diego". Porque é um concerto absolutamente perfeito. Estrondoso. Memorável em todos os sentidos. Pequenas pérolas ao vivo como o fantástico medley do álbum "...And Justice For All", ou os 18 minutos gastos com a musica "Seek And Destroy" (em que James Hetfield vai lá abaixo, fazer o público cantar com ele) são momentos de ouro de uma banda que, neste concerto, se mostra coesa ao limite, como nunca tinham estado, nem voltariam a estar novamente. Ver James a alternar entre a guitarra acústica e a eléctrica em pleno "The Unforgiven" é um mimo à altura de poucos, tal como o é ver James (sempre ele!!!) "jamming" com Lars Ulrich na bateria, ou ver Kirk Hammett tocar guitarra com o cu (!!!), ou ainda ver Jason Newsted imitar o vento com o seu baixo... Simplesmente fenomenal. Acresce ainda, no DVD 1, um vídeo de aproximadamente 20 minutos com histórias e estórias (como o acidente de James Hetfield com os fogos de artifício durante um espectáculo, ou ainda o caos total que foi o concerto em Moscovo), bem como filmagens das gravações de "MetallicA". Uma box imperdível, não apenas aos fãs de Metallica, mas a todos os fãs de Metal. Recomendadíssimo.
Nota: 11/10 (sim, leram bem, 11 em 10. =] )

Playlists:
CD1 - Mexico City (Concerto 1)
1. Enter Sandman
2. Creeping Death
3. Harvester Of Sorrow
4. Welcome Home (Sanitarium)
5. Sad But True
6. Of Wolf And Man
7. The Unforgiven
8. Justice Medley: Eye Of The Beholder + Blackened + The Frayed Ends Of Sanity + ...And Justice For All

CD2 - Mexico City (Concerto 2)
1. Through The Never
2. For Whom The Bell Tolls
3. Fade To Black
4. Master Of Puppets
5. Seek And Destroy
6. Whiplash

CD3 - Mexico City (Concerto 3)
1. Nothing Else Matters
2. Wherever I May Roam
3. Am I Evil?
4. Last Caress
5. One
6. Battery
7. The Four Horsemen
8. Motorbreath
9. Stone Cold Crazy

DVD 1 - San Diego
1. Enter Sandman
2. Creeping Death
3. Harvester Of Sorrow
4. Welcome Home (Sanitarium)
5. Sad But True
6. Wherever I May Roam
7. Through The Never
8. The Unforgiven
9. Justice Medley: Eye Of The Beholder + Blackened + The Frayed Ends Of Sanity + ...And Justice For All
10. The Four Horsemen
11. For Whom The Bell Tolls
12. Fade To Black
13. Whiplash
14. Master Of Puppets
15. Seek And Destroy
16. One
17. Last Caress
18. Am I Evil?
19. Battery
20. Stone Cold Crazy

DVD 2 - Seattle
1. Blackened
2. For Whom The Bell Tolls
3. Welcome Home (Sanitarium)
4. Harvester Of Sorrow
5. The Four Horsemen
6. The Thing That Should Not Be
7. Master Of Puppets
8. Fade To Black
9. Seek And Destroy
10. ...And Justice For All
11. One
12. Creeping Death
13. Battery
14. Last Caress
15. Am I Evil?
16. Whiplash
17. Breadfan

Site Oficial: MetallicA


Publicado por aShBuRn em 06:33 PM | Comentários (5)

janeiro 21, 2004

Nevermore - Dead Heart...


Como primeiro post, teria que trazer algo aos caros leitores que fosse verdadeiramente espectacular. Algo genuinamente fora de série. Que é, sinceramente, a minha opinião acerca do CD de que venho falar neste primeiro post. Trata-se de "Dead Heart In A Dead World", dos Nevermore. Considerado, entre outras honrarias, o melhor àlbum de 2000 pela revista "Loud", este é um àlbum intenso, poderoso, capaz de despertar emoções escondidas através da audição de uma simples faixa. Atente-se na faixa 10 (Believe In Nothing - Quanto a mim, a melhor faixa do CD); Apesar de não ser um original, a banda de Jeff Loomis faz desta música um verdadeiro hino às baladas metaleiras, levando o ouvinte a um êxtase brutal, conjugado através de uma secção rítmica poderosíssima, aliada a um solo de guitarra que é simplesmente enlouquecedor; um momento deveras intenso. O que se pode expandir, obviamente, a todo o CD. Falando a um nível um pouco mais pessoal, e para vos dar uma ideia do quanto este CD pode, realmente, influenciar uma pessoa; até o ter ouvido pela primeira vez, a minha experiência no Metal resumia-se aos inevitáveis Metallica e a algumas bandas mais conhecidas; depois de ter ouvido Nevermore... A vida nunca mais foi a mesma. E acho que isto diz tudo. =)
Em termos de musicas recomendadas... Sinceramente, todas. Aliás, convém mesmo ouvir o CD na sua totalidade (e, de preferência, todas de seguida) de forma a podermos ter uma experiência mais abrangente.
Estão agora de volta ao activo, com mais um álbum arrasador, de seu nome "Enemies Of Reality". A rever, talvez, numa crítica mais adiante... Mas também recomendadíssimo.
Deixo-vos, então, com a lista das músicas de "Dead Heart In A Dead World", a discografia da banda e o seu "site" oficial.

"Dead Heart In A Dead World" - Nevermore, 2000

1. Narcosynthesis
2. We Disintegrate
3. Inside Four Walls
4. Evolution 169
5. The River Dragon Has Come
6. The Heart Collector
7. Engines of Hate
8. The Sound of Silence
9. Insignificant
10. Believe in Nothing
11. Dead Heart in a Dead World

Discografia
"Nevermore", 1995
"In Memory", 1996
"Politics Of Ecstasy", 1996
"Dreaming Neon Black", 1999
"Dead Heart In A Dead World", 2000
"Enemies Of Reality", 2003

Site oficial AQUI

Publicado por aShBuRn em 03:30 AM | Comentários (2)

janeiro 20, 2004

Toranja - Esquissos

Neste momento possuem um relativo air-play nas rádios nacionais, e penso que apesar de não conseguirem um hype como a uns anos conseguiram os Silence 4, isso não invalida que estejamos na presença de uma das (se não, a) grande promessa do pop-rock nacional. Falo, como já devem ter percebido, dos Toranja.
O seu disco de estreia vem no seguimento de um pequeno êxito, com a sua participação na colectânea Optimus 2001, com o tema ”Fome (nesse sempre)”, um tema bastante forte que já antevia o que se seguiu com o disco de estreia.
”Esquissos” foi o resultado, e pode-se dizer que ultrapassou todas as expectativas. Eu próprio confesso que depois do ”Fome” me desliguei completamente da banda, porque tinha a ideia que seria apenas mais um one hit wonder e não teriam outra musica como a ”Fome”. Mas na ultima semana e tal, uma musica chamou-me a atenção na rádio, e fui sacar essa música e outras da banda, que já ouvia falar a uns tempos, e como a minha memoria já não é o que era, foi ai que vi que esta banda que me fascinava com a sua ”Carta” era a mesma que a dois anos me tinha seduzido com a sua ”Fome”. A audição do seu disco fez-me ver que esta banda não se confina a uma boa musica, e que temos aqui um grande disco.
Com uma claríssima influencia em Jorge Palma, com letras bastante boas, e linhas melódicas suaves e cativantes, esta banda apresenta-nos um pop-rock limpo, linear, mas com uma alma bastante interessante. Para alem da ”Carta”, que apesar da sua métrica horrível, terrível, péssima, mas que talvez por isso mesmo possui um encanto especial, podemos ouvir neste disco outras boas musicas como ”Cenário”, que nos apresenta uma musica com um rock quase musculado, resquícios do pós-grunge, e uma pequena pérola que se chama ”Cada vez mais aqui”, cuja audição nos remete talvez ainda mais para Jorge Palma, apesar de, como é obvio, não conseguir a mesma intensidade ou qualidade que esse grande génio.
No computo geral é um grande disco, que nos vem mostrar que a musica portuguesa esta bem e recomenda-se. Eu vou comprar o original, aconselho a toda a gente fazer o mesmo.

Nota: 8/10

Alinhamento:

01 - Carta
02 - Fogo e noite
03 - Cenário
04 - Já te perdias
05 - Cada vez mais aqui
06 - Casca
07 - Quero-te assim
08 - Adormecido
09 - Dá-me ar
10 - Fim
11 - Por trás do fim
12 - Lados errados

Site:Toranja

Publicado por almahperditae em 06:43 AM | Comentários (763)

dezembro 27, 2003

Thragedium - Isolationist

Os Thragedium são uma banda portuguesa que têm sido, infelizmente, ignorada pelo grande público. Fundados por Eclipse (Ex-Desire) esta é sem dúvida uma banda a que não foi dada a devida atenção. O seu último album intitula-se "Isolationist" é sem dúvida uma obra de arte. Com um som e voz limpas, transportando a cada nota a essência lusitana, transformando a música numa experiência pessoal e única, este é um album que fica na memória de todos os que se orgulham de ser portugueses. No entanto este é um album que à primeira vista pode não cair facilmente no ouvido, sendo necessário ouvi-lo com frequencia para compreender a mensagem da banda. Destaca-se especialmente a música "The End... (Of All Lies)" por ser aquela que mais facilmente é capaz de captar mais ouvintes. Este album conta, tal como acontecera no album anterior, com a participação de Fernando Ribeiro (vocalista de Moonspell), que empresta a voz na musica "Bloodline". Infelizmente, a banda ficou reduzida ao membro fundador pouco tempo depois da gravação deste album, mas este promete dar continuação ao projecto. E a pensar numa forma simples de promover a banda, os próprios elementos resolveram disponibilizar o CD na integra para download. Aproveitem que é Natal, e a qualidade normalmente não vem a tão baixo preço.

Nota: 10/10

Thragedium - Isolationist
Tracklost:
1 - Breeding Thought
2 - The End... (Of All Lies)
3 - Isolationist
4 - Forevermore
5 - Libra
6 - Bloodline
7 - Aquarius *

* Bonus Track

Site Oficial: www.thragedium.cjb.net

Publicado por HeartLess em 03:10 AM | Comentários (1)

dezembro 12, 2003

Ashram - Ashram

Ao fim de um tempito o meu caro colega lá postou uma nova entrada. Ou seja, agora é a minha vez. Confesso que não sabia bem sobre que disco vos falar, mas como não pretendo que o blog se torne um blog de “novidades” pretendo aqui falar da música no geral, e de cada disco como uma obra intemporal a descobrir. Neste caso não vou recuar doze anos como na crítica anterior. Neste caso vou recuar até Janeiro de 2001, data em que a editora francesa Prikosnovecic lançou o disco homónimo dos italianos Ashram. Este quarteto composto por: Luigi (piano), Sérgio (voz), Edo (violino) e Leonardo (violoncelo) faz uma música de câmara bastante envolvente e intensa, e o seu disco de estreia deve de ser assimilado com toda a calma e serenidade que decerto merece. Como poderão ver pelo line-up, aqui não existe lugar à electricidade ou electrónica. A música é-nos servida através da beleza e suavidade daqueles que são por ventura os instrumentos com a mais bela linha melódica que o Homem alguma vez produziu. A voz serpenteia pelo meio das linhas melódicas deixando-se envolver como um quarto instrumento, efeito para o qual a voz de tenor de Sérgio muito ajuda. Os ambientes são soturnos, melancólicos mas providos de uma beleza arrebatadora com uma construção bastante pop, ou seja, apesar de à primeira vista se poder pensar que aqui está um disco para conhecedores musicais e musicólogos, o agrupamento tem o cuidado de não entrar em devaneios musicais e a construção da musica ser bastante acessível para um simples apreciador de musica, com linhas correctas, simples e com a utilização de riffs que nos transportam para o melhor do gótico e da musica ambiental. Esperem com a audição deste disco o transporte para um mundo negro e ao mesmo tempo belo. A intensidade da música através apenas de harmonias e melodias ricas em suavidade e melancolia. Um disco a descobrir, para sorver devagar e com calma. Bastante aconselhável.

Nota: 7/10

Alinhamento:

01 - Fairy Wind
02 - For My Sun
03 - Forever At Your Mercy
04 - Spirit Of The Rising Moon
05 - Lucky's Song (my dog)
06 - Nevermore Sorrow
07 - Horizons
08 - Forgive Me
09 - She's Fiddling
10 - Fragile
11 - Elisewin
12 - Oceans
13 - I've Lost Myself
14 - Sweet Autumn
15 - Silver Eyes


Site: Ashram (em construção... à dois anos!!!!)

Publicado por almahperditae em 06:50 AM | Comentários (3)

dezembro 11, 2003

Ásmegin - Hin Vordende Sod & So

Hin Vordende Sod & So é o primeiro albúm de Ásmegin lançado pela mão da Napalm Records. Com um ritmo marcado e forte característica do género Viking Metal, Ásmegin vêm trazer um novo sangue a um estilo de música que ainda tem muito por explorar. Contêm também influências de Folk Metal que se tornam notórias por incluirem no som da banda, o som de violino e também de flauta. Para um primeiro album, Hin Vordende Sod & So é mesmo, e sem sombra de dúvida, impressionante. Para ajudar a isto tudo, a banda conta com elementos de Borknagar/Solefald e Ram-Zet tornando o resultado final ainda mais perfeito devido à sua experiência no campo da música. Neste album destacam-se e aconselham-se a audição das músicas "Op Af Bisterlitiern", "Efterbyrden" e "Blodhevn". Como tal Ásmegin é uma banda que devem ouvir assim que possível!

Nota: 9/10

Ásmegin - Hin Vordende Sod & So
Tracklist:
1 - Henvandret (Introduction)
2 - Op Af Bisterlitiern
3 - Af Helvegum
4 - Efterbyrden
5 - Over Aegirs Vidstragte Sletter
6 - Bruderov Pa Haegstadtun
7 - Huldrandas - Hin Gronnkledde
8 - Til Rondefolkets Herskab
9 - Vargr I Véum - Eilivs Bane
10 - Blodhevn
11 - Valgalder
12 - Efterbyrden (Version 2)

Site Oficial: www.asmegin.com

Publicado por HeartLess em 04:40 PM | Comentários (0)

novembro 27, 2003

Jorge Palma - Só

O que é um génio? A resposta a essa pergunta é impossível ser dada de um modo linear. Mas alguns artistas conseguem ser mais unânimes que outros, e algumas obras demasiado ricas, complexas, diversificadas e intensas para passarem despercebidas. E o que dizer de um Artista com “A” grande, numa revisitação ao melhor da sua obra, onde se sente mais à vontade? Pois é isso que temos aqui: O trovador por excelência nacional a interpretar o melhor que saiu da sua genial carreira (apesar de obscura até a pouco tempo atrás) naquilo que faz melhor e do modo em que é mais intenso, ou seja, só e ao piano.

Lançado em 1991, nessa altura Jorge Palma ainda vivia longe do culto que usufrui hoje em dia, por isso o quase total desconhecimento deste disco. Olhando o alinhamento podemos afirmar que se encontra aqui as maiores pérolas da sua obra até então (e se virmos que até hoje em dia só editou mais um disco, a perda não é grande) numa interpretação sem rede e em 1 via, ou seja, live para o gravador, sem misturas, puro... O resultado só podia ser fenomenal e escolher músicas que sobressaíam é quase impossível, no meu caso em especial aconselho a música «Á Espera Do Fim», onde a intensidade chega a ser quase agressiva, sentindo-se a dor e a solidão na voz do músico quase que entrando dentro de nós e rasgando-nos os sentidos. Existem momentos em que o sublime se atinge, existem momentos que podem ser classificados de mágicos, existem momentos capazes de vangloriar carreiras inteiras, este disco está recheado de momentos desses, e este disco mais que uma resenha da sua carreira, deve ser visto como o expoente máximo de Jorge Palma. Pois aqui, este Artista atinge o auge da sua Arte, só e ao piano, no que faz melhor: tocar-nos as almas. Obrigatório.

Nota: 10/10

Alinhamento:

01 - Estrela do Mar
02 - Onde Estás Tu, Mamã (Canção de Lisboa)
03 - O Meu Amor Existe
04 - Só
05 - A Gente Vai Continuar
06 - Frágil
07 - Essa Miúda
08 - Bairro do Amor
09 - Terra dos Sonhos
10 - Deixa-me Rir
11 - À Espera do Fim
12 - Jeremias, O Fora da Lei
13 - Viagem Na Palma da Mão
14 - Dizem Que Não Sabiam Quem Era
15 - O Fim

Site: Jorge Palma

"J.P. é um personagem complexo. Marginal assumido, de rebeldia contida mas viva, passo rápido e olhar penetrante, com valores bem afivelados e uma gargalhada que desconcerta e contagia, é dono de uma personalidade marcante que, à mistura, com uma série de pequenos "defeitos", faz dele aquilo a que usa chamar-se um "tipo porreiro". Neste trabalho Jorge Palma decidiu mostrar as suas canções "sem rede". Por isso optou por gravar voz e piano em simultâneo, directamente "à fita". "

Francis, in "Só" (inlay)


Publicado por almahperditae em 11:47 PM | Comentários (12)

Ramp - Nude

A provar que não é só de Moonspell que vive o metal nacional, os Ramp lançaram o seu 5º albúm, de nome Nude. Os ramp têm já uma longa experiência musical e este novo album vêm provar que eles sabem como usá-la. Este albúm é talvez o melhor registo da banda até ao momento, apresentado uma faceta mais agressiva que os Ramp haviam ocultado nos seus albúns anteriores e vem mostrar que o metal português está de saúde e recomenda-se. Com um som de bateria forte e marcado, uma voz limpa e ao mesmo tempo poderosa, e uns riffs de guitarra arrepiantes, este albúm vem mostrar como o percurso que os Ramp têm vindo a percorrer desde o ínicio da sua carreira efectua-se de modo ascendente. Com especial destaque para as músicas "Alone", "Clear" e "XXX (Fan)Tasy", este albúm recomenda-se a todos os fans da banda e não só.

Nota: 8/10

Ramp - Nude
Tracklist:
1 - Prime
3 - In Sane
3 - Clear
4 - Around
5 - S.H.O.U.T.
6 - Newborn
7 - Alone
8 - Bsides
9 - XXX (Fan)Tasy
10 - Caught
11 - Drop Down

Site Oficial: www.ramp.pt
Fan Site: http://welcome.to/ramp

Publicado por HeartLess em 12:41 AM | Comentários (24)